O cristão e o uso do dinheiro

O cristão e o uso do dinheiroVivemos atualmente uma flexuosidade, uma tortuosidade, devastadora na questão do dinheiro e que tem invadido o meio evangélico. A tônica recai sobre a importância de dar para ser abençoado, o que deveria ser ao contrário: dar por já ser abençoado. Essa atitude caricata de doar para receber gera uma incongruência com os textos bíblicos que versam sobre o assunto em apreço, Paulo disse que ninguém deve ser constrangido a dar uma oferta por necessidade ou tristeza (2 Coríntios 9.7), ou por ser rico ou pobre, mas, antes, diz ele que o ato de ofertar deve ser de prontidão de vontade e de acordo com o que a pessoa tem (2 Coríntios 8.12).

O ato de ofertar deve ser voluntário, uma atitude própria da pessoa, um gozo da alma e não uma decisão de outro. Na verdade, tudo isso tem acontecido por muitos desconhecerem o princípio bíblico, esquecendo que somos apenas mordomos e que Deus é o dono de todas as coisas, tanto das riquezas naturais quanto minerais (Ageu 2.8; Êxodo 9.29). Se esquecermos que moramos na Terra e não pagamos aluguel, gozamos de todas as riquezas naturais e não pagamos por elas, respiramos e nunca recebemos um boleto de cobrança pelo oxigênio – como disse Strong, só pelo fato de você existir –, já é razão suficiente para você ser grato a Deus. Tudo o que usamos vem da permissão de Deus (Levíticos 25.23; Salmos 24.1). O princípio exposto nisso tudo é que Deus é o dono e nós somos apenas mordomos.

Seguindo um princípio bíblico

O princípio exarado na Palavra de Deus acerca do dinheiro segue as seguintes ordens:

1) O pensamento de Jesus sobre as riquezas. Jesus foi o homem que mais falou sobre dinheiro na Bíblia, isso está provado pelas referências que aparecem nos Evangelhos; mas Ele sempre procurou evidenciar duas coisas: primeiro, o homem é apenas um mordomo; segundo, a confiança na riqueza impede o homem de receber o Reino de Deus. Vejamos então o pensamento de Jesus sobre a riqueza:

a) Não devemos acumular riquezas para nós aqui neste mundo (Mateus 6.19, 21; Lucas 12.16-21; Marcos 8.36); b) Não podemos servir a Deus e as riquezas (Mateus 6.24); c) Devemos investir recursos para ajudar os pobres (Mateus 6.20; Lucas 12.33; 16.9); d) Dificilmente os ricos (quando confiam nas riquezas) entrarão no Reino de Deus (Lucas 18.18-25). Essas referências supracitadas falam que as riquezas que se encontram em nosso poder devem ser usadas conforme a vontade de Deus, pois somos apenas mordomos delas (Mateus 25.14-30; Lucas 16.1-8; 19.11-26).

O crente e as riquezas em seu poder

O verdadeiro servo de Deus, mesmo possuindo grandes riquezas, sabe a quem tudo pertence. Podemos ver na declaração do monarca Davi. Ele entendia que tudo o que se encontrava no seu poder era de Deus (1 Crônicas 29.12, 16, 17). Os discípulos que caminharam com Jesus aprenderam a servi-lO verdadeiramente e entenderam também que nada lhes pertencia, por isso contribuíram com amor para o Reino de Deus. As ofertas doadas ao Reino de Deus não eram para o bem dos apóstolos, mas especialmente para os pobres (Atos 2.45; 4.34). As palavras óbvias de Paulo deixam tudo às claras: somos apenas usuários das coisas de Deus; nós não possuímos de verdade nada neste mundo; sendo assim, nada levaremos dele (1 Timóteo 6.7).

No relacionamento com o dinheiro, o cristão deve ter duas atitudes: a primeira é evitar a ganância. Paulo a considerou como um tipo de pecado idólatra (Colossenses 3.5; Efésios 5.3-5). A segunda coisa a ser evitada no nosso relacionamento com o dinheiro é a preocupação demasiada pelas coisas materiais; isso tem provocado no homem diversas doenças, mortes, frieza espiritual ou espiritualidade falsária. Não adiantam as preocupações neuróticas, pois não iremos acrescentar ou antecipar nada ao dia de amanhã. Paulo foi categórico em expor que o cristão deve tão somente confiar no Senhor. Em nossas orações, devemos apresentar a Deus as nossas necessidades, pois Deus, segundo a Sua riqueza, cuidará de nós (Filipenses 4.6, 19; 1 Pedro 5.7).

