O bom nome na vida do cristão

O bom nome na vida do cristãoTodo ser humano é detentor de um nome. Em várias sociedades e culturas mundiais encontram-se as mais variadas formas de se dar nome às pessoas. Essa prática é bem extensa, indo desde tradições até invenções, saindo do que é aparentemente normal até ao que se pode chamar de ridículo. Gostando ou não ele ou ela carregará essa designação social desde o nascimento até à morte, a não ser que faça a troca do nome em um órgão competente. No ordenamento jurídico brasileiro existiu, durante algum tempo, a imutabilidade do nome, porém, lei mais recente garante aos brasileiros a possibilidades de alteração do nome civil, desde que atendidas algumas exigências prevista em diploma legal.

Nos tempos bíblicos o nome que se atribuía a uma pessoa estava relacionado a algumas circunstâncias usuais do cotidiano tais como: Um fato relativo ao nascimento (Gênesis 35.18); em alguns casos expressava uma promessa ou uma profecia recebida de Deus (Oséias 1.6; Mateus 1.21-26). Nos dias do Novo Testamento existiam situações em que os judeus possuíam dois nomes: um judeu e outro romano como era o caso de Paulo (Atos 13.9). Havia também os casos em que alguns nomes possuíam significado em Deus; Por exemplo: Jesus significa “Jeová é Salvador”; Elias “Jeová é Deus” e Jeremias “Jeová é elevado”.

Ao analisarmos esse importante assunto, surge uma indagação interessante que nos faz refletir: Qual a importância do nome na vida do crente? Fazendo considerações e depois uma aplicação do tema em tela, poderemos alcançar algumas lições importantes para o nosso crescimento cristão.

A evolução do nome ao longo dos tempos

Há alguns anos atrás fui procurado por um piauiense que residia na França e que era um pesquisador. O motivo de sua abordagem era uma pesquisa que estava fazendo sobre a evolução do nome na sociedade brasileira. Ele estava colhendo dados para um trabalho sociológico. Como estava em visita de familiares no Piauí, resolveu procurar uma igreja evangélica para saber sobre essa evolução dentro de nossa denominação, a Assembleia de Deus. Durante alguns dias me debrucei sobre documentos da Igreja, principalmente livros de atas antigos e pude constatar uma substancial mudança nos nomes dos membros das décadas de 60 e 70, para as décadas de 80 e 90, e ainda com a chegada dos anos 2000. Pude constatar que aconteceram interessantes mudanças na forma de colocação de nomes nos últimos 50 anos.

Analisando a galeria de sugestões que existe, podemos encontrar algumas ideias inusitadas. A tradição religiosa é um desses exemplos. No Brasil, é comum encontrarmos registros de nomes de pessoas que ao longo dos tempos, representam a força de uma tradição religiosa, principalmente no Catolicismo Romano; aqui são usados os nomes dos santos do credo romano; Sebastião, Benedito, Maria, etc.. A minha avó me contava, quando ainda criança, que em tempos mais remotos era comum se encontrar pelos rincões brasileiros, as famílias de posse de uma cartilha, onde se encontravam listados os nomes e as datas para cada dia do ano. Assim, ao nascer a criança levava o nome que estava anotado na dita cartilha.

Na Bíblia Sagrada, algumas pessoas eram identificadas pelo nome do pai; como exemplo, citamos alguns personagens do Antigo Testamento: o profeta Jonas – filho de Amitai (Jonas 1.1); assim também o profeta Isaías – filho de Amoz (Isaías 1.1); no Novo Testamento vamos encontrar: Simão – filho de Jonas (João 21.15). As Escrituras também fazem menção daqueles que eram identificados de acordo com a região de origem, vejamos: Maria Madalena: possuía essa designação em seu nome por causa da região de onde ela vinha – Magdala, daí Maria de Magdala ou Magdalena; havia também o infiel tesoureiro do ministério de Jesus, Judas Iscariotes. Era procedente de uma região chamada Queriote Hezrom; então, assim era designado: homem de Queriote (João 6.71; 13.26).

O nome nos dias atuais

Li recentemente na internet uma matéria, sobre uma pesquisa publicada no site da Revista Exame – Exame.com, cujo título era: “Os 100 nomes mais comuns no Brasil em 2015”. Aquela informação retratava que em 2015, os nomes Alice e Miguel foram os mais usados pelos brasileiros para registrar seus filhos. De acordo como site, pela primeira vez Alice liderou o citado ranking dos nomes mais populares no país. Enquanto isso, Miguel é desde o ano de 2011 o mais escolhido para os novos brasileiros que chegam a este solo pátrio. Ainda de acordo com Exame.com, as informações ali prestadas são de uma pesquisa que é realizada anualmente pelo site “Baby Center Brasil”. Na edição atual da pesquisa foram analisados os dados de 93 mil bebês nascidos no ano de 2015.

