O cristão e o Estado opressor

O cristão e o Estado opressorÉ inacreditável como o esquerdismo ganhou força no mundo nos últimos anos. É mais inacreditável ainda que a grande maioria da sociedade – a esmagadora maioria – não se dá conta do clima de hostilidade que varre o planeta. E não é uma questão de ser de direita ou ser de esquerda, mas de ver que não existe mais espaço para uma posição de equilíbrio ideológico no mundo.

Nota-se que o dramático cenário calha bem com o que a Palavra de Deus prenuncia para o governo do anticristo. Um regime opressor que será aceito pelo mundo inteiro como algo bom, maravilhoso, garantidor de paz e segurança.

Até mesmo entre os cristãos de hoje é quase uma perda de tempo apontar equívocos dos governos atuais, porque a força cínica dos discursos de esquerda vem calcando num falso espectro de melhoria social e de garantia de direitos. Vivemos a era dos direitos, notadamente das chamadas minorias, cujos ativistas, no fundo, no fundo, querem é o poder para hostilidade e opressão.

Alguns pontos centrais da mudança ideológica precisam ser destacados. O primeiro diz respeito principalmente à América Latina, onde há uma clara predominância do socialismo, rescaldo comunista que parecia ter sucumbido no período da guerra fria. Eles não morreram. Reorganizaram-se e estão por aí, mais fortes do que nunca.

Agora, depois de um longo avanço ideológico, deram mais um passo no processo de conquista da opinião das massas: estão conseguindo consolidar o pensamento radical de que os militares foram ditadores, enquanto os comunistas eram salvadores da pátria, inocentes vítimas da ditadura.

Evidente que os militares cometeram excessos. Foram duros durante a repressão. Mas ninguém se engane: Estavam servindo a um interesse nacional, que era impedir que o comunismo soviético se implantasse no Brasil, como ocorreu em Cuba, e veja-se no que se transformou a ilha caribenha.

Cometeram crimes – é muito provável – mas não estavam lidando com pacifistas, mas com homens e mulheres armados, estrategistas, prontos para tomar o poder e implantar sua própria ditadura, o leninismo. Por estas e outras razões é que se votou a anistia, agora desfeita pelo governo do PT, que conseguiu instalar a Comissão da Verdade – ou seria da Vingança?

Depois da política assistencialista e da ridicularização da oposição (que hoje não existe mais no país, também como consequência da falta de um compromisso com a ética), a esquerda brasileira busca se consolidar instalando um sentimento de aversão a toda e qualquer outra estrutura de poder, fazendo reinar um clima de revanche, capaz de, ainda que inconscientemente, manter as massas debaixo de sua denominação. Esse quadro reina na maioria dos países latino-americanos, dentro de um plano continental gestado de um organismo político que quase ninguém conhece, o Foro de São Paulo (encontro de representantes de partidos políticos e de organizações não governamentais de esquerda da América Latina e Caribe).

A par de todo esse engendramento político estão sendo fincadas bandeiras anticristãs, tais como a legalização do aborto, a descriminalização das drogas, a supremacia do homossexualismo, a aceitação da pedofilia, a doutrinação humanista das crianças nas creches e escolas, o enfraquecimento do pátrio poder, a desconstrução da família, o laicismo e a limitação da liberdade religiosa e de expressão, a institucionalização das religiões de matrizes africanas, dentre outras.

Na mesma esteira, do outro lado do planeta recrudesce o predomínio político-religioso do islamismo através da Primavera Árabe, consolida-se sua influência na Europa e sua franca aceitação na América. E tanto o primeiro como o segundo movimento aqui narrados se juntam em um propósito antissemita, encurralando Israel cada vez mais, numa clara preparação para o “acordo” previsto para o tempo do “anticristo.

E a Igreja?

Nos países de maior sofrimento, como a Coréia do Norte, a China e partes da África, cresce em meio à dor e à hostilidade. Em países antigos, como na Europa, e onde o dólar e o entretenimento se fizeram deuses, como nos Estados Unidos, há muito cedeu, ao secularismo, excetuadas as nobres resistências em meio à crise. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, que estão experimentando crescimento econômico, se ilude com a própria estrutura das denominações com a possibilidade de projeção pessoal da liderança e das figuras de destaque por seu viés artístico (o movimento gospel), se entregando, muitas vezes, às disputas de poder e ao pragmatismo.

Evidente que não se está generalizando, pois há em todas as partes do planeta uma Igreja militante e triunfante. Mas se está apontando lamentáveis tendências; crescentes, infelizmente.

No campo político, onde também é necessário oferecer resistência, como sal e luz, a participação, em grande parte das vezes, é fruto de lamentáveis equívocos. Para alguns líderes, parece ser uma oportunidade de exercer influência política. Para outros, auferir vantagens institucionais e pessoais.

Dentre os que se interessam pelo exercício de mandamentos, não são poucos os que se esquecem de que nossa luta é espiritual, onde quer que estejamos. Viver no palácio é possível, mas não vale a penas se as práticas forem as mesmas da classe política comum. Os manjares do rei são atrativos, mas somente sobrevivem ilesos na cova dos leões aqueles que tomam a firme decisão de passar à base de legumes e água.

Outro ponto lamentável é a falta, em alguns casos, de suficiente preparação para o exercício da representação. Uma visão muito superficial da problemática atual da humanidade à luz dos princípios bíblicos, o que leva a posições comprometedoras, como a prática de alianças que frustram a atuação espiritual. Ardis satânicos. Os fins não justificam os meios.

Mas… O que fazer? A recomendação bíblica é que cuidemos de nós mesmos e dos de nossa casa; que não deixemos a oração e o ministério da Palavra; que amemos uns aos outros.; que sejamos servos fiéis; que oremos por todos os que estão em eminência; que busquemos a sabedoria de Deus para nossa conduta diária; enfim, que sejamos “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandecemos como astros no mundo” (Filipenses 2.15).

Que o Senhor Deus nos livre do engano. Que sejamos libertos de todos os nossos interesses mesquinhos, que nos cegam e nos levam a escolhas erradas. Que entendamos de uma vez por todas que nossa luta não é contra carne e sangue; e que tomemos (de verdade) toda a armadura de Deus para que possamos resistir os dias que são maus.

Por, Silas Quiroz.

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