Levitas se preparam para oficiar no Templo a ser construído

Após 2 mil anos de espera, novos sacerdotes estão prontos para a restauração da liturgia judaica e já anunciam para breve o reinício dos sacrifícios

Levitas se preparam para oficiar no Templo a ser construídoCelebrado do entardecer do dia 4 de setembro ao entardecer do dia 6, o ano novo dos judeus, de número 5774, teve, para os judeus ortodoxos, mais motivos de comemoração. É que no dia 20 de agosto, aconteceu a liturgia preparatória para retornar o “sacrifício perpétuo” que era realizado todos os dias pelos judeus. A iniciativa é um marco histórico, uma vez que será a primeira vez que o mandamento presente no Livro de Levítico é retomado em Jerusalém desde a destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 d.C. pelo general romano Tito.

Desde a saída do povo hebreu do Egito, existiram quatro santuários: o Tabernáculo, construído ainda na época de Moisés; o Templo original que o substituiu, construído pelo rei Salomão e destruído na queda do Reino de Judá pelos caldeus em 586 a.C.; o Templo restaurado após o exílio por Zorobabel; e, finalmente, o Templo em sua versão reformada e ampliada por Herodes, o Grande, cujas obras serviram como estratégia deste para conquistar a simpatia dos judeus. Desde a destruição deste último templo, há quase 2 mil anos, os sacrifícios perpétuos pararam. Porém, o anúncio feito à algumas semanas é de que eles irão retornar, o que remete às profecias bíblicas relativas ao final dos tempos, que falam que o Templo de Jerusalém e sua liturgia diária voltarão a existir, inclusive já no período do Anticristo.

Para a celebração dos rituais diários, levitas estão sendo treinados já há algum tempo. O treinamento dos cohanim (sacerdotes) é uma iniciativa do Instituto do Templo, conjugada a várias outras entidades comprometidas a reerguerem o Beit HaMikdash (Templo de Salomão) em Jerusalém. A iniciativa é um importante passo para a restauração da liturgia judaica. A primeira turma foi selecionada após uma parceria com a Mishmerer Kehunah, instituição que procura restaurar o ciclo sacerdotal do Templo.

Desde 2006, como divulgado na época pelo jornal Mensageiro da Paz, já funcionou o novo Sinédrio, que se reúne uma vez por mês em Jerusalém. Já existe, inclusive, uma comissão de sete rabinos que faz um estudo detalhado dos rituais judaicos a serem observados.

Para a celebração da litúrgica, foram selecionados jovens descendentes da antiga tribo de Levi, cuja ascendência levítica de suas famílias foi mantida durante os séculos através da preservação dos nomes ao nome do clã, sendo os mais comuns Levi, Levy, Levine, Leventhal, Levinson e Cohen. Todos os judeus com com esses sobrenomes são descendentes de Levi. Esse foi o método encontrado pelos judeus para que, após a destruição do Templo, a descendência de de Levi não se perdesse na história.

Os escolhidos foram designados para assistirem as primeiras aulas sobre a maneira de usar as roupas especiais de acordo com as prescrições bíblicas e como se comportar durante os rituais na tradição dos levitas originais. Eles também fizeram um sorteio a fim de saber qual levita iria oficializar o primeiro serviço de sacrifício do dia. Para os especialistas, esse fator é relevante, porque, para os judeus que creem nas profecias que falam acerca da restauração do Templo, isso representa um sinal da vinda do Messias. Vale lembrar que os judeus ortodoxos não acreditam em que Jesus de Nazaré é o Messias, mas apenas um grande rabino. Para eles, a restauração do Templo é um sinal da vinda do Messias; para nós, cristãos, que sabemos que o Messias já veio, a restauração do Templo é apenas mais um sinal da proximidade da Segunda Vinda do Messias.

Os levitas, como sabemos, eram descendentes de Levi, filho de Jacó. Em Números 3.6-10, acham-se estabelecidas as duas classes dos levitas: Arão e seus descendentes, a quem Deus selecionou para o sacerdócio de Israel; e os que serviam de auxiliares aos sacerdotes e desempenhavam diversos ofícios menores do Santuário.

Os sacerdotes eram os encarregados do culto divino. Eles atuavam como mediadores entre Deus e o povo. Na época de Davi, no período da preparação para construção do Templo em Jerusalém, eles tiveram suas funções especializadas, sendo a principal delas o oferecimento dos sacrifícios.

Até agora, os levitas treinados pelo projeto oficial de reconstrução do Templo já foram divididos em turmas, mas não foi sacrificado nenhum animal ainda pelo grupo. As imagens divulgadas por eles, no entanto, já mostram bastante atividade por parte dos religiosos: os preparativos para a oferta do incenso, o toque das trombetas e a limpeza ritual do candelabro, juntamente com o ensaio das orações adequadas e das canções tradicionais.

Segundo o anúncio oficial, “na noite de 14 de Elul, 5773, o Instituto do Templo, em cooperação com Mishmerer Kehunah (Organização para a Renovação dos turnos sacerdotais) e outras organizações, inaugurou uma nova escola dedicada ao ensino da ‘arte perdida’ de executar diariamente o serviço Tamid no Templo Sagrado”. A entidade funciona há 26 anos e desde então suas atividades são voltadas para a reconstrução do santuário no Monte Moriá. Em 2012, a organização manifestou o desejo de retornar o sacrifício público com o objetivo de lembrar aos judeus a tradição religiosa. Apesar das suas intenções, a polícia israelense frustrou seus planos de realizar o primeiro sacrifício, por medo de que esse ato incitasse a revolta da comunidade islâmica.