Paulo fala das qualidades boas que devem fazer parte da vida do homem de Deus. Do seu coração deve vir o desejo de sempre servir ao Senhor, ter uma vida sincera e santa para com Deus. Isso é mais importante do que qualquer riqueza (1 Timóteo 6.6). Segundo alguns historiadores, Timóteo, com a sua família, perdeu tudo, e Paulo diz a esse jovem obreiro que ele deve se contentar com a comida e com a roupa (1 Timóteo 6.8). Isso não era bem animador para esse jovem pastor, mas o que era mais importante na vida de Timóteo era o seu viver em Deus, sabendo que tudo o que ele tinha vinha de Deus e que o Senhor poderia sustentá-lo. Timóteo não deveria fazer do seu ministério uma fonte de renda, uma bolsa de valores; jamais ele deveria usar o seu ministério para conseguir bens financeiros.

A razão de Paulo exortar esse jovem a não ter tal sentimento era para que ele não caísse em pecado. Veja que Paulo diz que “o amor do dinheiro é a raiz de todos os males”. Entenda que não é somente a questão da possessão, é o desejo egoístico de sempre querer mais. Devemos notar que quando Paulo diz que o amor do dinheiro é a raiz de todos os males, a ideia no texto original é: “O amor ao dinheiro é uma raiz do mal”. Quando a pessoa está dominada por esse sentimento, o Reino de Deus não é sua prioridade, pois tal pessoa visa apenas o lado financeiro. O amor ao dinheiro leva o cristão a desviar-se da fé, pois todos os seus princípios cristãos e seu caráter ficam comprometidos; além disso, o cristão passa a ter desejo apenas pelas coisas materiais, o que rouba a sua felicidade, o seu gozo, o desejo de buscar a Deus com sinceridade de coração. Todo o seu coração está cheio de desejos pecaminosos, inclusive a avareza (Mateus 13.23).

Existem duas coisas fundamentais que devem estar entrelaçadas nesse relacionamento cristão-dinheiro. A primeira atitude correta que o crente deve ter é a do contentamento. Contentamento fala de estar satisfeito com aquilo que você tem. Quem nunca vive satisfeito com aquilo que tem não pode ser feliz. Estar contente significa também ser feliz com pouco ou com o muito que se tem. Esse comportamento não se define pelo desejo ter muitas riquezas e nem pela resignação à pobreza (Hebreus 13.5; Provérbios 30.8-9).

Deus sabe quem pode ter menos e quem pode ter mais. Ele faz o melhor por nós. Ele distribui seus bens de acordo com a capacidade de cada um. A um Ele dá mais, a outros Ele dá menos. Por essa razão, devemos nos contentar com o que Ele nos deu, e no momento certo Ele nos dará mais (1 Timóteo 6.6-8). Todo cristão deve colocar em sua mente que Deus prometeu suprir as nossas necessidades, o que não significa que Ele está disposto a dar tudo o que desejamos (Filipenses 4.19; Tiago 4.3). Se você tem recebido de Deus aquilo de que você tem tido necessidade, então glorifique o Seu nome!

Quando uma pessoa entende as riquezas como sendo suas, ele é dominado pelo desejo da ganância, acumula tudo somente para si, sem pensar nos outros; já o verdadeiro cristão, ao contrário, desenvolverá uma atitude de generosidade, isto é, uma virtude que o leva a contribuir com liberalidade. Esse é um dos atributos de Deus (1 Timóteo 6.17). Atitudes como esta o cristão faz motivado pelo amor divino (Atos 2.45; 4.34-37). Deus deseja que os Seus servos sejam generosos. Esse generosidade não deve ser provocada por um sentimento de ser rico, próspero ou vaidade, mas, sim, pelo desejo de demonstrar generosidade; isso mostra o quanto você O ama como também demonstra a sua comunhão para com Deus. Também é uma maneira de você agradecer a Ele por tudo o que Ele tem feito por você (Salmos 103.1-5; Êxodo 35.5; Deuteronômio 16.16-17).

Essa generosidade pode ser feita tanto pelo rico como pelo pobre, o que importa para Deus não é o valor, o tamanho da sua oferta, mas, sim, a sua atitude, a sua generosidade. Muitas pessoas pobres ofertaram com um sentimento não de receberem alguma coisa de Deus, mas ofertaram a Ele, por reconhecerem que Ele é Deus digno de toda honra e glória (João 12.3; Levítico 1.14; 5.7; 12.8; Lucas 2.24; 21.2-4; 2 Coríntios 8.1-3).

Por, Osiel Gomes da Silva.

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