O diálogo entre Pilatos e Jesus

É possível identificar na Bíblia em que idioma foi travado o diálogo entre Pilatos e Jesus?

O diálogo entre Pilatos e JesusO Novo Testamento silencia sobre o idioma usado no diálogo de Jesus com Pôncio Pilatos. O que se sabe é que a língua do povo era o aramaico, o grego era o idioma internacional, e o hebraico era usado pela elite da Judeia. Vejamos com mais detalhes.

O aramaico era a língua oficial de Babilônia (Daniel 2.4) e veio a ser a língua franca do Oriente Médio desde a ascensão do neoimpério babilônico até o advento de Alexandre, o Grande. As gerações que regressaram do exílio babilônico falavam essa língua. Diversos dialetos continuaram vivos nos períodos subsequentes, entre eles os que tornaram a língua do povo na Galileia e Samaria. Um deles é o dialeto palestino, a língua doméstica falada no período do Novo Testamento pelo Senhor Jesus Cristo e por seus patriotas.

O hebraico é o idioma em que foi escrito originalmente o Antigo Testamento, exceto Esdras 4.8-6.18; 7.12-26; Daniel 2.4-7, 28; escritos  em aramaico bíblico. Na Galileia e em Samaria, os dialetos aramaicos se tornaram a língua do povo, mas Judeia insistia na língua hebraica, isso na época do ministério terreno de Jesus. Parece que a elite de Jerusalém, contemporânea do apóstolo Paulo, falava esse idioma (Atos 22.2). Era o hebraico colonial no qual os fariseus modelavam o ensino ao povo. No século II d.C., os ensinos nesse dialeto coloquial foram organizados, passando a assumir um formato literário pós-bíblico e constituindo o chamado hebraico rabínico.

O grego é a língua indo-europeia falada na Grécia. O dialeto koiné é o grego da Septuaginta e do Novo Testamento, dos escritos apócrifos e pseudoepígrafos, e dos pais gregos. O soldados romanos e muitos do povo falavam essa língua, pois muitos judeus de fala grega provenientes da diáspora viviam na Palestina e o comércio com os gentios era intenso. Os tradutores da Septuaginta foram enviados de Jerusalém para Alexandria, no Egito. Herodes, o Grande, era um grande entusiasta da cultura helenística. Os escritos apostólicos do Novo Testamento foram redigidos num bom grego.

Josefo diz que Jesus ensinou a muitos judeus e gregos: “Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas também por muitos gentios” (Antiguidades 18.4.772, Edição CPAD). A palavra usada para “gentio”, na língua original, é ellenikos, “grego”. Há evidências disso nos evangelhos (Mateus 4.25; João 7.35; 12.20, 21). Não há dúvida alguma de que Jesus falava grego, embora os seus ensinos, como os encontramos no Novo Testamento, tenham sido comunicados em aramaico.

Como romano, a língua materna de Pilatos era o latim. Na qualidade de representante de Roma, ele devia falar também o grego, a língua internacional da época. Constituído governador da Judeia pelo imperador Tibério em 26 d.C., podemos afirmar que Pilatos falava aramaico? Não há como responder a esta pergunta com certeza. Mas o Senhor Jesus e Pilatos falavam o grego, e, com base nas evidências apresentadas aqui, é bastante provável que esse diálogo entre eles tenha ocorrido nessa língua.

Por, Esequias Soares.

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