O Deus único e a sociedade pluralista

O Deus único e a sociedade pluralistaO evangelho já está acostumado a um mundo com religiosidade pluralista. Os primeiros discípulos proclamaram as Boas Novas ao mundo religiosamente misto do Mediterrâneo, com seus muitos deuses e templos, filosofias gregas e culto ao imperador. O pluralismo religiosos de hoje, no entanto, oferece uma abordagem atraente para as sociedades ocidentais democráticas liberais, alegando que todas as religiões são igualmente capazes da salvação ou libertação, com nenhuma superior a outra. Estas concordam com a análise de nossa cultura feita pelo educador Allan Bloom: “O conflito é o mal que mais querem evitar”.

“Não é arrogante proclamar Jesus como revelação exclusiva de Deus perante as outras religiões?”, perguntam, assim como a teóloga feminista Rosemary Radford Ruether, que declarou que “a ideia de que o cristianismo, ou até mesmo as crenças bíblicas”, tem o monopólio da verdade religiosa é um chauvinismo religioso absurdo e ultrajante”. No nível popular, Oprah Winfrey disse uma vez em seu programa de tevê: “Existem milhões de maneiras de ser um ser humano e muitos caminhos que vocês chamam de ‘Deus’. (…) Não poderia haver apenas uma forma”.

Podemos facilmente concordar com o aspecto meramente descritivo do popularismo: o fato de que muitas crenças religiosas existem. O perigoso é o risco do evangelismo pluralista, que assume um tom prescritivo: “É verdade, portanto você precisa acreditar que todas as religiões são capazes de salvar ou libertar”. Nesse ponto de vista, a afirmação de que Jesus é o único caminho é considerada “tacanha” e “imperialista”, uma “relíquia da era colonial!”. O pluralismo é muito mais adequado para o nosso individualismo com orientação consumista, a abordagem da religião no estilo Buffet, que diz: “Eu vou pegar um pouco disso aqui… Não, eu não gosto disso…”.

Resposta ao pluralismo

Os cristãos afirmam, apoiados na Bíblia Sagrada, que a fé cristã é verdadeira e que a morte sacrificial de Jesus é a base da salvação genuína. Assim, outras religiões não podem oferecer a salvação genuína. Onde outras religiões discordam da revelação cristã, elas estão em erro. Essa visão é particularista ou exclusivista, mas em termos de reivindicações de verdade todos os religiosos são excludentes. Antes de abordar os problemas do pluralismo religiosos, precisamos considerar quatro coisas.

Em primeiro lugar, toda a verdade é a verdade de Deus – se dentro da fé cristã ou fora dela. Em Atos 17.22-28, Paulo citou pensadores pagãos que falavam de  Deus como Criador e Mantenedor. Budistas ou confucionistas acreditam em honrar os pais ou na liberdade religiosa, os muçulmanos afirmam que Deus eternamente existente criou o universo.

Em segundo lugar, os não-crentes que acreditam que os cristãos são “tacanhos” por acreditar na unicidade de Jesus precisam lembrar que o próprio Cristo falou disso primeiro. Os não-cristãos que estão ofendidos por alegações de que Jesus é o único Salvador precisam saber que essa afirmação está originada em Jesus, e não nos prórios cristãos (João 14.6; Atos 10.40; 2 Coríntios 5.19). O crítico deve enfrentar as próprias declarações de identidade autoritárias e surpreendentes de Jesus. Negar essa singularidade é negar o próprio cristianismo.

Em terceiro lugar, o diálogo religioso exige igual respeito, mas não a igualdade de crença. Se um cristão é convidado para um painel de discussão religiosa, eles dizem que ele não pode orar em nome de Jesus ou falar de Jesus com singularidade, porque isso poderia ofender os judeus ou muçulmanos presentes. Mas não é essa restrição ofensiva para os cristãos?

