Mundo tecnológico e crendice medieval

Mundo tecnológico e crendice medievalO mundo tem alcançado um avanço tecnológico incrível. Vejam-se os transportes, a comunicação e a medicina. No primeiro caso, durante milhares de anos, as técnicas de locomoção permaneceram as mesmas; mas agora os avanços são surpreendentes tornando nossas viagens mais velozes, seguras e confortáveis. Na comunicação temos obtido velocidade e qualidade. Em segundos nos conectamos a qualquer parte do mundo com qualidade superior e a custos cada vez menores. O que dizer da medicina então? Qual não é o bem promovido pelas novas descobertas, as técnicas revolucionárias e os equipamentos outrora disponíveis apenas na ficção? Não há como contestar os benefícios que a ciência tem proporcionado à humanidade.

Certo estudo demonstra quanto tempo é necessário ao homem para que ele domine o conhecimento de determinada área. Em meados do último século, os estudos exaustivos consumiam 25 anos. Hoje, não mais que 5 anos. Estima-se que em breve a demanda não seja superior a alguns meses. Não podemos negar o avanço das ciências e descobertas do homem. É como se vivêssemos em um conto de ficção científica onde os peregrinos tecnológicos vivem os sonhos das gerações passadas.

Não obstante o saber multiplicar-se, muitos círculos evangélicos têm demonstrado regressão e retrocesso, abandonando os preceitos teológicos legítimos e bíblicos para abraçar um tipo de fé que mais se parece com uma crendice medieval. Pregam eles uma teologia do medo, em que os adeptos ganham sempre, mas os remanescentes são condenados a mais comovente miséria. É já o momento de pensarmos uma correta nomenclatura para enquadrar estes grupos e suas práticas, pois vivem um sincretismo religiosos ousado e ácido. Fazem sua deturpada eisegese, desconsiderando a exegese piedosa e cristã. Com o auxílio da mídia, que muitas vezes vem como ferramenta manipuladora, as massas e os lares incautos promovendo uma busca ao eldorado místico ou o toque das Mídias.

Estes movimentos voltaram-se às crendices medievais, onde os assustados católicos assumiam que Deus existia, mas os monstros dos bosques encantados também. É o retorno ao período medieval, onde os ensinos apostólicos disputavam espaço com as lendas dos potes de ouro ao final do arco-íris. Tal como no período das trevas, as massas são aprisionadas pela simonia, pelo comércio da itens religiosos – toalhas, flores ungidas, travesseiros santos e qualquer bugiganga de apelo simbólico que possuem um preço exorbitante pago sem o menor constrangimento, pois, quem paga quer um retorno rápido e sem esforço.

Sedutoras, essas crendices estão sendo consumidas principalmente pelos brasileiros, pois a pluralidade religiosa aqui é vasta e divulgada como propriedade cultural – é o caso do menino que é embalado pela voz doce e meiga da mãe com uma velha cantiga conhecida de todos, sim dorme, mas dorme com medo da Cuca que vem pegar. Mesmo as crianças crentes têm que no mínimo presenciar os ensaios das quadrilhas de festas juninas em suas escolas, e, como não tomam parte na idolatria cultural, são segregadas e isto vem acontecendo ano após ano e a nação não vislumbra uma saída para nossos filhos que vivem este drama escolar. E ainda o que dizer da celebração que muitas escolas estão implantando em seu calendário o Halloween comemorado no dia 31 de outubro, que é o mesmo dia da Reforma Protestante de Lutero? Eu nunca comemorei esta dada reformadora em toda a minha história escolar, creio que é raridade quem já o fez.

Quando as crendices ficaram fora das igrejas, a linha divisória entre a fé em Deus e o medievalismo supersticiosos era acentuada. Agora, os ventos de doutrina quase encobriam esta separação. Em alguns casos, os evangélicos são mais inventivos que os párocos pró-iconoclastia. Agora, as crendices entraram no templo e já se assentam nos púlpitos., dominando os microfones. Nos alto-falantes dos cultos se ouvem as esdrúxulas promessas que satisfazem a superstição e agridem a fé.

A desculpa para tanto é a tentativa de estimular a fé, e com isto cria-se uma crença que se mostrará cada vez mais forte nas gerações futuras, pois, nascendo nesta atmosfera, terão tais adiáforas como extrato da mais pura verdade espiritual. Os ensinadores de heresias confundem a teologia misturando a Antiga Aliança com a Nova, a graça coma lei, o Evangelho com os ritos e símbolos mosaicos. Eles seguem os novos preceitos até que necessitem inventar algo mais forte e capaz de cativar o seu público flutuante, que gravita ao redor daquele que for mais criativo em seu show da fé. Este público flutuante segue peregrinando de desilusão em desilusão, de igrejas a igrejas na tentativa de alcançar os sonhos dourados, mas, como não os alcançam já não querem mais saber de igrejas sejam as de ensinos ortodoxos  ou não.

Quando, nos anos 70 e 80, escutava meu pai dizer sobre os fatos que antecederiam a Volta do Senhor Jesus, imaginava-os tão distantes de mim. Agora, vejo-os tão perto e assustadores sobre tudo os sinais que diziam do esfriamento do amor de muitos. Se aliarmos este misticismo desenfreado com os grandes avanços tecnológicos principalmente no  que se diz respeito aos controles sobre todas as áreas do ser humano podemos ver o cenário da Grande Tribulação sendo montado de forma acelerada.

Pode parecer que o desajuste doutrinário não afeta às igrejas sólidas, mas os séculos nos ensinam que ninguém está seguro. Devemos redobrar os nossos esforços para não ceder a estas seduções, pois estes movimentos promovem ajuntamentos gigantescos, mas nenhum crescimento. Nunca se ouviu falar tanto em milagres como agora, mas, como tem aumentado a miséria moral e espiritual nestes tempos. Pessoas correm de um lado para outro lado buscando uma solução instantânea, e essa caça ao tesouro passou a ser a base da fé de muitos.

Como tem acontecido em toda a história da igreja, temos que manter o ensino bíblico e sustentar sua importância. Só assim estaremos dentro dos planos de Deus como Igreja. Mantenhamos a maior agência de ensino bíblico, a Escola Bíblica Dominical, que também se mostra como uma grande escola apologética, onde as novas gerações (os nativos tecnológicos) tendo um ensino estimulante não correrão o risco de cair pelo assédio do medievalismo das mentes desviadas de alguns líderes ditos evangélicos.

Estes homens precisam reinventar seus modismos, pois suas inovações têm fôlego curto, e o povo se cansa com facilidade. Somente uma coisa é capaz de sustentar o homem durante todos os anos de sua vida sem jamais cansar ou falhar: a Bíblia Sagrada. Os céus e a terra, bem como as inovações, passarão. Somente a Palavra do Senhor permanecerá.

Por, Gilberto Corrêa de Andrade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »