Não sejamos “melancias quadradas”

Não sejamos “melancias quadradas”No ano de 1982, minha mulher ficou grávida de minha primeira filha depois de quase 6 anos de longa espera e de exaustivos tratamentos contra a esterilidade. Fiquei bastante apreensivo, pois criar filhos no caminho certo nunca foi tarefa fácil para ninguém. Procurei ler então tudo que fazia referência ao assunto e foi quando, em um domingo lindo de sol, antes de irmos à igreja onde eu fazia meu estágio ministerial como pastor-auxiliar, comprei um jornal com um artigo profundamente interessante: “O Japão está produzindo melancias quadradas”. “Que notícia extraordinária!”, pensei eu. Ao ler o artigo, percebi que Deus estava me mostrando algo muito mais importante.

A técnica japonesa era muito simples. Ela consistia em colocar formas quadradas de madeira em volta dos frutos de maneira muito delicada para não magoar o caule quando esse atingisse um tamanho específico. Ao continuar crescendo, os frutos iam encontrando as resistentes paredes do recipiente, que impossibilitavam-no manter completamente a forma original arredondada. As melancias não tinham outra saída senão acompanhar as formas quadradas da caixa de madeira e, então, finalmente, ao abrirem as caixas, lá estavam as melancias quadradas.

Deus logo me levou a imaginar a aflição daqueles pequeninos e indefesos frutos, tendo que crescer completamente pressionados por uma força exterior intransponível que os obrigava a assumir formas contrárias às suas naturezas. Depois de uma exaustiva batalha interior, o pobre fruto aderia ao formato que lhe era imposto, mudando completamente para um novo e diferente formato de fruto.

Será que não é exatamente isso que está acontecendo com as pequenas e indefesas crianças de nossa sociedade?

Marginalidade, crimes, vícios, roubos, furtos, tóxicos e tantas outras coisas estão assolando nossas pequenas crianças como recipientes invisíveis e completamente demoníacos ao redor delas, obrigando-as a serem o que não faz parte daquilo que Deus criou para elas. São verdadeiras caixas de podridão obrigando os jovens a se tornarem podres.

Existe um ditado que diz: “O homem é fruto do meio que vive”. Em parte, é verdade. E pensando nisso, pergunto: em que meio estão crescendo nossas crianças? Será que nós mesmos não somos os verdadeiros culpados de tudo? Será que nossos filhos estão crescendo “no caminho em que devem andar”? Caro leitor, quem será que verdadeiramente está criando o seu filho? Será que é a televisão? Será que é a internet? Será que é uma apresentadora de TV que depois de ter uma vida completamente irregular resolve ser exemplo para programas infantis? Será a novela? Será que são os “coleguinhas” da escola ou da rua? Quem será? Criar seus filhos é uma responsabilidade sua, completamente sua e de mais ninguém!

Nosso desejo é chamar a sua atenção para muitas questões a respeito de sua responsabilidade diante dessa caixa da sociedade onde seu filho está crescendo.

Existem na igreja muitos pais que dizem: “Eu criei meu filho na Igreja e de nada adiantou”. Ou ainda:  “Minha vida é um perfeito inferno”. Ou então são os filhos que dizem: “Seria melhor que eu não tivesse nascido”. Ou ainda: “Não sei porque minha vida é assim, um tremendo fracasso”.

Um dos maiores problemas de muitos crentes que conhecemos e que vivem lotando os chamados “cultos de libertação” de muitas igrejas está ligado a esta questão: como pôr nosso filhos na fôrma adequada?

O apóstolo Paulo noz diz: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2). Repare na palavra “conformeis”, que tem o sentido de aderir à forma ou assumir o formato estabelecido por uma fôrma. É exatamente isso que Deus não quer: que assumamos a forma da caixa estabelecida pelo mundo. O apóstolo Paulo afirma que aqueles que se conformam estão se deixando levar e por isso não conseguem experimentar a renovação vinda de Deus. O texto declara que devemos buscar a transformação e isso só vai acontecer quando permitirmos que primeiro o nosso entendimento seja renovado. Tudo começa em nossa maneira de entender as coisas.

Um copo d’água pode estar meio cheio para alguns e, ao mesmo tempo, meio vazio para outros – tudo depende do ponto de vista determinado pelo entendimento. O que pode ser muito comum para a sociedade pode não ser adequado para aqueles que querem dar aos seus filhos o melhor vindo de Deus e, como Paulo diz, precisamos experimentar qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Para muitas famílias que se dizem cristãs em nossa sociedade, existe uma grande guerra travada para entender por que tentam seguir a um Deus todo poderoso e, mesmo assim, continuam vivendo uma vida de maldição. Mas como? “Como uma pessoa que aceita a Jesus como seu Salvador pessoal pode continuar vivendo uma vida assim? Simplesmente porque este crente não sabe se apropriar de tudo que Jesus conquistou na cruz. Existem coisas que somos nós que temos que fazer. Deus nos mostra o caminho, mas somos nós que temos a responsabilidade de andar nele. Jesus queria ressuscitar Lázaro, mas ordenou que retirassem a pedra que estava na porta (João 11.39). Repare que Ele poderia retirar aquela pedra com um simples gesto, porém mandou que removessem a pedra. Logo, entendemos que Deus faz a parte Dele e nós temos que fazer a nossa.

Existem pessoas que vivem usando argumentos podres e se desculpando: “Meu avô foi assim, meu pai também foi assim e eu tenho que ser assim”. Ou ainda: “Esta é a cruz que eu tenho de levar”. Ora, seu avô pode ter sido assim, seu pai também e você pode ter vivido assim, mas você não precisa continuar assim. Você pode gozar da liberdade com que Cristo nos libertou. Não nos conformemos. Não sejamos melancias quadradas.

Por, Jorge Videira.

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