Quanto aos utensílios sagrados que fazem parte da liturgia judaica, o Instituto já divulgou que concluiu a produção de todas as 102 peças do santuário, feitos seguindo exatamente as orientações registradas no Livro do Êxodo. Segundo seus representantes, todos os utensílios necessários já estão prontos, incluindo nessa lista a Arca da Aliança e os projetos arquitetônicos para a reconstrução.

Esse incremento em torno da volta do culto judaico tal qual celebrado pelos antigos hebreus, tem sido alvo de variadas especulações. Segundo os judeus ultra ortodoxos, o Antigo Testamento dá conta de que o Messias será o único capaz de restaurar o Templo, então, para eles, é tudo questão de tempo – ou melhor, de esperar o Messias vir para Ele mesmo realizar a reconstrução. Entretanto, outros grupos ortodoxos ensinam que o povo judeu é digno de recepcionar o Messias e, para isto, ele deve estar devidamente preparado, inclusive no que diz respeito à reconstrução do Templo. Essas interpretações têm levado vários grupos ortodoxos a enviar ao Instituto do Templo várias doações, advindas de todos os setores da comunidade judaica espalhada pelo planeta, a fim de tornar real a reconstrução do Templo em Jerusalém. O curioso é que até alguns ministérios cristãos estiveram contribuindo com o movimento de reconstrução do Santuário.

Um dos mais tradicionais utensílios do culto judaico, o candelabro (Menorah) já é uma realidade. O objeto é feito de mais de 40 quilos de ouro maciço e custou 3 milhões de dólares. No dia 21 de Maio de 2009, um grupo de judeus ortodoxos denominados “Movimento de Fidelidade à Terra de Israel e ao Monte do Templo” desfilou pelas ruas de Jerusalém juntamente com uma pedra de quase quatro toneladas. Os religiosos disseram que se tratava da pedra angular para a edificação do terceiro Templo de Jerusalém.

Enquanto os antigos rituais judaicos são retomados para futuras cerimônias na capital de Israel, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem olhos fixos na região onde hoje abriga a Mesquita de Al-Aqsa cujas estruturas estão comprometidas.

Em 2009, o então deputado Netanyahu afirmou: “Alguns políticos estão tentando diminuir a importância do Monte do Templo para o povo judeu, referindo-se a ele como a ‘Bacia Sagrada’. Nós, como judeus, sabemos quem edificou o Monte do Templo”.

Recentemente, essas declarações misturadas a um forte sentimento religioso voltaram à baila mais uma vez, quando o atual ministro da Habitação e Construção de Israel, Uri Ariel, revelou a necessidade de “construir um Templo judaico no Monte do Templo”. Em discurso no dia 4 de setembro, disse o ministro: “O Monte do Templo é o lugar mais sagrado para o povo judeu, e deve ser aberto a qualquer hora para todos os judeus. Vou continuar apoiando o Estado para termos plena soberania sobre o local santo de Israel. Esta é uma questão inegociável, sem espaço para discussão”. Antes, o governo israelense evitava tocar no assunto, mas a declaração mostra uma clara mudança no discurso político.

O fervor religioso tem como aliado os sérios problemas estruturais na base da mesquita: o jornal Israel Today noticiou, no final de agosto, um colapso na parte do platô do Monte do Templo (que totaliza 14 hectares). Nos últimos cinco anos, este foi o segundo colapso próximo à mesquita, gerando riscos à segurança e à estabilidade da estrutura islâmica. Especialistas já detectaram, em uma área de 190 metros quadrados do muro que cerca o local, uma inclinação de cerca de 70 centímetros.

Além disso, a proibição dos judeus fazerem o serviço religioso no local é pauta na agenda do diretor-geral do Ministério para Assuntos Religiosos de Israel que deseja rever essa questão. Apesar de a lei atual permitir que os judeus subam ao Monte e orem, as autoridades vetam quaisquer visitas para impedir que muçulmanos exaltados ataquem com pedras aqueles que costumam visitar o lugar. A intenção dos judeus de retirar a Mesquita do local já provocou ameaças de guerra por parte dos países muçulmanos, por causa disto, o Instituto do Templo não definiu ainda quando pretende começar a construção.

Mesmo com material que garante suporte ao culto israelita já pronto, e o nome do rabino Chaim Richman, diretor do Instituto, indicado para assumir a vacância do mais alto posto na hierarquia sacerdotal, o de sumo sacerdote, os novos sacerdotes não sabem quando poderão começar a atuar, mas querem estar prontos o quanto antes, pois acreditam ser cumprimento profético a reconstrução do Templo e a retomada dos serviços sacerdotais para o bem espiritual da nação. Jesus está voltando.

Por, Mensageiro da Paz.

2 Responses to Levitas se preparam para oficiar no Templo a ser construído

  1. claudio disse:

    Por que não constroem ao lado da Mesquita(o tal domo da rocha)? Afinal o primeiro templo foi construído no mesmo local onde o segundo templo foi construído? Por que não arrumam um terreno grande vizinho a esse domo da rocha, abençoa o terreno e começa a construção? Por que tem que ser necessariamente onde o segundo templo foi construído e não onde o primeiro foi construído? ou por que não pode ser em outro local, se o que importa é a adoração ao Criador?

    • Sérgio Saraiva disse:

      Cláudio, qualquer pessoa em sã consciência sabe que para sua resposta é se trata de uma profecia de Deus, se é de Deus tem que ser como Deus profetizou e não como você quer, a final quem é a criatura e quem o criador? quem somos nós para indagarmos à Deus sobre sua vontade?

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