Missionários investem na divulgação do Evangelho entre índios

Estratégias e exemplos de fé marcam um ministério que avança por mata adentro

Missionários investem na divulgação do Evangelho entre índiosOs índios brasileiros travaram o primeiro contato com o cristianismo através da colonização empreendida pela coroa portuguesa no século 16. A Companhia de Jesus enviou missionários no intuito de cristianizar os autóctones e colonizar as terras descobertas. Mas, esse projeto religioso não foi nada benéfico para os nativos, que sentiram na pele o sofrimento de ver seus parentes e amigos serem mortos e escravizados pelo homem branco e ainda serem vítimas de doenças até então inexistentes para eles. O resultado não poderia ser mais devastador, porque essas mesmas doenças os faziam morrer as centenas. Porém, com o passar do tempo, agências missionárias nacionais e estrangeiras investiram na evangelização dos nativos e logo os resultados surgiram, porque onde o Evangelho firmava suas bases a transformação no caráter dos índios acontecia e o grupo acabava sendo beneficiado. Ainda hoje os testemunhos de salvação em Cristo se multiplicam pelo Brasil.

Um destes exemplos é o do pastor Rivail Andrada da Costa, índio oriundo da tribo de Baré. A sua história começa quando ele foi expulso de casa pelo pai aos 17 anos. O jovem amazonense se recusava a continuar a estudar no seminário Missões Salesianas no qual se tornaria padre. Rivail, nascido na cidade de Santa Isabel, se deslocou para São Gabriel da Cachoeira, no interior amazonense. Durante o trajeto, um homem ofereceu um emprego que levou três anos para ser aceito por Rivail. O jovem acabou na guerrilha colombiana. Após três anos de atividades, ele foi capturado pelo Exército brasileiro e detido por nove meses, depois disso fugiu da guerrilha e foi morar em Belém (PA). Nessa época, Rivail já estava com 24 anos. Na capital paraense, o jovem ouviu o Evangelho e aceitou Jesus como Salvador pessoal, depois desta experiência conheceu Luides Mendes das Neves, casou-se e teve os filhos Erick (12) e Katlin (10). A trajetória de Rivail o conduziu ao pastorado. Logo, mudou-se para Manaus (AM), sendo recebido na Assembleia de Deus Tradicional, liderada pelo pastor Gedeão Grangeiro Menezes na capital amazonense.

Em 2005, o pastor Rivail foi destacado para evangelizar na cidade de São Gabriel da Cachoeira. Na época, o trabalho começou com Adélia, convertida que ficou grávida e ao sofrer um acidente na roça veio a falecer no hospital. Desesperados, os filhos chamaram o pastor Rivail a fim de orar pela mãe falecida e o Senhor a ressuscitou. O milagre contribuiu para muitas pessoas se converterem a Jesus.

O trabalho prosperou e hoje o pastor Rivail administra três igrejas na cidade amazonense, e o Senhor tem realizado milagres: ressurreição de mortos, pessoas curadas de câncer e libertas do pecado. A divulgação do Evangelho contribuiu também para a implantação de mais quatro igrejas nas comunidades indígenas: Tedi, Shalon, Anamion e Taquatiara Mirim. Através da parceria com a Igreja Assembleia de Deus Ministério em Mauá (SP), liderada pelo pastor Samuel Marcelino da Silva, foi realizado o primeiro congresso missionário na cidade onde em três noites 12 pessoas aceitaram a Cristo como Salvador.

Na bacia amazônica, o meio de transporte utilizado é a rabeta (uma canoa com um motor sete e meio). A diária do motor custa 150 reais. A máquina utilizada era fraca e fez uma viagem evangelística demorar quatro dias para alcançar o local a ser evangelizado. Mas em 2014 uma parceria missionária com a Secretaria de Missões da Assembleia de Deus em Mauá (SEMADEM) contribuiu para o envio de um motor 40 da Yamaha, com  maior potência. Dessa forma, o trajeto passou a ser coberto em 12 horas de viagem.

Por sua vez, a Assembleia de Deus em Cacoal (RO) liderada pelo pastor Nelson Luchtemberg decidiu também investir na evangelização dos índios e o projeto nasceu durante a Escola Bíblica de Obreiros das Assembleias de Deus em Rondônia (Eboarderon), na ocasião o tema inclusão social foi enfatizado entre os participantes e levou os pastores a refletir sobre quais seguimentos deveriam ser contemplados. Eles concluíram que os indígenas também deveriam ser alcançados.

Embora já existisse um projeto conduzido pela igreja cacoalense nas aldeias dos Suruis e Cinta Larga, foi concebida a ideia de realizar um congresso indígena. Com o apoio do pastor Luchtemberg, os obreiros percorreram as aldeias a fim de convidar os caciques e dirigentes de congregações a participar do primeiro congresso com os povos indígenas. O evento aconteceu em 2010, e desde então tem sido realizado na cidade de Divinópolis.

