O lugar da semente

O lugar da sementeSerá que você já parou para meditar sobre os ricos ensinos que o Senhor Jesus nos trouxe através da famosíssima Parábola do Semeador? Pelo menos, eu respondo por mim: já me interessei e continuo interessado em aprender cada vez mais sobre a grande contribuição que essa parábola dá à nossa vida cristã.

Apenas os sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), narram a Parábola do Semeador, contudo, para que a entendamos bem, precisamos correlacionar os textos, pois eles se completam. Vou explicar: é que cada um desses evangelhos traz alguma particularidade que, às vezes, um deles deixou de falar. Por exemplo, quem conhece essa parábola, sabe que o semeador saiu a semear (Mateus 13.1, Marcos 4.3), porém, quando lemos o evangelho lucano, vemos que a semente semeada era do próprio semeador, pois está inserido assim: “Um semeador saiu a semear a sua semente…” (Lucas 18.5a).

Mateus e Marcos, narram que o solo onde a semente primeiramente caiu, foi junto do caminho e que serviu de alimentos apenas para as aves e nada mais (Mateus 13.2; Marcos 4.4). Lucas também fala desse terreno, mas detalha o seguinte: que a semente foi pisada e, a que disto sobrou, serviu de alimento para os pássaros, pois relata: “… e foi pisada, e as aves do céu a comeram” (Lucas 8.5b).

É claro que os transeuntes foram os que pisaram na semente. São as pessoas espiritualmente descuidas que não dão valor à semente: “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?” (Isaías 53.1).

Tanto Mateus, como Marcos, deixaram escrito que o segundo tipo de solo onde a semente caiu foi entre as pedras que, rapidamente germinou, porque não havia profundidade na terra, mas apontam que o fato motivador que levou a plantinha, que não tinha raiz profunda, a secar-se, foi o sol (Mateus 13.5,6; Mc 4.5,6). A particularidade de Lucas destaca: “E outra caiu sobre pedra, e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade” (Lucas 8.7).

Acredito que a umidade espiritual do crente tem tudo a ver com a presença do Espírito Santo em sua vida. Quantos vão à igreja, escutam belos hinos, mas sequer abrem a boca para acompanhá-los! Isso é porque não são úmidos. Para esses, chorar na igreja nem pensar, pois se fazem de durões, machões. Fico a pensar como eles interpretam: “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram” (Romanos 12.15).

O terceiro local onde a semente caiu foi entre os espinhos. Nisso concordam os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas (Mateus 13.7; Mc 4.7; Lucas 8.7). No entanto, há um detalhe em Lucas: é que a semente cresceu junto com os espinhos que a mataram: “E outra caiu entre espinhos, e crescendo com ela os espinhos, a sufocaram” (Lucas 8.7).

Observe que, segundo o texto, na medida em que a planta crescia, cresciam com ela os espinhos. É óbvio que o semeador que saiu a semear, ou não preparou bem a terra para a semeadura, ou fez muita força quando jogava a semente, a ponto de algumas delas terem caído em um terreno que não era seu, inadequado ao plantio.

Se o terreno fosse seu, os espinhos deveriam ser retirados e, da mesma forma, as pedras também. Há inclusive, uma recomendação do próprio Deus para que a semeadura não ocorresse entre os espinhos: “Porque assim diz o Senhor aos homens de Judá e a Jerusalém: Lavrai para vós o campo de lavoura, e não semeeis entre espinhos” (Jeremias 4.3).

Espinhos, no mundo espiritual, podem ser interpretados como as tentações, as perseguições e as tribulações que sofremos.

Os espinhos que sufocam podem ser: quando uma pessoa aceita a Jesus, mas não quer romper com os atrativos do mundo, com as velhas amizades com pessoas que não estão nem aí para Deus! São aquelas pessoas que são crentes, mas que ainda gostam de ouvir músicas do mundo, que ainda torcem loucamente para um time de futebol, que ainda gostam de tomar cerveja, que são aficionados as novelas, que ainda andam pelas casas lotéricas no intuito de fazer um jogo, só na esperança de um dia se tornar rico.

Irmãos, não há crente forte se esse brinca com o pecado; basta ver a vida de Sansão! Querer crescer junto com os espinhos não dá: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Coríntios 6.14).

Observe também este texto, pois é uma “vacina” contra os espinhos que sufocam: “Bem- -aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Salmos 1.1).

É claro que o texto acima não está apenas prevenido acerca da escolha para o casamento, mas de qualquer tipo de associação com pessoas descomprometidas com o Senhor.

Todavia, há um tipo de terreno muito adequado à semeadura: a boa terra. Mateus, Marcos e Lucas, são unânimes quando afirmam que a semente também caiu em terra boa e que deu fruto (Mateus 13.8; Marcos 4.8; Lucas 8.8).

Despertar-nos a atenção nesses três relatos, é que somente Lucas registrou que a planta produziu cem grãos para cada semente. A sua narrativa expressa: “E outra caiu em boa terra, e, nascida, produziu fruto, cento por um” (Lucas 8.8a).

Irmãos, não foi sem motivo que Jesus recomendou: “Eu sou a videira, vós as varas: quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (João 15.5).

É bom lembrar que a semente desta parábola é a própria Palavra de Deus, conforme escreveu Lucas: “A semente é a palavra de Deus” (Lucas 8.11).

Quanto às demais explicações relacionadas aos tipos de terrenos, basta o leitor ler Mateus 13.19-23; Marcos 4.13-20; Lucas 8.12-15. Em que tipo de terreno essa Semente foi plantada em sua vida?

Por, Moisés Soares da Câmara.

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