O caráter divino revelado aos homens

O caráter divino revelado aos homensA Bíblia Sagrada revela em suas páginas que a desobediência do primeiro casal acarretou para seus descendentes um legado nada promissor: desvios de caráter que resultaram em decisões precipitadas ou injustas; equívocos que desencadearam conflitos que ceifaram vidas que se sequer entendiam o que estava realmente acontecendo. Esse panorama desalentador foi produto da falta de um caráter ilibado (Eclesiastes 7.29). O rei Salomão registrou a beleza da criação, mas ele também percebeu que a mesma deixou-se contaminar. O ser humano procurou seus próprios caminhos, por esse motivo aconteceram diversas mudanças, incluindo o seu caráter.

Podemos observar que em Êxodo 33.1-9 que o conteúdo é enriquecedor, a narrativa exibe o momento em que o Senhor entrega as tábuas da lei a Moisés. Logo no primeiro versículo, Deus ordena a Moisés que providencie duas tábuas porque nelas seriam escritas as leis que os israelitas deveriam obedecer. As duas tábuas continham os mandamentos divinos, que o profeta quebrou, movido pela indignação de ter visto o bezerro de ouro sendo cultuado por seus conterrâneos. Se os leitores avançarem em sua leitura, serão conduzidos ao diálogo entre Moisés e o Senhor. Nos versículos seguintes Moisés obedece a ordem divina e prepara o material a ser utilizado (v. 2), é notável a sua obediência (v. 3) e as tábuas são alvo de total atenção (v. 4). Moisés sobe o Monte Sinai. Neste momento, devemos focar no caráter de Deus.

Após quebrar as tábuas da lei, Moisés trava um ousado diálogo com Deus. A conversa gira em torno da defesa do povo hebreu por seu líder (Êxodo 33.13). “Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos; e atenta que esta nação é o teu povo”. Já no versículo 15 o profeta solicita a presença de Deus: “Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui”. Em outra ocasião, o próprio Moisés solicita a glória de Deus, mas temo pedido negado: “Não poderás ver aminha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êxodo 33.20). Eu desejo apontar algumas narrativas ao longo de nossa observação, observemos o conteúdo em 34.5: “E o Senhor desceu numa nuvem e se pôs ali junto a ele; e ele apregoou o nome do Senhor”. Agora, vamos analisar esta expressão em algumas versões:

1) Na versão NVI temos: “permaneceu ali com ele e proclamou o seu nome: o Senhor, e passou diante de Moisés proclamando”.

2) Na versão Linguagem Contemporânea temos: “posicionou-se ao lado dele e pronunciou o nome, o Eterno, então passou à frente de Moisés e proclamou…”

3) Na versão Bíblia Viva, lê-se: “Se pôs perto de Moisés, depois passou em frente dele e declarou o sentido completo do seu nome”.

Nos versículos seguintes (6, 7) lemos a ênfase do caráter divino e seus atributos que ao detectarmos e compreendê-los, temos uma noção mais nítida da grandeza de Deus, de sua glória, e que a perfeita comunhão como Eterno é o que nos diferencia dos demais seres criados (Êxodo 33.16). Moisés irrompeu como seguinte argumento: “Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso, não é por andares tu conosco, e separados seremos, eu e o teu povo, de todo o povo que há sobre a face da terra?” (Êxodo 33.16). Novamente o líder hebreu cita a mensagem divina ao seu povo: “Guardai-os pois e cumpri-os, porque isso será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida” (Deuteronômio 4.6).

Mas nós vemos no diálogo anterior (Êxodo 33.18, 19), especificamente no versículo de número 19: “Apregoarei o nome do Senhor diante de ti”. Dessa forma, é evidente que as expressões que agora encontramos neste capítulo não foram ditas por Moisés, aterrorizado pela glória de Deus, mas provenientes do próprio Deus, que manifestou o seu caráter e atributos. Os nomes estão vinculados aos seus atributos.

Ao observarmos seus atributos, o Eterno, Deus piedoso, significa:

1) Terno ou compassivo; 2) Gentil e gracioso; 3) Longânime; 4) Grande em misericórdia; 5) Que guarda misericórdia; 6) Que perdoa a iniquidade; 7) Que perdoa a transgressão – conhecida pelo pecador; 8) Que perdoa o pecado – purificação dos pecados; 9) Deus não inocenta o culpado – O Senhor como o “ofendido” procura o “ofensor” e apresenta roupas para que o primeiro casal substitua o “avental” de folhas que ambos improvisaram para cobrir a nudez recém descoberta (Gênesis 3.7). Mesmo assim, o casal foi expulso do paraíso. Os homens não conseguem identificar misericórdia no registro bíblico, mas se o leitor observar com mais cuidado, vai perceber que somente Deus poderia tomar aquela providência: responsabilizou o casal, mas ambos saíram “vestidos”, resultado do grande amor divino, fruto de seu caráter. Mas o Deus de amor exerce juízo contra os pecados dos homens, justamente devido a sua santidade, uma das marcas de seu caráter impoluto.

Por, Otávio Sobrinho.

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