O Céu não está em crise

O Céu não está em criseO Evangelho de Mateus, capítulo 1, apresenta a genealogia de Jesus bastante resumida. Estudando o Antigo Testamento, contudo, encontramos a genealogia completa do povo de Israel, de suas tribos e de suas famílias. Continuando a leitura de Mateus 1 até o verso 17, percebemos que o propósito do texto é nos mostrar toda a descendência do Messias começando por Adão, Arão e, consequentemente Davi. Nessa genealogia que Mateus nos apresenta, também está contida a história do povo de Israel, que corresponde aos períodos dos patriarcas, dos reis, do exílio, ao período do império, chegando, finalmente, ao período da vida do Senhor Jesus.

Apesar de o nosso foco não ser a questão histórica, é interessante explicar que Abraão e seus filhos correspondem ao período dos patriarcas. A partir de Arão, é sobre o período de Moisés que a genealogia está tratando – o período em que Israel viveu no Egito, foi liberto e entrou na Terra prometida. Davi, não obstante Saul, inicia o período dos reis de Israel, até que o povo é levado cativo para a Babilônia. Existe um período em que Israel foi feito escravo nessa terra e viveu 70 anos sob outra cultura e costumes. E é exatamente nesse período que Josias gera Jeconias.

A informação contida no verso 11 tem tudo a ver com a nossa situação social hoje. Através dela, aprendemos que as coisas caminhavam bem, dentro de uma normalidade, na qual famílias vinham sendo formadas normalmente e as gerações estavam sendo sucedidas sem problemas. Porém, o período da escravidão, do exílio, pressupunha que não havia muitas dificuldades, inclusive para ter filhos. Afinal, estavam vivendo como escravos, submetidos a trabalhos forçados. Como pensar, então, em gerar filhos numa situação como aquela? Esse é o único versículo, nesta sequência, que sinaliza em que condições houve procriação.

Naquela altura, talvez muitos tenham pensado que as gerações anteriores tivessem tido mais facilidade para procriar, pois é muito fácil para um rei gerar filhos. Afinal, vive em palácio, tem riquezas e servos. Um patriarca gerar filhos talvez fosse mais fácil ainda porque possuía animais, plantações, rendimentos. Em meio àquela situação adversa, alguém poderia estar pensando: “Agora, nós somos escravos, estamos na Babilônia; como iremos continuar a história?”. Talvez as mulheres pensassem: “Como nós, escravas, vamos passar nove meses gerando uma criança debaixo de trabalho forçado? Como iremos parar o trabalho para amamentar? E como viverão nossos filhos?. Fatalmente, a criança seria uma escrava também. Para muitos, talvez isso fosse uma injustiça para a criança. Antes disso, gerar filhos era sinônimo de bênção, e um casal sem filhos representava certa desaprovação da parte de Deus. Porém, como alguém poderia ter a tranquilidade para pensar em gerar um ser, estando sob escravidão?

O versículo 11 de Mateus 1 está na Bíblia para nos ensinar que, mesmo no período do exílio, mesmo no período da Babilônia, ou seja, mesmo no período mais difícil da nossa história, é possível continuar gerando vida, trazendo bênção para a nossa casa, para a nossa terra.

No período da Babilônia, enquanto todo mundo poderia pensar que ninguém mais seria gerado, a Palavra nos mostra que Josias gerou mais do que um filho. Isso nos ensina que nos períodos difíceis a bênção de Deus se potencializa na nossa vida.

Você, que está preocupado porque o Brasil está em crise, passando por algo nunca visto antes, tem razão, pois não há como fugir desta verdade. A nação brasileira está realmente em crise. Porém, as Escrituras nos ensinam, com a história de Josias, que,  mesmo no período da Babilônia, no período da escravidão, é possível continuar vivendo a bênção de Deus. Josias não anulou o projeto das sucessões genealógicas. Ele e todo o povo que estava cativo não cruzaram os braços e se entregaram por causa da escravidão, por causa da situação adversa. Então, quero dizer para você que o país pode estar em crise, mas o Céu não está.

O Céu não está em crise. O país e a economia podem estar, mas o Céu não.

Deus não depende do estado da economia do nosso país ou do preço do dólar para nos abençoar. Para Deus abrir uma porta para nós, independente se o Brasil está bem financeiramente ou não. Deus não vive crise. Pode ter chegado o dia do exílio nacional, mas o nosso Deus continua fiel, e precisamos continuar gerando vida no período de exílio.

O versículo 12 ainda é ainda mais lindo, pois nos ensina que, do mesmo jeito que a crise chega, ela vai, ela acaba. Depois do exílio, depois da crise, a vida volta ao normal, como sempre foi. O exílio não é para sempre, ou seja, a crise não é para sempre, e Deus e Sua Igreja permanecem inabaláveis. Josias gerou vida no período da Babilônia, os 70 anos de exílio acabaram, e Israel continuou sendo bênção, cumprindo seu projeto até a chegada do Messias.

O país pode estar em crise, mas o Céu, repito, não está. Ele continua soberano. Independente de como esteja a economia do nosso país, quando chega o tempo de Deus, Ele abençoa.

Por, Sérgio Assumpção.

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