Na Rede: internautas missionários

Na Rede - internautas missionáriosAo transmiti r uma mensagem, principalmente a do Evangelho, precisamos pensar nos códigos receptores. Tais códigos envolvem a cultura, a língua e o ambiente1. Nas próximas linhas vamos observar que existem semelhanças entre o campo missionário do mundo real e o do mundo virtual, pois ambos possuem uma cultura (cibercultura), uma língua (internetês) e um ambiente/território (ciberespaço). Veremos também alguns males do mundo real que infelizmente estão presentes na Internet e que para tentar diminuir o impacto de tanta maldade, já pensaram em uma possível solução que seria a criação de um grupo de pastores, evangelistas e missionários virtuais com ministério de tempo integral para cuidar das pessoas na Rede Mundial de Computadores.

Alguns males que nos mostram a importância de fazermos missões na Internet

Suicídios

Muitas páginas de redes sociais, sites e fóruns incentivam e ensinam os nossos jovens e adolescentes a cometerem o suicídio. Por exemplo, em 2006, Vinícius Gageiro Marques tirou a própria vida após receber algumas “dicas” de “amigos” virtuais em um site2. Estudos indicam que cerca de 80% dos potenciais suicidas deixam pistas de suas intenções de tirar a própria vida.

Automulilação

O incentivo à prática da automutilação entre os adolescentes se dissemina na Internet. A Automutilação (AM) é definida como qualquer comportamento intencional onde a pessoa faz uma agressão ao próprio corpo sem intenção de cometer o suicídio3. Da mesma forma, também existe na Rede Mundial de Computadores muitos fóruns onde jovens e adolescentes conversam abertamente acerca do uso de drogas.

O campo missionário virtual

O território – Ciberespaço

O missionário do “mundo real” é destacado e enviado para uma determinada região geográfica do nosso país ou do exterior, a Internet também possui uma região geográfica interligada por milhares de quilômetros de cabos. Essa região é chamada de Ciberespaço. Podemos nos referenciar, resumidamente, ao Ciberespaço como um espaço que existe no mundo de comunicação em que não é necessária a presença física do homem.4

A Língua – Internetês, Emojis e Emoticons

Nós temos o costume de ouvir que vivemos em um mundo onde precisamos aproveitar o tempo da melhor maneira possível. Na Internet, isso é levado muito a sério. As pessoas têm pressa para escrever seus pensamentos através de palavras, frases mais curtas e ícones (emojis) com o objetivo de economizar o máximo do seu tempo. Para obter essa economia os usuários da Grande Rede começaram a mudar a sua forma de escrita utilizando o que muitos autores chamam de internetês (vc – você, tb – também, hj – hoje etc).

A Cultura – Cibercultura

De forma bem resumida, podemos dizer que a essência da cultura consiste na forma pela qual “um grupo humano qualquer se relaciona entre si e com o ambiente que o circunda”5. Entretanto, nos dias atuais, essa essência tem sido modificada por meio da Internet. Hoje, por exemplo, podemos fazer uma graduação a distância, transações bancárias, compras on-line em lojas, supermercados etc. Podemos até não perceber, mas essa cultura que surgiu na Internet está “enraizada” no nosso dia-a-dia.

Missionários, pastores e evangelistas virtuais

No mundo real existem missionários, pastores e evangelistas para proporcionar conforto espiritual e emocional às pessoas com tendências suicidas, usuárias de drogas, que praticam a automutilação etc. Eles vão até o lugar onde essas pessoas se encontram e ajudam a cada uma delas da melhor maneira possível. Na Internet, não pode ser diferente. Precisamos acompanhar essas pessoas que possuem esses mesmos problemas.

Mas como acompanhar esses usuários? Após alguns anos de estudos, desenvolvi uma metodologia específica baseada em três princípios denominados OIT (Observar, Interagir, Transformar) que serão resumidos a seguir:

I – Observar – Essa é a primeira regra de quem têm o desejo de evangelizar na Internet. Precisamos conhecer os problemas e dificuldades do usuário que pretendemos alcançar. Vemos isso através dos seus posts na Internet.

II – Interagir – Não basta apenas conhecer os problemas do usuário, precisamos interagir com ele! Mas, como iniciar uma conversa com esse usuário? Nesse caso seria interessante frequentar o fórum, sala de bate-papo, site ou blog desse. Evangelho é Interação!

III – Transformar (TC, TD) – Esse é o nosso principal objetivo, a transformação do nosso usuário que é feita a partir do momento que ele entrega a sua vida a Jesus Cristo, crendo que Ele é o seu Senhor e Salvador. Entretanto, precisamos ter discernimento para iniciar esse contato pois devemos “conscientizar as pessoas de seu estado pecaminoso e perdido”6

Podemos dividir essa fase em duas partes:

1) Conversão – Momento em que o usuário/nickname entrega a sua vida a Cristo, reconhecendo-O, como o Único e suficiente Salvador.

2) Discipulado – que tem como objetivos:

2.1) Acompanhar os primeiros passos na vida cristã. Noções sobre a nova vida em Cristo, auxílio nas principais dúvidas acerca do Evangelho etc.

2.2) Indicar uma igreja mais próxima da casa do usuário. Se possível, realizar contato com essa igreja.

2.3) Acompanhar as primeiras semanas da nova vida eclesiástica.

Todas essas fases precisam ser regadas com bastante oração!

Precisamos clamar ao Senhor para que Ele possa levantar pastores, evangelistas e missionários específicos para a Internet ou, quem sabe, se você sentir esse desejo no seu coração orar como Isaías e dizer: “Eis-me aqui, envia-me a mim.” (Isaías 6.8b).

NOTAS

1 LIDÓRIO, Ronaldo. Comunicação e cultura: A Antropologia aplicada ao desenvolvimento de ideias e ações missionárias no contexto transcultural, São Paulo, 2014, p. 28.
2 PINHEIRO, Felipe. Ciberteologia: A comunicação da Igreja no séc. XXI, São Paulo, 2015, p. 64.
3 Disponível em <https:// pt.wikipedia.org/wiki/Automutilação>. Acesso em 10 nov. 2016.
4 Disponível em: <https:// pt.wikipedia.org/wiki/Ciberespaço>. Acesso em: 5 ago. 2016.
5 GONZÁLEZ, Justo L. Cultura e Evangelho: O lugar da cultura no plano de Deus, São Paulo, 2011, p. 37.
6 DEVER, Mark. O Evangelho e a evangelização, São Paulo, 2015, p. 73.

Por, Felipe Pinheiro.

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