O fundamento da unidade da Igreja

O fundamento da unidade da IgrejaNos últimos dez anos os sites de relacionamentos tiveram um crescimento exponencial. No início do século XXI o “Orkut” conquistou espaço na vida virtual dos brasileiros e abriu caminho para as redes sociais seguintes (Facebook, Twitter, Linkedin, etc.). Com o passar dos anos percebeu-se a constante necessidade de estar conectado. Atualmente, as redes sociais tem relevância garantida em ambientes profissionais, em gestão de negócios, em comunicação e em pesquisas.

Enfim, uma coisa é certa: a internet veio para ficar! E as redes sociais mudaram o mundo. De certa forma elas aproximam pessoas e culturas que viviam longe. Embora, tenham afastado muitos que viviam próximos – amigos que deixaram de estar ligados um ao outro, para apenas estar ‘na rede’.

Mas qual será o motivo para tamanho sucesso das redes sociais? Talvez, seja o íntimo e sincero desejo do ser humano de não estar só. Todos nós desejamos estar ligados a alguém. Precisamos nos relacionar. Nós fomos criados para estar conectados ao próximo e a Deus.

Nos relatos bíblicos de Gênesis (capítulos 2 e 3) conhecemos a narração sobre a criação de Adão e Eva e sobre a unidade que havia entre eles, entre ambos e o meio ambiente no qual viviam e entre os dois e Deus. De modo que é possível percebermos que o ser humano foi gerado em um ambiente de relacionamentos horizontais (entre pessoas e meio ambiente) e vertical (com Deus).

Cristo, por sua vez, nos convida a experimentarmos um nível mais profundo de relacionamento com Deus e com o próximo. Ele nos desafia a vivermos em unidade.

Unidade é uma característica de um relacionamento maduro e aperfeiçoado. Ela pode acontecer em diversas relações. É possível viver em unidade com Deus, com o cônjuge, com família, com amigos, com irmãos, como também com a Igreja.

Cabe esclarecer a definição de Igreja que estamos utilizando. Refiro-me a Igreja Universal invisível e indivisível de Cristo estabelecida por Ele mesmo, conforme mencionado em Mateus 16.18 por Jesus e em 1 Coríntios 12.13 e 27 por Paulo. Também chama de “A noiva de Cristo (2 Coríntios 11.2), “Casa Espiritual” e “Sacerdócio Santo” (1 Pedro 2.5). É uma instituição que não se limita por espaço geográfico, tempo, etnia e costumes.

O conceito da unidade

Primeiramente, é preciso compreender o que NÃO é unidade.

a)Unidade não é unanimidade: unânime é o grupo de pessoas onde não há discordância ou variação de opinião, no qual todos possuem o mesmo pensamento  e sentimento. Unidade pode existir em meio a unanimidade, entretanto esta não é pré-requisito daquela.

b) Unidade não é uniformidade: o dicionário Priberam define “uniforme” como algo “que só tem uma forma; que não varia nada, que é sempre o mesmo; regular; igual; constante, compassado”. A unidade da Igreja não depende de uma uniformidade de organização e de gestão. A unidade convive pacificamente com a multiforme graça.

c) Unidade não é união: união é uma associação entre duas pessoas ou mais. Trata-se de uma filiação motivada por algum propósito. Porém ela não garante a existência ou a manutenção da unidade.

Afinal, o que é unidade? Merrill Tenney, ao tentar responder esta pergunta, faz a seguinte consideração: “Unanimidade significa uma concordância absoluta de opinião dentro de um determinado grupo de pessoas. Uniformidade é a completa similaridade de organização ou de ritual. União significa afiliação política, sem necessariamente incluir concordância individual. Unidade exige unicidade do interior do coração e propósito essencial, através de um interesse comum ou de uma vida comum”.

Podemos entender a proposta de Deus para a unidade da Sua Igreja se observarmos a Sua trindade. O Deus Trino (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo) são um. Possuem a mesma essência, embora se manifestem em três pessoas distintas. Entre as pessoas de Deus há características e ações que as diferem entre Si. Entretanto, convivem em perfeita harmonia, sintonia e unidade.

O mistério da trindade é exposto por Cristo em diversas passagens bíblicas. Em João 14.7-11 Jesus declara Sua perfeita e completa unidade com o Pai. De modo que é possível observar que multiplicidade de formas e diferenças pessoais não são impedimentos para a vivência da unidade.

Se aplicarmos esse princípio ao convívio e relacionamento com os membros que compõem a Igreja, conseguiremos experimentar a proposta apresentada em João 17.21: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”.

Isso é viável. Esta unidade perfeita do Deus Trino é um espelho do que podemos alcançar. A solidez dessa unidade que precisamos está garantida no sacrifício vicário de Cristo, o qual estabeleceu o novo tempo (de Graça) e Sua própria ekklesia – comparada como seu Corpo (1 Coríntios 12.12-27).

Sobre isto Keith Phillips faz a seguinte observação: “Um corpo cristão que funciona procura estimular a maturidade de todos os seus membros […] O relacionamento entre os membros do corpo é tão íntimo que aquilo que afeta a um afeta a todos […] Os membros de um corpo maduro ultrapassam a ideia incompleta de ‘ir à igreja’ e entendem que são da Igreja. Em Cristo, os discípulos estão ‘sendo edificados juntos,  para se tornarem morada de Deus por seu Espírito’ (Efésios 2.22). Não mais restrita a tijolos e argamassa, a igreja funciona com força total no mundo dos negócios, na escola e na vizinhança”.

A comparação da composição da Igreja com um corpo humano, tendo Cristo como cabeça, é uma ilustração exemplar do projeto de unidade criado por Deus: a fusão perfeita, completa e sincrônica do diferente, resultando em uma realidade nunca antes experimentada quando estavam separados. Esta unidade pressupõe a diversidade sem desprezar ou invalidar a individualidade. E pode, deve e precisa ser experimentada em nossa historicidade (história vivida) como cristãos. Ela faz parte da nossa jornada espiritual.

A unidade é meio pelo qual a Igreja vivencia a espiritualidade coletivamente, de modo que a saúde da unidade influencia diretamente a qualidade da espiritualidade desfrutada na igreja, e a força de atuação missional. Pois quanto mais forte a unidade em uma igreja local, maior é a sua capacidade para testemunhar o Evangelho, servir, socorrer famílias e formar discípulos de Cristo.

Quando a Igreja se reúne e consegue desenvolver não apenas suas estruturas, organogramas e programações, mas superando esse limite material, firma seu coração e mente em propósitos específicos (que visem transformar vidas através do Evangelho), então a sua luz brilha nas trevas. Este é o poder e o propósito de uma visão una: um explosivo crescimento do Reino de Deus. Porque a unidade gera impacto.

Por, Flavianne Vaz.

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