O caso de Neustã apoia a idolatria?

“Em Números 21, uma serpente de bronze foi construída sob a orientação divina e quem olhasse para ela seria curado. Esse texto não favorece a veneração a ídolos?”

O caso de Neustã apoia a idolatriaAlém de Deus ter proibido a adoração às imagens (Êxodo 20.4), o episódio da serpente de bronze está longe de servir de sustentação para os que tentam justificar o uso de ídolos no culto a Deus, por pelo menos três razões.

Em primeiro lugar, porque a serpente de bronze não era um objeto para culto. Ela só foi ganhar um significado idolátrico tempos depois de Moisés. Além disso, quando ela apareceu como objeto de idolatria, foi destruída. O rei Ezequias a despedaçou e chamou-lhe Neustã, que significa “pedaço de bronze”.

“Ele [Ezequiel] fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai. Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neustã (2 Reis 18.3, 4 – Almeida Atualizada). Ou seja, ao chamar-lhe de “pedaço de bronze” diante do povo por ocasião de sua destruição, o rei estava querendo dizer que aquela serpente não era nada mais do que um simples objeto que não deveria nunca ganhar contornos de veneração.

Em segundo lugar, o poder vivificante que fluía da serpente de metal foi temporal, servindo só para aquele momento e para prefigurar a morte sacrificial de Cristo, que foi levantado na cruz para dar vida a todos aqueles que para Ele olharem com fé. Nada se fala posteriormente sobre a serpente de bronze ter mantido a sua condição de meio para o poder curador.

Em terceiro lugar, sua confecção tinha dois propósitos – um primário, que ficou claro já na época, e outro que só foi clarificado posteriormente por Cristo. O objetivo primário da serpente de bronze era ensinar aos israelitas a submissão. Lembre-se que os israelitas haviam saído do Egito, porém se mostravam rebeldes a Deus e a Moisés. A Bíblia registra que, quando estava a rodear Edom, o povo de Israel começou a se impacientar, falando contra Jeová e Seu servo. Por isso, Deus permitiu que serpentes tocassem os israelitas, o que levou muitos à morte. Como os rebeldes logo depois reconheceram seu pecado e voltaram-se para o Senhor, Ele resolveu livrá-los do mal. Foi aí que Deus orientou Moisés a fazer uma reprodução de metal das serpentes e colocá-la sobre uma haste. À medida que as pessoas eram picadas, olhavam para a serpente sobre a haste e eram imediatamente saradas (Números 21.4-9). Israel precisava aprender a obediência a Deus.

O segundo objetivo foi trazido ao lume séculos depois por Jesus: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja  levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.14-15).

Tratava-se, portanto, de uma manifestação da misericórdia divina no Antigo Testamento que apontava para a obra salvadora de Cristo. Aquela serpente de bronze tipifica Cristo, que se fez homem (bronze na tipologia bíblica representa a humanidade) e foi feito pecado por nós (o pecado é representado pela serpente) para nos salvar. Jesus fez-se pecado para que pudéssemos hoje ser livres. Aquela serpente de bronze nos diz que quem deseja ser liberto do pecado e receber a salvação deve voltar-se de coração, na obediência da fé, à Palavra de Deus em Cristo.

Por, Silas Daniel.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »