Não há relação entre Igreja e carnaval

carnavalO carnaval, festa celebrada todos os anos por inúmeras pessoas ao redor do mundo, tem mormente no Brasil o total apogeu da sociedade inclusive do poder público. Considerando a chegada da pós-modernidade, o crescimento das igrejas e as próprias implicações do final dos tempos, surgem novas denominações evangélicas defendendo a participação de grupos religiosos no carnaval como forma de evangelização. Algumas igrejas, inclusive, já montam seus blocos carnavalescos e, através dessa atitude, se promovem como igrejas inclusivas que estão abertas a tudo e a todos, como prova de sua demonstração de amor para com o próximo.

Creio que existe uma linha muito tênue a ser observada nessas atitudes, no sentido de que a Igreja do Senhor não ultrapasse os limites de atuação colocados pelo próprio Deus em sua santa Palavra. Há formas e formas de evangelizar, e o apóstolo Paulo foi claro e até mesmo enfático, quando disse: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas não me deixarei levar por nenhuma delas” (1 Coríntios 6.12). O carnaval e a Igreja na própria concepção dos termos, não se coadunam. Se não vejamos.

A Igreja é a Eclésia de Deus, separada do mundo, chamada para a santidade, constituída por um povo especial, zeloso e de boas obras (Tito 2.14). O próprio Jesus Cristo nos outorgou a nobre missão de atuarmos como “sal da terra e luz do mundo”. Fomos chamados para fora do mundo com o objetivo de fazermos a diferença. Até mesmo nessa maneira de protestar contra as mazelas do mundo deve ser de maneira profética.

Por outro lado, o carnaval é cultural e tradicionalmente classificado como uma festa da carne, com as suas origens na idolatria. No Brasil, a sociedade tem procurado atenuar essa realidade, classificando-a como uma espécie de folclore e manifestação popular, mas essa atitude não tem sido suficiente para descaracterizar e suprimir as estatísticas que contabilizam os homicídios, suicídios, prostituição, gravidez indesejada, pessoas que se tornam viciadas no alcoolismo, dependentes químicos através das drogas e todo tipo de imoralidade.

Seria essa uma festa apropriada para uma associação com a Igreja de Jesus Cristo? A resposta é um enfático não. A Bíblia deixa bem claro: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? (2 Coríntios 6.14). Não é possível combatermos as obras das trevas com as mesmas ferramentas maléficas, ou combatermos o pecado com o próprio pecado. Isso é impossível. A Bíblia Sagrada condena tal prática e nos orienta a nos abstermos e nos mantermos afastados dela: “E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as” (Efésios 5.11). A Igreja deve se afastar, condenar e combater tal prática. No mesmo capítulo da última citação que fizemos das Escrituras, somos exortados a aprovarmos tão somente o que é agradável ao Senhor, e também a não sermos companheiros daqueles que praticam o que desagrada a Deus.

A proliferação de novas denominações e ministérios evangélicos é um dos principais motivos e também motivações que levam a tais atitudes. Esses ministérios, em sua tentativa de atraírem público para si a qualquer custo, se esmeram na criatividade e no empreendimento de novos e desenfreados ativismos religiosos e, nessa ganância por espaço eclesiástico, acabam por ultrapassar todo e qualquer limite daquilo que entendemos ser ético para o povo de Deus.

Dentro dessa linha de raciocínio, teria a Igreja que infiltrar “prostitutas evangélicas” nos prostíbulos, “bandidos evangélicos” nas quadrilhas de malfeitores, procurando com isso ganhar para Jesus os que lá estão? Seria isso ético? Como o próprio mundo veria isso?

Em mais de 2 mil anos de trajetória, nunca a eleita de Cristo esteve associada a essas práticas. Não precisamos depreciar nem mesmo degenerar minimamente a nossa imagem diante do mundo para alcançarmos os perdidos. Não precisamos nos render ao pecado para atrairmos o pecador. Afinal, a graça de Jesus Cristo e o Espírito Santo são os responsáveis por fazer com que a Igreja caia na graça de todo o povo, e por esse motivo se agreguem à Igreja todos aqueles que hão de se salvar. Assim foi na Igreja Primitiva, e continua sendo até hoje.

É preciso todo cuidado com as falácias dos falsos profetas e doutores que querem reinventar o Evangelho, ancorados na tese da modernidade. O apóstolo Pedro e Judas nos alertaram contra os tais em suas epístolas. Eles dizem o que convém, no intuito de agradarem seus ouvintes, mas na prática não defendem o Evangelho de Cristo, mas o seu próprio ventre e interesse.

É necessário o combate intensivo por parte da liderança eclesiástica ou, quando nos apercebermos, será difícil o enfrentamento apologético das heresias modernas. Infelizmente, a avalanche de informações favoráveis é tão forte, que chega a acuar e amedrontar obreiros verdadeiros. Isso não pode acontecer, a Igreja precisa cumprir sua missão profética em tempos trabalhosos. Por esse motivo, o apóstolo Paulo recomendou a Tito que estabelecesse presbíteros que “tivessem poder em suas palavras para combater os contradizentes”, justamente porque a Igreja não pode falhar em sua missão de pregar o Evangelho, fazer discípulos e ensinar. Urge a necessidade de autoridade espiritual.

A Igreja do Senhor não pode ficar “em cima do muro”. Quem assim age torna-se cúmplice e pratica a omissão. Alguns cristãos não participam diretamente do carnaval, mas de maneira indireta o fazem, quando passam horas à frente da televisão alimentando a sua mente com imagens que desagradam a Deus, o que, além de ser pecado, contribui com os índices de audiência de tais transmissões e gera recursos financeiros para seus patrocinadores.

Os líderes e os pais devem instruir através da Palavra de Deus. Afinal de contas, a Igreja deve se posicionar e difundir esse posicionamento. A moderna atitude de um “Evangelho light” tem sido nefasta para os fundamentos do nosso povo, e por esse motivo, atitudes pecaminosas têm se infiltrado em nosso meio.

A ideia de que a Igreja deve se aproveitar de todas as oportunidades para pregar o Evangelho, nesse caso, não subsiste, uma vez que a eleita do Senhor tem todos os dias do ano para difundir as verdades do Reino, seja pelo testemunho pessoal, a literatura, a mídia e as mensagens nos cultos de evangelização, sem contrariar os princípios do Mestre. O Evangelho está à disposição de todos, sempre, pelo que a festa carnavalesca não deve ser usada como álibi para essa mistura. A Igreja cuida das coisas do Espírito Santo e o carnaval das coisas da carne, e estes se opõem um ao outro.

Por, Carlos Roberto Silva.

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