O anticristo e suas traquitanas tecnológicas

O anticristo e suas traquitanas tecnológicasIncrédulo, alguém olha para a pequena tela quadrada, de cantos arredondados, vidro espesso. As imagens não são tão nítidas, mesmo assim é impressionante. A falta das cores não é um problema, porque as fotografias são assim também, em preto e branco. Aquele tubo de vidro acomodado em uma caixa de madeira é realmente notável e tem o poder de magnetizar, atrair, hipnotizar. Não demorou muito para que alguém concluísse sobre aquilo: “Essa tecnologia é do Anticristo!”. Algumas décadas após, a tal caixa já estava muito diferente de sua primeira versão. A madeira deu lugar ao plástico e as imagens tornaram-se mais precisas e, milagre, coloridas. O aparelho podia, inclusive, ser controlado à distância. “Coisa do Anticristo, sem dúvida!”, ainda diriam. Não demoraria muito tempo ainda para que o tubo de vidro grosso e margens pretas fosse reduzido à espessura de algumas folhas de papel e as imagens viessem a ser mais detalhadas que a capacidade humana de visão. “A imagem da Besta!”, afirmariam.

Quase um século antes da primeira televisão, outra tecnologia causou assombro. Em 1876, durante uma exposição ocorrida na Filadélfia, D. Pedro II usou um aparelho de comunicação remota para conversar com alguém distante dele. “Esta coisa fala!”, teria dito o culto monarca brasileiro. Cento e quarenta anos depois, a tal coisa fala, fotografa, filma, armazena, controla, monopoliza. Fosse hoje, o Imperador do Brasil exclamaria: “Esta coisa está viva!”. Os alarmistas acrescentariam: “E é do demônio!”

Entre a televisão e o celular, outra tecnologia ainda seria criada. Poderoso em suas múltiplas aplicações, o computador alimenta desde sempre as mais diversas especulações sobre sua utilidade escatológica. O primeiro era enorme, do tamanho do medo apocalíptico que despertaria. Os modernos, são diminutos como a dúvida de que servirão aos propósitos da tríade demoníaca que João viu em Patmos. Para fazer das especulações tecnológicas profecias escatológicas, o impensável aconteceu vinte anos atrás: a internet. Agora, os televisores, os celulares, os computadores e o que mais existir estão irremediavelmente conectados pelos mágicos www – é a internet das coisas.

O aparato de tecnologia e comunicação aperfeiçoado ou surgido nos últimos 70 anos fez gerações de cristãos indagarem sobre a tecnologia derradeira, aquela que é o símbolo máximo da presença do Anticristo no mundo, o chip. Vai acontecer? Já existe? Vai ser obrigatório? Será antes da volta de Cristo?

A relação entre o avanço tecnológico e a escatologia é inegável e não deveria ser razão de espanto para ninguém. Quando a Igreja for sacada da terra, Satanás vai utilizar-se de todos os recursos disponíveis, seja na educação, nos governos, na medicina ou na tecnologia. E, claro, tudo aquilo que por ele será usado já estará pronto e funcionando quando o espírito do Anticristo se assenhorear do mundo. A ideia de que o Diabo vai elaborar suas táticas de controle somente após o arrebatamento é ilusória. Na verdade, o próprio avanço da tecnologia, o multiplicar da ciência profetizado em Daniel 12.4, faz parte de uma longa lista de sinais para o fim. Portanto, fosse agora o momento do encontro da Noiva com o Cordeiro, a tecnologia empregada durante a Grande Tribulação seria esta que temos usado nos últimos anos, inclusive em nossas igrejas!

Mas e quanto ao chip? É correto considerá-lo a marca da Besta nas mãos dos apoiadores do Anticristo? Não há dúvidas de que esta é a tecnologia que mais se aproxima da descrição profética joanina. Mas a discussão sobre a forma da marca é menos importante que o seu sentido e o seu propósito. Na primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses 5.3 lemos: “Pois que, quando disserem: há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição”. Este versículo descreve um instante muito característico na história da humanidade, quando os homens abrirão mão de um dos valores mais caros às sociedades desde Adão: a liberdade. O controle exercido pelo Anticristo sobre o mundo pode ser através de um chip, um código de barras ou simplesmente pela vigilância de um vizinho sobre o outro. Mas o que realmente importa é que a humanidade vai aceitar este controle passivamente em troca da sensação de paz e de segurança. Para sentirem o mundo voltando ao normal após o caos provocado pelo arrebatamento, sem pensar as famílias, os bairros, as cidades, as nações, vão preferir ser controlados pelo Anticristo, abdicando a liberdade.

O que mais dificulta a interpretação escatológica é a insistência em buscar um entendimento factual do livro do Apocalipse, de Daniel e outros textos sobre o final dos tempos, quando o correto é compreender estas profecias de forma lógica e não cronológica. Querer adivinhar qual tecnologia atual será a predileta do Anticristo é perda de tempo. O que importa é que ele vai usar tudo o que puder. Discutir a cor dos olhos do Anticristo, ou sua nacionalidade, é um exercício especulativo e pouco produtivo. O inegável é que seu espírito maligno está presente no mundo desde que o pecado entrou na humanidade, e esta influência infernal tentará imperar logo após o arrebatamento do povo de Deus.

Por, Gunar Berg.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »