Novas descobertas arqueológicas reforçam relatos bíblicos

Achados corroboram histórias de Davi e Salomão, e pesquisa confirma afirmação bíblica de que no início havia uma única língua falada no mundo

Novas descobertas arqueológicas reforçam relatos bíblicosNos últimos anos, uma série de descobertas arqueológicas tem corroborado ainda mais a historicidade da narrativa bíblica. E neste ano não é diferente. Um pequeno fragmento de argila descoberto em 2013 em Jerusalém reforçou ainda mais a historicidade do relato bíblico sobre os primeiros reis de Israel. Davi e Salomão. Ele foi encontrado nas escavações do Palácio de Davi, que foi anunciado em 5 de agosto de 2005 e foi capa do Jornal Mensageiro da Paz de setembro daquele ano. As escavações do Palácio, próximo ao Monte do Templo em Jerusalém, foram finalmente concluídas há pouco mais de dois meses.

Davi e Salomão

As escavações relacionadas aos reinados de Davi e Salomão foram conduzidas pela arqueóloga Eliat Mazar, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Mazar ficou famosa oito anos atrás por ter anunciado a descoberta das primeiras evidências arqueológicas do reinado de Davi e, cinco anos depois, por ter achado também as ruínas de edificações do reinado de Salomão, conforme o relato bíblico. Foi em fevereiro de 2010 que Mazar anunciou que sua equipe havia encontrado uma parte da muralha construída por Salomão. Ela tem 70 metros de comprimento e seis de altura, e se encontra em um local de nome Ofel, entre a área conhecida como Cidadela de Davi e a parede sul do Monte do Templo.

Mazar datou a muralha com base em fragmentos de vasilhas descobertas nos arredores. Segundo ela, os objetos foram confirmados como sendo dos tempos do reinado de Salomão, o período de maior construção até então em Jerusalém, quando foi erguido o Primeiro Templo, segundo a Bíblia. “Essa foi a primeira vez que se descobre uma estrutura desse período que pode ter uma correlação com as descrições das obras de Salomão em Jerusalém”, ressalta Mazar.

“A Bíblia conta que Salomão construiu, com ajuda dos fenícios, que eram excelentes construtores, o Templo e seu novo palácio e que os rodeou com uma cidade. O mais provável é que estivesse conectada à muralha mais antiga da Cidadela de Davi”, explica a arqueóloga. No local, foram desenterradas também uma monumental guarita de vigilância de seis metros de altura e uma torre que serviria de mirante para proteger a entrada da cidade, que são características do estilo do Primeiro Templo.

Porém, além da descoberta do Palácio de Davi e de construções do reinado de Salomão, Mazar divulgou há dois meses mais uma descoberta: um pequeno fragmento de argila de cerca de 3 mil anos próximo ao Monte do Templo em Jerusalém, trazendo uma inscrição que menciona o reinado de Davi

O fragmento de cerâmica tem uma inscrição de forma “proto-cananeia” (escrita que circulava nas cidades da costa da Palestina, o Pseudo-Hieroglifos de Byblos), possivelmente pertencente a algum jebuseu que morava em Jerusalém. Os judeus formavam uma das antigas nações autóctones que habitavam a Palestina antes da conquista da Terra sob o comando de Josué. Para os especialistas, o achado se constitui a primeira evidência arqueológica do reconhecimento do governo de Davi fora da tradição hebraica, isto é, por indivíduos de outros povos.

A arqueóloga Eliat Mazar se diz impressionada com a precisão dos relatos bíblicos e considera a Bíblia a sua bússola para a concretização do seu trabalho junto às escavações em busca de artefatos antigos. “Eu trabalho com a Bíblia em uma mão e as ferramentas de escavação na outra A  Bíblia é a fonte histórica mais importante”, afirma a renomada arqueóloga.

Sobre a inscrição, o especialista Douglas Petrovitch, da Universidade de Toronto, no Canadá, afirma: “As letras da inscrição coincidem com vocábulos que formam palavras que são claramente parte da língua hebraica de hoje. O hebraico era predominante em Jerusalém, no século 10 a.C., o que coincide com a cronologia bíblica do tempo do reinado de Davi e Salomão”.

As descobertas do Palácio de Davi e do fragmento jebuseu destroem a antiga tese cética de que a história de Davi e Salomão eram uma “coleção de narrativas sobre reis israelitas cujas vidas foram amalgamadas posteriormente pela tradição”.

O Palácio do Rei Davi

Em 18 de julho, foi divulgado o resultado final das escavações do Palácio do Rei Davi. Foram encontrados dois edifícios pertencentes à capital do reino, em Judá, e datados do século 10 a.C. Segundo os professores Yossi Gafinkel, da Universidade Hebraica, a Saar Ganor, da Autoridade de Antiguidades de Israel, trata-se da mais definitiva “prova da existência da cidade-fortaleza do rei Davi”. Foram cerca de oito anos de escavações dos arqueólogos e pesquisadores israelenses, que acreditam que o achado faça parte da cidade bíblica de Shaarayim, local do célebre combate entre o jovem pastor e o gigante Golias.

Os especialistas conseguiram identificar um dos edifícios como o palácio real enquanto que o outro servia como um grande depósito. Segundo o Jornal britânico Daily Mail, que repercutiu o achado, a  cidade onde foram encontrados os escombros fica a aproximadamente 30 km da capital de Israel. Mas, os dois edifícios não foram os únicos achados. Gafinkel e Ganor reuniram centenas de artefatos, dentre eles objetos religiosos, selos, cerâmicas e ferramentas da época ao redor do palácio.

Os cientistas destacaram que o palácio está localizado no centro do terreno, tendo uma visão privilegiada de todas as casas ao seu redor e com a sua parte sul no topo da cidade. Além disso, existe um muro que envolve o edifício, com aproximadamente 30m de comprimento e duas entradas gigantescas. O morador possuía uma vista incrível para admirar. As instalações também permitiam avistar o Mar Mediterrâneo, as montanhas de Hebron e parte de Jerusalém.

Os especialistas afirmam que ainda não havia sido encontrado nenhum palácio que pudesse ser atribuído ao século 10 a.C. A riqueza do material descoberto levaram as autoridades e outras instituições relacionadas a transformar o local em um parque nacional, fazendo com que os moradores fossem remanejado para outros bairros.

Fragmento de esfinge

Na cidade bíblica de Tel Hazor – uma das cidades-estado, considerada “cabeça de todos os reinos”, por ter liderado uma confederação de cidades para deter o avanço do povo hebreu por Canaã – foi encontrado um fragmento de uma esfinge de um rei egípcio que também participou da construção das pirâmides de Gizé. Para os especialistas, trata-se de uma descoberta importante uma vez que monumentos similares são encontrados no país dos faraós.

Shlomit Baker, um estudante de doutorado do Instituto de Arqueologia, patrocinado pela Companhia de Exploração de Israel, é o responsável pelas escavações, e o artefato está sendo exposto no Salão de Frankfurt em cooperação com a Autoridade da Natureza e dos Parques de Israel.

A descoberta também evidência uma antiga influência egípcia nas terras de Canaã. A equipe responsável pela descoberta foi liderada pelo professor Ammon Ben-Tor e doutor Sharon Zuckerman, integrantes do setor de pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e do Instituto de Arqueologia. Os especialistas descobriram que entre as patas dianteiras em hieróglifos há o nome do rei Mikerinos (em egípcio, Men-kau-Ra), filho do faraó Quéfren e o quinto soberano da quarta Dinastia. Esse governante é conhecido por ter sido um dos construtores das pirâmides de Gizé. O artefato inclui os títulos para abordar as “manifestações divinas de entes… que lhe deram a vida eterna”.

Os pesquisadores afirmam que a inscrição aponta para o lugar original de Heliópolis, registrada na Bíblia e hoje localizada ao norte de Cairo. Eles acrescentam que ainda não está claro quando e em que circunstâncias a estátua foi levada para Hazor, mas o conjunto arqueológico encontra-se na camada onde aparece a destruição da cidade, fato ocorrido durante o século 13 a.C., bem antes da chegada dos judeus à Canaã.

“A probabilidade é de que a esfinge foi trazida para Hazor, nos dias do rei cujo nome está gravado nele. Há muito pouco ou quase nenhuma informação sobre a existência de qualquer relação entre Israel e o Egito no terceiro milênio a.C., portanto a estátua pode ter sido levada para ali no segundo milênio a.C., durante a Dinastia de reis conhecidos como os ‘hicsos’, quando se originou a migração para a terra de Canaã”, explica o professor Ben-Tor.

Há a hipótese de que a estátua foi conduzida para o local entre os séculos 13 e 15 a.C., quando o território de Canaã estava sob o domínio egípcio. Acredita-se que a esfinge serviu como um presente do faraó ao rei de Hazor, o governante da cidade mais importante do sul do Levante (uma grande área do Oriente Médio ao sul dos Montes Tauro, limitada a oeste pelo Mediterrâneo e a leste pelo Deserto da Arábia setentrional e pela Mesopotâmia). Além disso, a cidade manteve relações culturais e comerciais com o Egito e a Babilônia, fato comprovado historicamente em documento.

Hoje, Tel-Hazor é considerado o maior e mais importante sítio arqueológico bíblico de Israel, tombado como Patrimônio Mundial pela Unesco. Hazor é também uma chave na Historiografia Bíblica.

Evidências do relato de Babel

O professor de Biologia Evolutiva Mark Pagel é especialista em linguagem, não é cristão, mas acabou por concluir que a passagem bíblica da Torre de Babel pode servir como um ponto zero a fim de comprovar que os antepassados do homem moderno utilizavam determinadas palavras que podem ser detectadas nos dias atuais, e conservam o mesmo significado. Embora considere relevante a passagem bíblica para alcançar seus objetivos, Pagel, por não ser cristão, identifica a narrativa por “tradição”.

O especialista britânico e sua equipe, munidos de um software avançado que os auxiliou nas pesquisas, concluiu que algumas palavras mudam muito pouco ao longo do tempo. Esse relatório serve para comprovar que existe uma grande família linguística, que concentra os sete grupos da Eurásia (os continentes europeu e asiático separados pela cordilheira do Montes Urais), que eram considerados até o momento os mais antigos grupos.

Pagel explica que se essa teoria for comprovada, será verdade que existiu uma língua que originou as demais em determinado momento da história. É nesse contexto que a história bíblica da Torre de Babel entra em cena. Inicialmente, o linguista e sua equipe conduziram as investigações apenas na existência de sons similares entre palavras, a fim de saber quais teriam uma origem ancestral comum. Anteriormente, o britânico já havia comprovado a evolução das 7 mil línguas faladas hoje no planeta. Ele conseguiu esse resultado ao analisar a utilização da linguagem e os motivos do desaparecimento de outras.

“A maneira como utilizamos certas palavras na linguagem cotidiana é, de alguma forma, comum a todas as línguas da humanidade. Descobrimos que os substantivos, pronomes e advérbios são substituídos com menos frequência”, argumenta Pagel.

Ele demonstrou a sua teoria através das palavras “eu”, “nós”, “vós”, “mãe” e “casca”. Segundo pagel, elas integram uma lista de 150 palavras inalteradas durante séculos e aparecem em diferentes famílias linguísticas que pareciam não ter relação entre si.

Pagel apresentou essa ligação de 700 idiomas atuais e que compartilhariam a mesma origem e argumenta que elas “descendem de uma linguagem única, utilizada pelo homem há cerca de 15 mil anos”. Recentemente, o linguista publicou seu estudo científico que foi reconhecido pela Academia Britânica de Ciências.

As 700 línguas estudadas por Pagel são faladas por mais da metade dos habitantes do planeta. “É a primeira vez que os linguistas conseguem encontrar, em meio a idiomas tão diversos, uma origem comum, que se convencionou chamar ‘protoeuroasiático’”, explica.

Apesar disso, Pagel, que leciona na Universidade de Reading, no Reino Unido, e liderou os estudos, disse que para identificar a “língua original” mencionada pela Bíblia é preciso continuar a pesquisa, uma vez  que não existe nenhum registro por escrito, sendo impossível determinar como seria.

Por, Mensageiro da Paz.

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