O crente e o risco do conformismo

O crente e o risco do conformismoUma das maiores tragédias da humanidade tem sido o rompimento da comunhão com Deus. Satanás, em todas as épocas, procura por todos os meios provocar essa ruptura. E, um dos meios mais utilizados por ele para atingir esse objetivo é o conformismo, que é a conformação com os costumes ou opiniões de outrem ou com qualquer situação. Esta atitude ou tendência tem sido uma ameaça constante ao povo de Deus em todas as eras.

Não há rompimento mais trágico do que a quebra da comunhão com Deus, uma vez que, ao ocorrer esse impedimento estaremos alienados das misericórdias do Senhor, e as Suas misericórdias “são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim” (Lamentações 3.22). E, quando nos conformamos com a era em que vivemos, consequentemente rompemos o relacionamento com o Senhor.

Na Antiga Aliança, vemos na mensagem do profeta Malaquias como o conformismo afastava o povo de Deus. Eles afirmavam não haver diferença entre aqueles que adoravam ao Senhor e os que não adoravam, uma vez que os maus ainda prosperavam e os fiéis sofriam (Malaquias 3.18). Mas o profeta os adverte dizendo-lhes que não deveriam se deixar enganar pelas aparências, pois viria o dia em que ficaria evidente para todos que há uma grande diferença entre os que servem a Deus, não se conformando com o mundo, e os que não servem.

Nos tempos da Igreja Primitiva, Paulo escreve a Epístola aos Romanos admoestando aos cristãos de todas as épocas para evitarem o conformismo (Romanos 12.2). Porque, quando o crente se amolda ao padrão deste mundo, não há transformação do entendimento, e não havendo transformação da mente não há como experimentar a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”; vontade esta que, conforme o próprio Paulo escreve em 1 Timóteo 2.4, é “que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”.

A respeito da vontade de Deus para com a humanidade é oportuno lembrar que a Bíblia revela dois aspectos no tocante à salvação: primeiro, a sua perfeita vontade, pela qual Ele deseja “que todos os homens se salvem”; e segundo, Sua vontade permissiva, pela qual Ele permite e tolera que muitos O rejeitem e à Sua salvação.

A palavra “mundo” (gr. kosmos) na Bíblia, via de regra faz referência ao sistema de vida dos seres humanos, que sabemos ser fomentado por Satanás e existe à parte de Deus. Constitui-se não somente da conduta evidentemente maligna, imoral e pecaminosa do homem que não teme a Deus, mas também se refere ao espírito de rebelião que nele age contra Deus, e de resistência ou indiferença ao Senhor e ao Evangelho. Isso é observado em todos os empreendimentos conduzidos por homens que não estão sob o senhorio de Cristo.

Atualmente, Satanás tem se utilizado das ideias mundanas de moralidade, das filosofias, psicologia, desejos, governos, cultura, educação, ciência, arte, medicina, música, sistemas econômicos, diversões, comunicação de massa, esporte, agricultura, etc., para conduzir o homem a opor-se a Deus, ao Seu povo, à Sua Palavra e aos Seus padrões de retidão.

Assim sendo, o cristão deve:

  • Reconhecer que o atual sistema mundano é mau (Gálatas 1.4), perverso (Atos 2.40) e está sob o controle de Satanás (João 12.31). E ninguém poderá se salvar se não abandonar a perversidade e a corrupção desta sociedade contemporânea.
  • Resistir aos padrões predominantes e populares de condutas deste mundo, anunciando as verdades eternas e os padrões justos da Palavra de Deus, por amor a Cristo que deu a Sua vida para resgate de todos quantos aceitarem o Seu convite.
  • Desprezar e aborrecer aquilo que é mau e amar aquilo que é justo. Não basta o crente amar a justiça, ele deve, também, aborrecer o mal. O cristão verdadeiro ama a justiça e aborrece a iniquidade, e se entristece quando prevalecem as ações perversas dos ímpios. O cristão verdadeiro não tem prazer nos passatempos sensuais, nem na prática da conduta pecaminosa, tão abertamente manifesta na sociedade atual. Jesus nos dá o maior exemplo na Sua devoção à justiça e na Sua aversão à iniquidade; na sua vida, no Seu ministério e na Sua morte.
  • Conformar sua mente à maneira de Deus pensar, uma vez que, a partir do momento que aceitamos a Jesus como nosso salvador, passamos a ter a mente de Cristo (1 Coríntios 2.16). E ter a mente de Cristo significa conhecer Sua vontade e Seu plano e propósito redentor. Significa avaliar e considerar as coisas, da mesma maneira que Deus as vê, atribuir-lhes a importância que Deus lhes atribui, amar o que Ele ama e detestar o que Ele detesta. Significa entender o que é a santidade de Deus e a malignidade do pecado. Isso faz com que os valores e a cosmovisão do crente se tornem radicalmente diferentes do modus vivendi e da sabedoria deste mundo (Filipenses 2.5-8).
  • Permitir que seus planos, alvos e aspirações sejam determinados pelas verdades celestiais e eternas e não por este presente século mau, profano e passageiro.

Consciente desta conduta, o crente não deve ceder aos vários tipos de mundanismo que rodeiam a igreja, tais como cobiça, egoísmo, oportunismo, conceitos humanistas, artifícios políticos visando ao poder, inveja, ódio, vingança, impureza, linguagem imunda, diversões ímpias, vestes imodestas e provocantes, imoralidade, drogas, bebidas alcoólicas e companhias mundanas.

É possível evitar a maioria dos costumes mundanos e continuar sendo orgulhoso, cobiçoso, egoísta, rebelde e arrogante. Somente quando o Espírito Santo renova, reeduca e redireciona nossa maneira de pensar é que somos realmente transformados e assim, poderemos experimentar a vontade de Deus para conosco, que não poderia ser qualificada de outra forma melhor, pois é “boa, perfeita e agradável”.

Na Bíblia, temos um exemplo marcante de alguém que não se conformou com a sua era: Josué. Ele desafiou os hebreus a decidirem se obedeceriam ao Senhor ou se conformariam aos costumes dos antigos habitantes de Canaã. Josué não titubeou, ele disse com convicção: “eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24.15). No processo da salvação que Deus tem nos concedido através de Jesus, é individual a opção de a quem servir continuamente. Como no caso de Josué e dos israelitas, permanecer em Deus não é um ato isolado no tempo e ocorrido uma única vez; precisamos constantemente reafirmar nossa decisão de permanecer na fé e em obediência à Palavra de Deus. A reafirmação de decisões justas, feitas pelo crente, inclui temor ao Senhor, lealdade à verdade, a obediência sincera e renúncia ao pecado e todos os prazeres a ele associados. Somente desta forma é que estaremos renovando nosso entendimento e compreendendo a vontade de Deus para conosco.

Portanto, a nossa recusa em se conformar com os valores deste mundo, evitando dessa forma a ruptura da nossa comunhão com Deus, deve ir muito além de comportamentos e costumes; deve estar fixada em nossa mente para que sejamos constantemente renovados e possamos ser alcançados pelas bênçãos que o Senhor tem para os féis. Vejamos o conselho do apóstolo Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes” (Tiago 1.22). Ademais, “de tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem” (Eclesiastes 12.13).

Por, Esli de Souza.

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