O chamado “ato profético” é bíblico?

O que é ato profético? Ele tem alguma validade para a Igreja?

O chamado “ato profético” é bíblicoO que são “atos proféticos”? Na definição mais recente dos adeptos dos movimentos neopentecostais, “um ato profético” é definido como “uma ação executada por um profeta ou enviado por Deus, investido com a devida autoridade, em um local, tempo e modo especificados pelo Espírito Santo, com o fim de trazer à terra a liberação do Seu poder sobre determinada circunstância em que o próprio Deus já tenha revelado Sua perfeita e soberana vontade”. Outra definição diz que “atos proféticos são ações realizadas por homens, profetas de Deus com determinado sentido profético, com intuito de profetizar com ações e símbolos. São sinais que apontam para o reino espiritual e que têm consequências no reino físico. São ações expressas em atitudes e palavras”.

A expressão “ato profético” é, de fato, uma nomenclatura nova, desconhecida da linguagem bíblica. Exploram fatos bíblicos com experiências físicas que envolvem símbolos, sinais e tipos, especialmente do Antigo Testamento, aos quais passam a dar um sentido doutrinário para realizar algumas atividades de cunho espiritual. Citam algumas histórias bíblicas nas quais identificam sinais que apontam para significados espirituais. Interpretam como atos proféticos o derramamento de sangue do cordeiro para significar um ato da redenção e citam Gênesis 3 e Hebreus 8.22. Também mencionam o tingir dos umbrais das portas das casas dos israelitas para expiar os filhos primogênitos da espada do anjo da morte (Êxodo 12.7). Assim como as varas que Jacó usou para separar seu rebanho dos rebanhos de seu sogro (Gênesis 30.39). Enfim, falam de bandeiras (Números 1.52 e Isaías 62.10); de trombetas de Shofar (Josué 6.4); de lenços e roupas para cura de enfermos (Atos 19.11, 12) como elementos materiais de representação profética. Utilizam ferramentas, azeite e outros objetos para servirem de demarcação espiritual contra miséria e sujeira, suicídio, violência, pedofilia e coisas que possam bloquear as ações de demônios no mundo que vivemos.

As atitudes, as relíquias e as substancias de óleos, perfumes e outras coisas têm assumido um espaço no meio evangélico maior que a Bíblia, que é utilizada de forma pobre para servir apenas de justificativa, sem conteúdo teológico, para a prática de heresias. Não há qualquer compromisso com a interpretação bíblica correta, porque as regras da Hermenêutica bíblica são relegadas a um segundo plano. As experiências pessoais, geralmente cheias de emoções, tornam-se mais importante que a Palavra de Deus.

Os atos proféticos não têm apoio da Bíblia do modo que interpretam os criadores dessa modalidade de manifestação espiritual. O autêntico Movimento Pentecostal rejeita qualquer experiência que fira os princípios elementares da fé cristã. Nenhuma manifestação espiritual pode ser superior à aquela produzida pelo Espírito Santo.

Os defensores dessa modalidade utilizam experiências do Antigo Testamento como forma de símbolos para combater em batalhas espirituais, ou para se obter vitórias espetaculares sobre o mundo espiritual. Por exemplo: levantar as mãos para cima como fez Moisés para obter vitória sobre o inimigo (Êxodo 17.8-16); tomar um manto e golpear a água para abrir caminho (2 Reis 2.8, 13-14); quebrar cântaros e tocar trombetas (Juízes 7.16-25); espalhar sal grosso em pontos estratégicos para proteger uma casa, ou uma vida, ou para firmar pactos (Levíticos 2.13; 2 Reis 2.21, 22); danças proféticas (êxodo 16.20, 21) e tantas coisas que nada têm com a vida cristã. Não precisamos de amuletos, nem sal grosso, nem fitinhas de proteção, nem quebra de vasos, nem derramar azeite sobre as cabeças para obter vitórias da parte de Deus.

Por exemplo, a ideia equivocada sobre o “ato profético de transferência de geração” baseada em um texto profético para Israel em Joel 1.3, quando são citados cinco gerações para as quais as promessas e maldições são extensivas. O texto se refere apenas ao povo de Israel e é sobre pragas que viriam como punição divina contra o pecado do povo. A profecia só diz respeito a Israel para um tempo determinado. Nada tem a ver com a era neotestamentária. Vivemos hoje sob a égide do Espírito Santo e não precisamos de símbolos e amuletos para nos livrar de pragas. A ideia de transferência está na essência da falsa doutrina de “maldição hereditária”. Não pagamos pelos pecados de nossos antepassados. Toda maldição foi cancelada na cruz de Cristo. Outra ideia do “ato profético de transferência” diz respeito a receber oração de líderes antigos na igreja, os quais transferem autoridade espiritual para o exercício das atividades espirituais. Ninguém transfere unção a ninguém. A minha unção refere-se à delegação de poder e autoridade do Espírito Santo, segundo a medida da fé que Ele mede, para conhecer a minha capacidade de realizar a obra que tenho que fazer ou não. A unção que recebo nunca será maior ou menor que a minha capacidade medida pelo Espírito para realizar (1 Coríntios 12.7, 11; Romanos 12.3).

No Antigo Testamento, os atos proféticos não são designados como “atos dogmáticos”, mas sim como a voz de Deus orientando o povo ou pessoas com exortações de acordo com a vontade soberana dEle. O apóstolo Pedro previu o surgimento de heresias (2 Pedro 2.1-3) e Jesus havia alertado acerca dos falsos profetas (Mateus 7.15-20). Rejeitemos mais esta heresia e alertemos o povo de Deus para que evite acrescentar ideias à Palavra do Senhor que não estejam contidas nela. Evitem a subversão espiritual que acontece com crentes imaturos e que desconhecem a Bíblia Sagrada. Cuidado com as pseudo-revelações, que não têm respaldo bíblico. E, finalmente, cuidado com a distorção da verdade.

Por, Elienai Cabral.

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