Limites aos filhos sem excessos

Limites aos filhos sem excessosA questão do estabelecimento de limites dos pais aos filhos vem sendo amplamente discutida entre especialistas. A falta de limites tem se tornado um problema de consequências graves. Uma criança, por exemplo, que não recebe limites tende a se tornar egoísta, manipuladora; não aceita regras, chama a atenção, faz birra para conseguir o que quer envergonhando os pais diante dos outros.

Se os responsáveis não mostrarem as fronteiras entre o certo e o errado ao seu filho durante a infância, na vida adulta ele poderá tornar-se instável e inseguro. Há uma tendência de culpá-los ao perceber que não lhe deram estrutura, tornando-o menos preparado para a vida.

Há outro aspecto ligado ao estabelecimento de limites, tão grave quanto a falta dele, que é o excesso. Quando há uma preocupação excessiva dos pais com relação aos limites a serem estabelecidos, os filhos também podem ser prejudicados. O excesso de limites pode trazer consequências relacionadas a autonomia, independência e autoconfiança dos filhos.

Como estabelecer limites de forma saudável, sem se exceder ou privar os filhos de fazerem suas escolhas? Como ajudá-los a tomar decisões sem impor a eles o que queremos, principalmente se esses filhos são adolescentes e jovens?

O escritor e psiquiatra, Augusto Cury afirma: “A pior maneira de preparar jovens para a vida é colocá-los numa estufa e ‘impedi-los’ de errar e sofrer. Estufas são boas para plantas, mas para a inteligência humana são sufocantes”.

Estabelecendo limites

Dizer “não” tem se tornado para alguns pais um desafio que está além das suas forças e convicções. Muitos chegam a ter medo de entrar em confronto com os filhos. Estabelecer limites é saber dizer “não” quando necessário, sem tolher o filho da sua capacidade de fazer escolhas.

Dizer “não” faz parte da educação dos filhos e é extremamente necessário para uma criação saudável. Quando dizemos “não” na hora certa, da forma adequada ajudamos os nossos filhos a descobrirem as fronteiras entre “o certo e o errado”. Porém se fazemos isso sem critérios, apenas imbuídos pelas nossas emoções trazemos prejuízos e não benefícios no desenvolvimento dos filhos. Como tudo em excesso é ruim dizer “não” sem necessidade poderá prejudicar os filhos.

A responsabilidade e a iniciativa da criança só têm condições de progredir pela liberdade. Para conquistar uma liberdade responsável, é imprescindível que haja autoridade. Vale salientar que autoridade não é o mesmo que autoritarismo, liberdade não é o mesmo que liberalismo, e disciplina não é o mesmo que opressão.

Cabe aos pais estabelecerem regras ou preceitos disciplinares porque os filhos precisam de parâmetros para enfrentar a vida. Porém, é importante que não haja discrepância nos padrões exigidos em relação ao contexto social.

Cuidado com a super proteção

Os pais devem treinar os filhos a fazerem suas escolhas. Até mesmo uma criança que ainda não consegue distinguir qual a roupa adequada para ir a uma festa, se lhe for dada a opção de escolha ela desenvolverá muito cedo a capacidade de escolher.

Pais super protetores não deixam os filhos tomarem iniciativa, antes de resolverem suas dificuldades tentando poupá-los do sofrimento e da frustração. A tentativa desses pais de evitarem que os filhos não cometam erros ou se arrisquem demais, não é saudável.

Exagerar na proteção do filho atrapalha no seu desenvolvimento, privando-os da liberdade de decidir. Mesmo que os pais percebam que a escolha que o filho está fazendo não é a melhor para ele não é eficaz colocar limitações severas, principalmente se esses filhos são adolescentes e jovens. O melhor caminho ainda é o diálogo.

Os pais devem acompanhar seus filhos e participar de suas vidas sem invadir a privacidade deles (não pegar muito no pé). É importante estabelecer uma relação de confiança mútua.

Preocupar-se com o futuro do filho é uma atitude louvável, mas decidir por ele não é correto. Cabe aos pais dialogar com os filhos e orientá-los nas suas decisões. Interferir na vida do filho é um poder legítimo que os pais podem exercer diante de situações em que este filho não possa decidir, mas tomar decisões pelo filho, quando este já tem maturidade para fazer suas escolhas, interferindo em qual a carreira que ele deve seguir, com quem deve casar, aonde deve morar, o que fazer com o dinheiro que ganha, que roupa usar é limitar esse filho totalmente da sua liberdade de escolha.

Evitando o excesso

É importante que haja um equilíbrio ao se estabelecer limites e proibições aos filhos, sabendo quando intervir e quando deixá-los decidir. O sucesso no estabelecimento de limites depende do cuidado, do respeito e da proteção dos pais em todas as etapas de desenvolvimento de seus filhos.

O estabelecimento de limites requer o uso de regras como, por exemplo, o horário de chegada em casa. Vale salientar que não devemos proibir apenas por proibir, é necessário saber se aquilo que estamos exigindo é condizente com a realidade. Se tivermos certeza que um determinado programa trará consequências negativas para suas vidas físicas e espirituais precisamos dizer “não!”. Se o filho desobedecer, deve ser corrigido.

Não podemos ser radicais, principalmente quando estamos lidando com adolescentes. Não devemos usar apenas a proibição; é mais eficaz dar e dividir responsabilidades para a vida e conscientizá-los quanto ao permitido e ao conveniente, a repercussão de suas atitudes e decisões: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4); “Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo” (Colossenses 3.21).

A arte de conscientizar, observando pontos favoráveis e desfavoráveis, ajuda os filhos a decidirem sobre o que fazer. “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me edificam” (1 Coríntios 10.23). O filhos tendem a aceitar melhor a disciplina, quando essa é aplicada com razão, sempre com base nas características diferentes dos filhos, com filosofia de vida própria à sua idade.

Desaprovar, apontar as coisas erradas e corrigir as más condutas dos filhos não são as únicas formas de educá-los. Um elogio, um abraço, um sorriso ou um gesto de amor e carinho reforçam um comportamento positivo.

Por, Jamiel de Oliveira Lopes.

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