Missões: a resposta de Deus para o clamor dos oprimidos

Missões - a resposta de Deus para o clamor dos oprimidosCada missionário é a resposta de Deus ao clamor de um povo, pessoa ou nação. O Senhor nos mostra através de Sua Palavra, que por amor ao homem, Ele é capaz de elaborar, acionar e cuidar de forma admirável cada detalhe de Seus planos, a fim de alcançar aqueles que clamam em busca de Sua ajuda.

Muitos, sem conhecê-lO, derramam lágrimas em meio a gemidos de solidão, buscando expressar o vazio de uma alma que sofre em busca de paz. Tristemente, nessa procura, centenas de povos, de diversas línguas e nações, são obrigados a suportar (além de suas próprias dores), os corações insensíveis de muitos cristãos, que insistem em duvidar de sua participação na Grande Comissão de Jesus.

Por outro lado, o Senhor tem levantado centenas de homens e mulheres, que participam de suas aflições, são convidados a ouvirem juntamente com Ele, o clamor de milhares de almas. E o gemido de uma alma sem paz chega a ser insuportável aos ouvidos daqueles que compreendem a triste realidade, que milhares de pessoas descem à sepultura todos os dias, sem conhecerem o Salvador.

Assim como aquele desesperado homem rogava a Paulo em uma visão dizendo: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (Atos 16.9), milhares de pessoas clamam pela ajuda da igreja, ou melhor, pela nossa ajuda. Logo após a visão, Paulo e seus acompanhantes, concluíram que o Senhor os chamava para anunciar o Evangelho na Macedônia, e procuraram partir o mais rápido possível, pois o clamor daquele homem ficara gravado no coração e mente de Paulo.

É possível fazer missões “começando” dentro de nossa própria Jerusalém, porém, podemos entender, através das Escrituras, que na maioria das vezes, fazer missão estava relacionado com sair de uma região em direção a outra.

As direções eram e continuam sendo escolhidas por Deus de acordo com as necessidades específicas de seus moradores. Aliás, aceitar o “Ide” do Senhor, de acordo com Atos 8.26-40, significava sair rumo a uma missão, enfrentando caminhos desérticos, para pregar o Evangelho para uma pessoa.

E como Deus conhece o coração daqueles que O amam, que são capazes de dar a vida pela obra missionária, no texto citado, vemos que Filipe não somente aceitou “descer” de Jerusalém a Gaza, ele também ouviu e aceitou a orientação dada pelo Espírito, que lhe pedia para correr junto ao carro que transportava o etíope.

Quando Filipe se aproximou, interrogou o eunuco sobre a leitura que fazia. Após declarar sua pouca compreensão das Escrituras, o etíope rogou a Filipe que subisse com ele. Deus usou a Filipe como a resposta do clamor daquele homem, desesperado por entendimento das Escrituras. Filipe não somente ajudou na compreensão da passagem, mas cooperou para que o mordomo pudesse conhecer o Filho de Deus.

A forma como Deus realizou o chamado “missionário” na vida de Moisés nos mostra o quanto Ele se preocupa pela condição espiritual do ser humano, seja ele de Jerusalém, Samaria ou de qualquer parte dos confins da terra. Mesmo sendo a nação de Israel um povo escolhido, o exemplo do amor e cuidado de Deus a eles, nos mostra como o Senhor está atento ao clamor de uma alma aflita.

“E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor […] Porque conheci as suas dores” (Êxodo 3.7). Deus não somente ouve, mas também vê e conhece “atentamente” a aflição dos povos que Ele deseja abrigar sob o cuidado de Suas asas.

Em Êxodo 2.24 a Bíblia nos diz: “E ouviu Deus o seu gemido”. O gemido da humanidade sem paz, muitas vezes oprimida pela frágil liderança de seus modernos exatores, provoca em Deus a reação de sair em busca de homens como Paulo, Filipe e Moisés, que aceitem o desafio de serem chamados representantes de Deus, levando e cumprindo a missão de anunciar a Jesus a todos quantos clamam por um libertador.

A intervenção direta de Deus, em diversas ações missionárias registradas nas Escrituras, deveria ser para nós, prova suficiente de que Ele é o maior interessado em missões. “Portanto, desci para livrá-lo” (Êxodo 3.9). E se o próprio Deus fez e continua fazendo missões, por que insistimos em renunciar o Grande Chamado?

Após “descer” para iniciar Seu projeto missionário, o Senhor declara que o Seu povo poderia subir daquela terra, marcada por opressão e servidão (Êxodo 3.8). Ao dizer essas palavras, Deus estava antecipando ao libertador de Israel, que um projeto ainda maior estava sendo arquitetado nos corredores da Eternidade.

O pedido de Deus a ele: “Vem agora, pois, e eu te enviarei” (Êxodo 3.10), nos faz lembrar que um dia, Ele também pediu ao seu Único Filho que “descesse”, para que pudéssemos “subir”. Mesmo sendo Deus, Jesus tomou a forma de um missionário, por amor ao homem, dedicou Sua vida a evangelizar, pregar as Boas Novas, libertar os oprimidos, viveu longe de Sua “casa” por muito tempo, só para mostrar-nos que não existe cristianismo sem missões.

Assim como Moisés preferiu ser maltratado com o povo de Deus (Hebreus 11.25), Jesus, por amor as almas, também abandonou a companhia de anjos, serafins, querubins e até mesmo a maravilhosa companhia de Seu Pai, para cumprir Sua missão de salvar a humanidade.

Por diversas ocasiões, o Senhor viveu rodeado de homens e mulheres, que não lhe podiam oferecer nada em troca de Seu sacrifício, exceto o desejo de receber de Sua maravilhosa graça: “e traziam-lhe todos os que padeciam acometidos de varias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos e os paralíticos, e ele os curava” (Mateus 4.24).

A fama de Jesus girava em torno do olhar faminto de uma multidão de desesperados, que por muito tempo clamaram, e que agora, estavam sendo socorridos pelo Senhor da Ceifa, que por um gesto de amor, decidiu “descer” para ajudá-los, pois sabia que os líderes religiosos daquela época ofereciam pouca ou nenhuma atenção às necessidades entre eles.

Quando aceitamos “descer”, começamos ver, ouvir e conhecer o clamor de muitas almas que estão buscando saciar sua sede em cisternas rotas. Resta a nós, que conhecemos “o manancial de águas vivas” (Jeremias 2.13), ajudar aos sedentos e famintos a encontrarem ao Senhor, o único Deus verdadeiro.

Deus levantou a Moisés depois de ver e ouvir ao clamor do Seu povo, que sofria por causa de seus exatores; enviou a Jesus, o seu Único Filho; enviou a Paulo, a diversos homens e mulheres, que juntamente com suas famílias, aceitaram ser a resposta de Deus para o clamor dos oprimidos.

Milhões de pedidos, orações, gemidos… Sobem diariamente aos ouvidos e coração do Pai. Juntamente com o Filho, Ele espera por você, por mim, por nós. É necessário “descer”, deixar de lado algumas questões que por vezes chamamos de prioridades, que estão centradas em um cristianismo egocêntrico, carente de missões.

Somente assim, seremos capazes de ouvir a voz do Espírito Santo. Ele deseja que encontremos a nossa “Macedônia”, que corramos em busca dos desesperados etíopes pelos desertos. Com sua ajuda ouviremos o clamor de um “Israel”, que sofre a espera de muitos filhos que recusam obedecer ao chamado de seu Pai.

Por, Rodrigo de Faria Oliveira.

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