Em quarto lugar, a religião incluindo concepções idólatras de Deus dentro da cristandade, podem impedir as pessoas de conhecer o Deus vivo. Tal como acontece com muitos líderes religiosos nos dias de Jesus, a religiosidade pode impedir as pessoas de salvação e de encontro com Deus. Na Índia, eu testemunhei festivais hindus em que as pessoas cortam e arrancam pedaços de seus corpos. Ao invés de serem felizes como elas são, muitas vivem sob o jugo de espíritos malignos, oprimidos pelo “karma”, escravizados pela superstição e paralisados pelo medo da morte. Um muçulmano convertido a Cristo me disse certa vez:  “Quanto mais eu vejo as religiões do mundo, mais bonito Jesus parece para mim”.

Problemas do pluralismo

Com estas preliminares em mente, vamos considerar os problemas do pluralismo religioso.

Em primeiro lugar, o pluralismo religioso elimina a possibilidade de que Deus tenha se revelado objetivamente na história revelando qual é a verdade. O pluralismo religiosos pretende começar a partir do zero, observando o que se passa nas mesquitas, igrejas, sinagogas, templos e Sikh Gurdwaras. Muitos pluralistas acreditam que Jesus era apenas uma pessoa consciente de Deus e que não ressuscitou dentre os mortos. A Bíblia diz que Deus se revelou na história a determinadas pessoas tendo a humanidade como um todo em mente, buscando abençoar todas as famílias da Terra por meio dessa revelação (Gênesis 12.1-3). Como as ondulações de uma pedra lançada em uma lagoa, a missão cristã no mundo flui a partir da Encarnação de Cristo, que oferece a salvação a todos por meio de Jesus e a ação do Espírito de Deus.

Em segundo lugar, o pluralismo religioso é logicamente tão exclusivista como o cristão ou qualquer outra fé. O pluralismo religioso acredita que sua visão é verdadeira e que o exclusivista – seja cristão, muçulmano, budista etc – está errado em rejeitar o pluralismo. O pluralista acredita que ele tem a verdadeira virtude, o cristão ou o muçulmano não. Se a fé cristã é um exclusivismo particular, o pluralismo religioso é um exclusivismo genético: se o plural está correto, então as doutrinas centrais das grandes religiões do mundo são falsas.

Em terceiro lugar, mesmo que a crença religiosa seja amplamente moldada nas circunstancias geográficas históricas, esse fato por si só não garante a verdade do pluralismo religioso. Pluralistas levantam a objeção da geografia, dizendo: “Se você tivesse nascido na Arábia Saudita, você provavelmente seria muçulmano. Ou se na Índia, um hindu”. Embora isso seja estatisticamente verdade, esse raciocínio não prova que o pluralismo é o posicionamento certo.

A geografia de uma crença não estabelece nem neutraliza sua verdade. A maioria dos que cresceram na Alemanha nazista se juntou à Juventude Hitlerista, de onde não se pode concluir que todos os sistemas políticos são igualmente legítimos. Existem razões independentes para se preferir certas formas de governo sobre os outros, mas ninguém pode aceitar todas as formas como legítimas. Poderíamos dizer o mesmo sobre a moral: só porque alguns grupos de pessoas crescem pensando que o canibalismo ou o terrorismo ou o racismo são moralmente justificáveis isso não lhes dá o direito de não podermos rejeitar a sua perspectiva moral problemática. Nossa crença em valores morais objetivos não está ameaçada pelo fato de que outras pessoas crescem pensando de forma diferente.

O mesmo se aplica a crenças sobre a realidade última e da condição humana: nós rejeitamos crenças profundamente incoerentes. Questionamos corretamente uma religião que depende fortemente de documentos falsos ou do caráter de uma pessoa carismática que era mulherenga, charlatã e que funda uma religião, mesmo que seus seguidores sejam pessoas moralmente decentes. Se a fé crista explica mais facilmente muitas características do universo e da condição humana de várias religiões orientais ou outras alternativas seculares, então a sua maior plausibilidade não deve ser superada pela objeção geográfica.

Além disso, se o pluralista tivesse nascido em Madagascar ou na França medieval, provavelmente ele não teria se tornado um pluralista! Se todas as religiões são culturalmente condicionadas, o pluralista é tão culturalmente condicionado como o cristão ou o hindu. Como, então, o pluralista pode ter subido acima seu condicionamento cultural a ver as coisas mais claramente do que o resto de nós?

No confronto dos argumentos das religiões, o cristianismo vence.

Por, Paul Copan.

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