Nós podemos voar muito alto

Nós podemos voar muito altoVoar é um anelo impossível ao ser humano, mas é próprio de quem não se resigna à mera dimensão terrena ou ao âmbito circunstancial daquilo que nos domina. Assim, o salmista, em um instante esmagador de sua vida, chegou a expressar o desejo de ter asas como a pomba para poder fugir, descansar e evitar as tormentas que se levantavam contra sua vida e chegavam a ameaçar sua integridade (Salmos 55.6). Esse desejo pode se converter em um sonho frustrado quando, pretendendo viver nas nuvens, fugimos de nosso compromisso com a realidade, fugimos de viver com os pés no chão, envoltos em um misticismo que nos distancia do campo de batalha, o qual nos confronta com nossas próprias misérias e as do nosso contexto vivencial.

O diferencial dos que não vivem enraizados em uma mentalidade terrena é que eles podem voar alto. Soltar as asas é um anelo possível, quando entendemos que isso se pode fazer desde a dimensão da fé, visto que isso faz parte de nossa identidade como filhos de Deus e como servos de Jesus. Esta é a dimensão de fé que Deus evidenciou que deveria alcançar o seu povo, conforme o texto de Deuteronômio 32.11.

Impactante é o resultado que obtemos ao assimilar a realidade de nossa identidade, desde a imagem de Deus que se faz representar como Águia e que, portanto, nos orienta a que vivamos como “filhos da Águia”. Que vivamos em um nível superior, em uma dimensão que nos permite superar o peso da fatal atração terrena. Como a águia ensina e provoca seus filhotes a voarem, da mesma maneira Deus nos conduz a um avivamento pessoal, de maneira a nos permitir certas circunstâncias que nos levam a descobrir nosso potencial e, por conseguinte, a capacidade de voar, que é própria da fé que é inerente à nossa identidade de “filhos da Águia”.

Devemos superar o peso da fatal atração terrena. A história do povo de Israel nos ensina que eles viviam cativos em um ninho de escravidão, de modo que não podiam vivenciar a liberdade de poder voar até seu destino, por isso estavam sem propósito e acomodados à desesperança. Mas, desde a perspectiva divina, havia chegado a hora de Israel voar, o povo já havia crescido e se tinha multiplicado, e então Deus os queria levar ao seu destino desejado. Deus tencionava ensinar-lhes a bater asas para que cruzassem o Mar Vermelho, o deserto, o Rio Jordão, e assim superassem todos os obstáculos que tinham diante deles até que alcançassem o sonho da terra prometida.

Voar jamais será possível, sem que antes se experimente a perda do conforto do ninho, sem que se viva a experiência da sensação do cair no vazio, uma vez que essa é uma experiência imprescindível para que alcancemos nosso destino. Deus não permite que nos acomodemos a nada que possa neutralizar nosso chamado, uma vez que, do contrário, estaremos arraigados a uma dimensão terrena, e assim estaremos privados de viver sob a influência do poder do vento que nos proporciona a experiência do voar na fé.

Como servos do Altíssimo, devemos fugir de todo desejo e inclinação de voar alto na esfera humana, da busca em procurar ser grandes e, em decorrência, ser vistos nas altas posições do poder terreno. Certas alturas implicam em risco de quedas mortais, tendo em vista que certos ascenderes são decorrentes da carreira forjada desde a ambição terrena e não desde a dimensão espiritual.

Por outro lado, Deus deseja fazer que vejamos que Ele tem mais interesse em nosso destino, caráter e crescimento do que em nossa comodidade. Assim que nós devemos interpretar cada prova como uma oportunidade de bater as asas da fé e experimentar uma nova dimensão divina, de voar aprendendo a identificar essa força provinda de Deus, a qual é invisível, mas real, e que nos eleva acima das tormentas e nos faz subir à dimensão dos propósitos do Deus Altíssimo. Esta dimensão é o lugar de onde procede a nossa identidade (Efésios 3.20) e posição (Efésios 2.6). Portanto, quando passamos pela hora da impotência, ante a adversidade de um presente hostil, devemos saber que há uma promessa ligada à identidade daqueles que são “filhos da Águia” (Isaías 40.31).

Por, Juan Carlos Escobar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »