Mateus e Lucas diferem sobre Salvação?

Pelos textos de Mateus 1.1-16 e Lucas 3.23-38, a Salvação é para judeus, gentios ou todos?

Mateus e Lucas diferem sobre SalvaçãoTemos diante de nós dois personagens usados por Deus para inserir no contexto da salvação as linhagens que o Plano de salvação exigia para que a árvore genealógica evidenciasse a subida de Cristo ao trono de Davi.

Mateus, filho de Alfeu, natural de Cafarnaum, escreveu o Evangelho que leva seu nome para consolar aos crentes perseguidos, era cobrador de impostos (classe odiada na época de Jesus), sendo um dos esteios da Igreja primitiva, e aparece em todas as quatro listas de apóstolos. De modo algum Mateus não queria passar que o plano salvífico de Deus seria somente para os judeus. Lucas não era apóstolo e não foi testemunha ocular da história. Era de Antioquia da Síria; seus pais eram gentios. A sua história no livro de Atos dos Apóstolos, do qual é autor, tem ligações iniciais com Paulo. Seu desejo era suprir uma narrativa em ordem e digna de confiança para Teófilo, e esclarecer ao governo imperial de Roma, que os cristãos não eram alguma seita sediciosa e subversiva, e nem mera facção do judaísmo, pelo contrário, que a sua mensagem é universal e, por isso mesmo, importante para todos os povos.

É bom entendermos, inicialmente, que as genealogias não são unicamente descendências pessoais, mas tornar patente o propósito de que Jesus tinha de subir ao trono de Davi e, por conseguinte, ser chamado Filho de Davi.

O nosso discípulo Mateus apresentou Jesus como herdeiro legal do trono de Davi. Já a genealogia de Lucas apresenta a descendência sanguínea de Jesus.

Confrontando as genealogias de Mateus e Lucas (Mateus 1.1-16 e Lucas 3.23-38), vemos que elas contêm diferenças vastíssimas e que desde o princípio da Igreja primitiva tem deixado perplexos a muitos eruditos, levando isso a complicadas e engenhosas explanações tentando explicar essas diferenças.

Na verdade, o que se pode afirmar sem hesitação, é que as diferenças e as lacunas nessas genealogias foram propositadamente feitas pelos autores. Apresentaram tão-somente uma espécie de sumário da ascendência de Jesus.

Na verdade, o que se pode afirmar sem hesitação, é que as diferenças e as lacunas nessas genealogias foram propositadamente feitas pelos autores. Apresentaram tão-somente uma espécie de sumário da ascendência de Jesus.

Aqueles que opinam que as genealogias de Mateus e Lucas seguem a linhagem de José, explicam que a de Lucas mostra a descendência pessoal de Jesus, pelo que apresenta muitos nomes não de reis ou da linhagem real, que Mateus não tinha razão para mencionar. Dessa forma, a genealogia de Lucas mostraria a descendência humana de Jesus, da parte de Davi e a de Mateus apresenta a descendência real de Jesus da parte de Davi.

A genealogia de Mateus trata especialmente da descendência real, referindo-se principalmente ao tempo dos reis – a linhagem real – à época deles. Por outro lado, se as genealogias apresentam ou não a descendência por parte de ambos, de José e de Maria, o certo é que Maria também era descendência de Davi (Lucas 1.27,32; 2.4,5), confirmado isso pelos pais da igreja: Jerônimo, Eusébio e Hegesipo.

Além do desinteresse dessas listas para os modernos, especialmente para os gentios, certo é que o Evangelho de Mateus também foi escrito visando leitores judeus e, assim, desde o princípio, tais leitores deveriam ficar satisfeitos porque os judeus sempre deram importância a esse tipo de registro, especialmente pela identidade e autoridade do Messias.

A abrangência do Evangelho de Mateus alcança satisfazer às necessidades da Igreja em crescimento, abordando problemas eclesiásticos. É um evangelho que foi escrito quando o cristianismo já existia há cerca de 50 anos, e, dificilmente, pode ser tido como um documento judaico. Erra-se quando se supõe que o Evangelho de Mateus, em qualquer sentido, visava unicamente aos “judeus” e não à Igreja, ainda que grande parte do mesmo refletia o período de transição do antigo para o novo.

O testemunho antigo é de que o Evangelho de Mateus visava, sobretudo, aos judeus recém-convertidos, como uma espécie de manual de instrução de fé. É um evangelho que se interessa pelas questões escatológicas, refletindo a crença dos cristãos primitivos de que o segundo advento de Cristo estava próximo, e que a Grande Tribulação surgiria com o aparecimento do anti-cristo (Mateus 24).

Mateus passa para seus leitores um Evangelho salvífico de Deus, tanto para os judeus como para os gentios, sem dever nada ao Evangelho de Lucas, que escreveu tentando alcançar um povo que apreciava a cultura – os gregos. Já Lucas, apesar de sua origem judaica, trata o cristianismo como religião universal, porque não reconhecia qualquer limitação racial ou cultural. A sua genealogia subentendia universalidade quando traça a genealogia de Jesus até Adão, e não até Abraão, o que também é um dos grandes temas de seu Evangelho.

Bibliografia

O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo (Champlin), V.1, págs. 262, 268; v.2, pág. 2. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia (Champlin), v.3, pág. 914; v.4, págs. 261, 262. Bíblia BRA (SBU, BV Films).

Por, Nemuel Kessler.

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