O congresso teve um papel fundamental, considerando que as etnias não mantinham um bom relacionamento mas o ambiente tomado pelo poder de Deus mudou esse panorama, dessa forma as famílias Suruis estreitaram relacionamento com os integrantes dos Cintas Largas. Segundo a liderança local, o projeto de inclusão social foi de tal magnitude para os índios que hoje a igreja administra o serviço religioso em aldeias inteiras que se converteram a Jesus, inclusive o pajé e o cacique, ambos da aldeia da placa na linha 14-Divinópolis, e outras comunidades em que existe um grupo de adolescentes e jovens atuantes. O trabalho cristão se desenvolve com a ajuda dos pregadores, professores e cantores. O ensino da Bíblia Sagrada acontece em uma concorrida Escola Dominical nessas aldeias, com a utilização do material didático da CPAD.

Segundo o evangelista Orlins Carlos Ramos, há índios que concluíram o curso superior e até doutorado, mas também os que concluíram o nível médio de teologia pelo Instituto Bíblico das Assembleias de Deus do Estado do Paraná (IBADEP). Entrementes, o encontro dos povos indígenas deu certo e já está sendo articulada a quinta edição deste projeto que agrega cerca de mil congressistas indígenas.

A Assembleia de Deus em Tucuruí (PA), liderada pelo pastor Océlio Nauar de Araújo, deu início aos trabalhos de evangelização com os índios no dia 9 de julho de 2002, quando o missionário João Pantoja atendeu ao convite da Aldeia Assurini, e foi visitar o local cujos habitantes padeciam com o alcoolismo. Os índios tomaram conhecimento do Projeto Reviver conduzido pela igreja em Tucuruí, que cuida de dependentes químicos e moradores de ruas.

Segundo o Missionário Pantoja, logo foi detectada a necessidade do evangelismo na comunidade. Na segunda visita levei uma equipe, que conheceu as autoridades locais. Falamos da necessidade que havia de se desenvolver um projeto missionário, que iria cuidar não só dos dependentes, mas também das famílias”, disse o missionário Pantoja, idealizador do Projeto Reviver.

A primeira reunião foi agendada para o dia 19 de julho, mas antes uma equipe da Secretaria de Missões da Assembleia de Deus em Tucuruí (Semadtuc), coordenada pelo pastor José Cláudio Silva realizou visitas em todas as casas da aldeia e convidou os moradores para o culto. O resultado foi a conversão de 32 pessoas naquela noite. “Precisávamos de uma estratégia de trabalho, então começamos a trabalhar com as crianças com o objetivo de alcançar os pais”, revela o missionário. Hoje a tribo dos Assurinis é formada por 646 índios, sendo 273 crianças.

Quando o números de novos convertidos chegou a 92 pessoas, o projeto foi apresentado ao pastor Océlio Nauar que ofereceu total apoio a causa.

Mas em uma aldeia onde o consumo de álcool fazia parte da vida da maioria de seus habitantes e esta realidade foi modificada pelo poder do Espírito Santo na vida dos novos convertidos, foi constatada uma redução em cerca de 50% entre os índios que outrora dependiam do álcool. O missionário Pantoja afirma que as pessoas contenciosas na aldeia experimentaram uma radical transformação em seu modo de viver.

O ambiente auspicioso foi motivo de alegria para os caciques, mas o missionário foi categórico. “Precisamos da ajuda de vocês, dando o exemplo de vida; assim como vocês vieram, os demais virão também”. Os caciques viram seus conterrâneos livres do alcoolismo, por isso também receberam a Jesus Cristo como Salvador pessoal. Depois foi destacada uma equipe na evangelização dos indígenas. O desenvolvimento do trabalho deu início à construção do templo, que foi inaugurado no dia 23 de fevereiro de 2014, pelo pastor Océlio Nauar. O acontecimento foi abrilhantado pela presença do pastor Elizeu Martins, diretor executivo da Escola de Missões das Assembleias de Deus (Emad).

Quando os convertidos passaram a experimentar a nova vida proporcionada pelo Espírito Santo, logo eles também foram alvo de milagres proporcionados por Deus; logo sentiram o organismo livre das moléstias que os perturbavam e testemunharam a experiência.

O índio Tohotohana disse que urinava por uma sonda já por três meses e orou a Deus “se tu me curares eu me dedicarei ao Senhor por toda a vida, amém”. Hoje ele goza de perfeita saúde.

Outro testemunho é do índio conhecido como Joãozinho, que exerce a função de Poraké (um dos líderes da comunidade). Ele conta que foi liberto do alcoolismo pelo poder de Deus.

“Eu estava muito doente, sentia muitas dores, pressão alta e não tinha vontade de viver. A bebida e o fumo faziam parte de minha vida e meu coração era grande. Foi quando participei pela primeira vez de um culto evangélico. Então tudo mudou! Eu acreditei e minha vida mudou. Eu estou curado em nome do Senhor Jesus”.

Agora o missionário organiza o casamento comunitário indígena. O objetivo é oficializar o enlace de 32 casais e, em seguida, o batismo dos novos convertidos. “Já demos quatro passos: evangelização, construção do templo, casamento e batismo nas águas”, alegra-se Pantoja.

Por, Seara em foco.

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