“Manipuladores” de Demônios

“Manipuladores” de DemôniosQuando lemos, 2 Timóteo 2.15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”, uma pergunta se destaca: Quem é o obreiro aprovado?

Este texto nos impõe duas condições: a) “não tenha do que se envergonhar”. Significa que precisamos ter vida digna e irrepreensível diante de Deus e dos homens; b) “manejar bem a palavra da verdade”. Significa que temos que conhecer bem a Bíblia.

Nos últimos anos, temos visto muita coisa acontecendo no meio do povo de Deus. Parece que não estávamos preparados para um crescimento tão grande e imediato. Nunca o Evangelho alcançou tantas vidas e isso se deve aos meios de comunicação cada vez mais evoluídos como a televisão, o rádio e principalmente a internet. Mas ao mesmo tempo, nunca a Igreja do Senhor Jesus Cristo precisou tanto de obreiros bem preparados quanto agora. Quanto mais a Igreja cresce, maior é a necessidade de obreiros bem preparados. Mas essa é uma das nossas maiores deficiências.

Devido ao maravilhosos crescimento do Evangelho, surgiu também uma espécie de corrida aos títulos e cargos de liderança. Surgiram, então, muitos pregadores leigos, sem nenhum preparo teológico, sem nenhum conhecimento de seus líderes, muitos até sem nenhum apoio financeiro, mas com toda a garra e coragem de ganhar almas e formar suas próprias igrejas. Além deles, surgiram também os pregadores profissionais que se infiltram no meio evangélico com o objetivo de ganhar dinheiro como se o ministério fosse uma profissão muito rentável.

Foram surgindo igrejas de nomes diferentes e costumes completamente estranhos. A internet está cheia de vídeos com cultos que nos fazem refletir profundamente em onde é que isso vai parar.

Temos igrejas caminhando de volta para o judaísmo, onde réplicas da Arca da Aliança são levadas com toda pompa, em direção ao púlpito, carregadas por obreiros vestidos de sacerdotes, enquanto o povo vai ao delírio causado pela emoção de poder ver a arca. Alguns chegam a desmaiar de emoção quando conseguem, com muita dificuldade, tocar no tal utensilio considerado sagrado por esse tipo de igreja.

Surgiram também igrejas cuja atração principal é exibir o poder que seus pastores têm sobre os “demônios”. O pobre endemoninhado rola, grita, anda de joelhos etc. Numa destas, a que mais me chamou a atenção recentemente, foi um pastor que alega ter o poder de prender os “demônios” dos pobres oprimidos dentro de garrafas pet. As tais garrafas precisam ser mantidas fechadas para que o tal “espírito não fuja e volte a atacar o pobre fiel”. O referido pastor, para demonstrar sua doutrina aos seus seguidores, abre novamente a garrafa e a pessoa, antes liberta, volta a ficar possuída.

A Bíblia é bem clara ao citar como Jesus lidava com essas criaturas malignas (Mateus 8.16; 17.18; Marcos 9.25; Lucas 8.2 e Lucas 10.17-20). Somente uma vez (Marcos 5) o Senhor dialoga com demônios, perguntando o seu nome e a resposta foi: “Legião, pois somos muitos”.

Não há na Bíblia nenhuma base teológica para ficarmos entrevistando os demônios. É sem sentido perguntas do tipo: “O que você está fazendo nesta vida?” etc. É lógico e evidente que o ser maligno pretende fazer com a vida de alguém. O que temos que fazer com a autoridade do nome de Jesus é expulsá-los o mais depressa possível, para a libertação imediata e definitiva do pobre endemoninhado.

Outro ponto de muita importância é que um demônio não possui corpo, não é feito de matéria, e, portanto, não pode ficar preso dentro de paredes; nenhuma parede ou barreira física os detém e muito menos as de uma garrafa. Não se trata de ficção de contos de fadas, de um gênio da lâmpada de Aladim, mas de um ser terrível, com o poder de possuir a mente e o corpo de uma pessoa e causar muitos males, tanto as outras quanto a si mesma.

Em Marcos 5, os demônio preferem corpos dos porcos pelo fato de precisarem de um corpo para sentirem as sensações físicas das quais são desprovidos. A coisa que limita o poder de uma demônio é se o dono do corpo possui um poder maior dentro de si: Jesus.

Jesus ensina em Lucas 11.19-26 a necessidade do mais poderoso (Ele) se apoderar da casa, para que o demônio não volte mais. “E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vosso filhos? Eles, pois, serão os vosso juízes. Mas, se expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus. Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem; mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos. Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. Quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares secos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha casa, de onde sai. E, chegando, acha-a varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem é pior do que o primeiro”.

Entretanto, na contramão de tudo isso, nunca vimos tantos seminários independentes, programas de rádio e televisão e outros meios de comunicação falando de igrejas e de seus grandes e maravilhosos líderes. Nunca tivemos tantas igrejas. Nunca o evangelho foi tão pregado, mas… Que evangelho? Que mensagem? Que ensino?

Nunca tivemos tantos diáconos, tantos presbíteros, tantos pastores, tantos bispos, tantos apóstolos. Nunca tivemos tanta briga para demonstrar qual o certo e qual o mais poderoso.

Enquanto tentam viver como deuses, Jesus, sendo Deus preferiu viver como homem. Embora Jesus sendo Deus, Seu maior feito foi como homem. Pense nisso e tente fazer o mesmo. Seja o mais humano possível e deixe que só os loucos e desumanos tentem viver como deuses.

E que Deus nos abençoe.

Por, Jorge Videira.

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