O homem no contexto sócio fraternal

fraternalAs justificativas para a inserção do homem no contexto social, tendo como vértice a comunhão fraterna, conscientes ou inconscientes, em última instância só se mantém se adotarmos o paradigma judaico-cristão de ser-humano. As exigências epistemológicas, isto é, da razão, para a inserção do homem nesse contexto, demandam também para esse paradigma judaico-cristão (Romanos 2.15). Isso porque a cultura ocidental tem como substrato a visão do homem forjada tanto pelo pensamento grego como pelo judaico-cristão. Ademais, os modelos que explicam a origem do homem no ocidente são dois: o criacionista e o evolucionista.

Pelo modelo evolucionista a solidariedade não se mantém porque, segundo esse modelo, só sobrevivem espécies mais fortes [seleção natural]. Transformando o modelo evolucionista em método e aplicando no social, poderíamos facilmente formular a seguinte proposição: “os homens que alcançaram o saber técnico-científico sobreviverão, e os que não o alcançaram não subsistirão”. Por social-fraternidade entendemos, na esfera privada: o esforço para amortecer as dificuldades daqueles que foram privados do acesso aos meios de subsistências, e na esfera jurídica ou pública a promoção dos membros da sociedade a “certa isonomia” do acesso aos meios de subsistências. Digo “certa isonomia”, porque não é necessário haver igualdade absoluta da posse dos meios de subsistências entre os seres humanos, o que equivaleria ao comunismo. Portanto, as premissas sobre as quais me apoiei para fundamentar o presente artigo são as da revelação.

Por revelação queremos dizer a Bíblia. Ela é a revelação objetiva de Deus à humanidade. Objetivo implica que a vontade da divindade foi posta diante de nós. Foi exteriorizada no registro bíblico. Sem essa objetivação da lei divina no registro bíblico o homem permaneceria na ignorância. Portanto, a revelação bíblica possui: a) Ontologia, porque é anterior a nós; b) Cientificidade, porque não depende da subjetividade humana, ela é de origem divina, no jargão filosófico, dela poderíamos dizer: a Bíblia é em si; c) Universalidade, porque possui antologia, cientificidade, e a essência do seu conteúdo tem validade em todos os tempos e em todos os lugares. Daí o lema da Reforma: “Somente as Escrituras”. Portanto, os pressupostos da social-fraternidade humana estão sobre os sólidos fundamentos da revelação objetiva de Deus aos homens, a Bíblia. O homem é um ser relacionado, pois foi criado por Deus e para Deus (Gênesis 1.26). Por conseguinte, a primeira revelação social do homem é de caráter vertical, sem essa relação o homem nem sequer existiria. A relação entre Deus e o homem é transcendente, pois é entre Deus e a criatura. Em razão desse caráter relacional há uma sede universal no ser humano por Deus (Salmo 42.1-3; João 7.37-39). A sede que o Senhor falou no Evangelho segundo João é pura necessidade de relacionamento com a Deidade. A essa necessidade de relacionamento com a Divindade, usando a linguagem teológica medieval é chamada de necessidade essencial, isto é, necessidade fundamental. A privação desse relacionamento provoca a mutilação do existir humano. A segunda relação social humana é horizontal (Gênesis 1.26-29; 2.7, 18). Na relação social horizontal, em primeiro lugar vem a familiar: marido/mulher (Gênesis 2.18), e depois as relações sociais propriamente ditas (Gênesis 4.1-4). Nessa passagem da escritura podemos observar a gênese das classes sociais, produzindo para si e para as outras; esse produzir um para o outro chamamos de relação social. As classes produtoras demandam da própria ordem do cosmo, e à proporção que o cosmo humano evolui quantitativamente e qualificativamente, mais em evidencia ficam as necessidades de tais classes. Deus, pois, colocou à disposição do homem os meios para que esse suprisse suas necessidades de subsistências (Gênesis 1.29). Essa relação do homem com a natureza, chamamos de relação de subsistência. A disposição dos meios de subsistência Deus propôs a todos (Gênesis 1.29). Ao criar o homem, Deus propôs uma sociedade justa, pois na criação do homem, o Senhor pronuncia o Seu governo presencial sobre os Seus súditos (Romanos 5.14). Um dos indicadores de uma sociedade justa é o acesso aos meios de subsistência. O advento da queda levou à humanidade a desordem (Gênesis 3.17-19), com a desordem criaram-se os sistemas de governos injustos (Romanos 5.12). Hoje os estudiosos do social debatem sobre a origem do poder constituído, isto é, os governantes, mas a realidade é que tal poder delegado é uma necessidade estrutural da própria razão de sociedade, comprovada pragmaticamente. A respeito da solidariedade, o cristão deve praticá-la por várias razões: 1) Todos têm uma origem em comum, Deus (Gênesis 1.26); 2) temos o conhecimento bíblico que no reino eterno de Deus, todos seremos co-iguais (Apocalipse 21-22); 3) não trouxemos nada para o mundo (1 Timóteo 6.7); 4) do mundo, nada podemos levar (1 Timóteo 6.7). Ademais, a Bíblia ensina a existência do reino futuro de Deus, no qual as desigualdades de satisfação não ocorrerão. Tendo esse ideal do reino eterno como modelo é que podemos no presente tornar-nos mais altruístas. Todas as estruturas sociais movem-se por meio de um modelo ou paradigma, e o povo da revelação deve ser movido pelo modelo do reino eterno de Deus. Por conseguinte, o reino futuro de Deus revelado pelas Santas Escrituras é a causa final que deve mover nossas ações no presente. Deus em Cristo deseja, pois, no céu cear com toda a humanidade, o que seria possível através da redenção que há em Cristo. Nas Escrituras, portanto, podemos verificar as exigências lógicas e as exigências imperativas para a prática da solidariedade fraternal no seio da humanidade. As exigências imperativas são aquelas que decorrem do mandamento divino. O segundo grande mandamento diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12.31). Na parábola do samaritano o Senhor mostra que é o nosso próximo (Lucas 10.25-37). Em Isaías 58, Iahweh mostra os parâmetros para um jejum aceitável, e Tiago nos diz que a religião verdadeira deve visitar o órfão e a viúva nas suas tribulações (Tiago 1.27), o que equivale exercer misericórdia. João Batista, o precursor do Mestre, sobre a verdadeira religião assim se expressou: “Quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo” (Lucas 3.10). Segundo nosso Senhor, a falta de solidariedade pode levar o homem ao dano eterno (Mateus 25.41-46), a esses textos, poderiam ser acrescentados muitos outros. A rejeição dos pressupostos cristãos de solidariedade pela classe dirigente do ocidente desembocou na possibilidade do comunismo. Mas isso fica pra depois.

Por, Francisco Gonçalves da Costa.

2 Responses to O homem no contexto sócio fraternal

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