Do ponto de vista legal, o nome é um termo que identifica a pessoa natural em sua vida em sociedade. Ele é adquirido mediante o devido registro em órgão competente. Dessa forma, o Código Civil Brasileiro de 2002, alçado ao cenário jurídico nacional pela Lei 10.406/02, assim preceitua em seu artigo 16, caput: “Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome”. Por exemplo, tomando como base o nome completo do famoso político brasileiro Getúlio Dornelles Vargas. Assim, temos que o prenome é: Getúlio (um prenome simples) e o sobrenome composto: Dornelles (da mãe) e Vargas (do pai).

No Brasil, nas décadas dos séculos, passado e presente, tivemos uma revolução na colocação dos nomes de pessoas. É comum se atribuir um nome a um bebê por admiração de alguém famoso: cantores, jogadores de futebol, atores ou personagens históricos. Exemplos: Michael Jackson (cantor norte-americano), James Dean (ator norte-americano da década de 1950), Neymar (jogador da seleção brasileira), Karl Marx (filósofo e sociólogo alemão) e Diana (princesa de Gales). Pode-se acrescentar uma paixão pelos nomes estrangeiros: Robert, Ingrid, Paul, David, François. Nas últimas décadas tem-se notado um retorno aos nomes em português e de forma composta: Antônio João, João Pedro, Maria Luiza, Maria Teresa. Em décadas passadas os crentes das Assembleias de Deus pelo Brasil afora, cultivavam o bom hábito de homenagear insignes pregadores com os nomes de seus filhos: Geziel (de Geziel Gomes), Elienai (de Elienai Cabral), dentre outros. Essa prática cessou de certos anos para cá! Porque será?

O nome na vida do crente

Associado ao nome que o cristão carrega como consequência de sua vida civil, está relacionado o nome de crente em Jesus Cristo. Dessa forma, precisamos zelar por manter uma conduta digna desse nome, tanto socialmente, como espiritualmente. Assim textualiza a Palavra de Deus: “Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas” (Provérbios 22.1). Pesquisando na Bíblia Sagrada, encontramos algumas situações em que Deus mudou o nome de alguns personagens: Abrão para Abraão (Gênesis 17.5); Jacó para Israel (Gênesis 32.22-28); Sarai para Sara (Gênesis 17.15). No caso do crente o nome foi mudado de perdido, outrora, para salvo depois de aceitar a Jesus Cristo (Efésios 2.1-10). Falando de conduta percebemos a premente necessidade e a grande importância, de se ter um bom nome no aspecto social, para que no aspecto espiritual, o nome de crente não seja vilipendiado.

Observando o texto de 2 Samuel 18.26,27, encontramos a narrativa dos momentos finais da guerra civil, envolvendo as forças militares do rei Davi e o exército sedicioso do rebelde Absalão. Depois da violenta refrega no bosque de Efraim, as forças de Absalão foram destroçadas pelas tropas leais a Davi. O filho do rei foi abatido pelo general Joabe. Dois homens receberam a permissão para levar a notícia ao rei. Era algo comum naqueles dias enviar um portador de novas após uma batalha. Correram naquele dia Aimaás e um homem cuxita.

Transpondo o desenrolar da narrativa para um contexto espiritual, teríamos algumas considerações a fazer: a) Como cidadãos e crentes em Jesus, somos observados: “Vejo o correr do primeiro” (v. 27); ou seja, o modo de andar, aponta para o procedimento; b) O modo de andar e o nome associado: “parece ser o correr de Aimaás” (v. 27); é praticamente impossível dissociar o modo de proceder do nome de alguém; c) A identificação do nome da família: “filho de Zadoque” (v. 27); Zadoque era o sacerdote; como filhos do Sumo Sacerdote eterno devemos dar bom testemunho diante dos homens; d) O nome e o caráter associados: “este é homem de bem” (v. 27); será que a sociedade pode dar este bom testemunho a nosso respeito? e) As palavras do crente: “virá com boas novas” (v.27). O crente deve ser sempre um portador de boas novas.

O servo bom e fiel, de conformidade com o que preceitua a Escritura recebe o louvor de seu Senhor (Mateus 25.20-23). Ele tem seu nome conhecido em várias dimensões: a) Nos céus por Deus: “E disse o Senhor: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, e que ainda retém a sua sinceridade” (Jó 2.3); b) Na terra pelos homens: “Este é homem de bem” (2 Samuel 18.27); c) Conhecido pelo inimigo: ”Conheço a Jesus e bem sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” (Atos 19.15); d) Na eternidade: “Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão que o recebe” (Apocalipse 2.17). Todo servo de Deus precisa estar inteirado da importância de zelar pelo seu nome próprio, bem como pelo nome de crente em Jesus Cristo nosso Senhor.

Por, Raimundo Leal Neto.

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