Líderes no Fórum Cidadania Assembleia de Deus Brasil aprovam criação de partido

Evento reuniu lideranças da Assembleia de Deus e políticos assembleianos de todo país; uma palestra sobre leis que ameaçam a família e a igreja deve percorrer o país

Líderes no Fórum Cidadania Assembleia de Deus Brasil aprovam criação de partidoNos dias 19 e 20 de fevereiro, a cidade de Brasília recebeu o Fórum Cidadania AD Brasil, um encontro promovido pelo Conselho Político da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), reunindo a Bancada da Assembleia de Deus no Congresso Nacional, líderes da denominação e políticos assembleianos de todo o país. O evento foi realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmera dos Deputados, com capacidade para mais de 300 pessoas. O presidente da CGADB, pastor José Wellington Bezerra da Costa, esteve presente dirigindo as reuniões no primeiro dia.

Na tarde do dia 19, abrindo os trabalhos, ocorreu uma reunião dos colaboradores do projeto nacional de evangelização durante a Copa do Mundo no Brasil, o Projeto AD na Copa. Ao final da reunião, o senador batista Magno Malta, do PR do Espírito Santo, apareceu para saudar os presentes e parabenizá-los pelo evento, e pediu orações a todos porque acabara de anunciar a sua pré-candidatura à Presidência da República em reunião do seu partido.

Criação do Partido Republicano Cristão

No final da tarde, após a reunião do Projeto Ad na Copa no Auditório Nereu Ramos, presidentes de convenções regionais da CGADB e seus representantes, a Bancada da Assembleia de Deus no Congresso Nacional (presente quase em peso), o presidente da CGADB, pastor José Welington, e o pastor Lelis Washington Marinhos (SP), líder do Conselho Político da CGADB, se reuniram no Plenário 14 da Câmara dos Deputados para uma conversa privada para tratar sobre algumas diretrizes que a bancada assembleiana deverá seguir nos próximos meses. Um dos assuntos tratados e aprovados na reunião foi a criação de um partido político evangélico, o Partido Republicano Cristão.

“O partido já se encontra devidamente registrado. Precisamos apenas de alguns pequenos ajustes em seu Estatuto Social, conforme sugestões do Conselho Jurídico da CGADB, e de completar 492 mil assinaturas necessárias para que o partido seja registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral”, explicou pastor Lélis. Segundo o líder, já foram conseguidas mais de 150 mil assinaturas e o objetivo é, com a ajuda da igreja no Brasil, chegar, ainda neste ano, a superar o número necessário de assinaturas. Se registrado, o partido só poderá participar de eleições a partir dos pleitos municipais de 2016.

Durante a reunião, os parlamentares da bancada assembleiana ressaltaram a importância da criação de um partido. Segundo eles, anteriormente se pensava que a presença dos evangélicos no Congresso Nacional, independente de partidos, já seria suficiente para fazer a diferença tanto no Congresso como nesses partidos. Hoje, porém, a realidade é outra. “Devido às vitórias que tivemos no ano de 2013, quando impedimos praticamente todos os projetos que tramitavam no Congresso Nacional contra a família e a igreja, como é o caso do extinto PL 122, passamos a ter, a partir deste ano, alguns problemas. Os líderes dos partidos aos quais pertencemos estão evitando, provavelmente por orientação ou pressão do governo, de indicar parlamentares evangélicos para representarem seus partidos em comissões que tratam de assuntos que interessam à igreja e à família. Estamos sendo boicotados”, explicou o pastor e deputado federal Ronaldo Fonseca (DF), líder da Bancada da Assembleia de Deus.

O deputado federal Paulo Freire, líder da Assembleia de Deus em Campinas (SP) e presidente da Frente Parlamentar Evangélica, citou um exemplo naquela semana. “Está tramitando na Câmara, em regime de urgência, um projeto de lei que pretende legalizar a prostituição antes da Copa do Mundo de 2014, sob o pretexto de atender à demanda dos turistas que estão vindo para o Brasil. Isso é uma vergonha. O projeto deveria ser primeiro avaliado nas comissões desta casa para, só depois, eventualmente, ir à votação no plenário; só que, para que ele seja aprovado a tempo para a Copa do Mundo, seus proponentes conseguiram a autorização para a criação de uma comissão especial que fará o trabalho de avaliação no lugar dessas comissões. É uma alternativa regimental. Eles apelaram para esse recurso porque temos parlamentares nossos na Comissão de Direitos Humanos e na Comissão de Seguridade Social e Família, onde esse projeto teria de passar. Logo que saiu a decisão pela comissão especial, nossos parlamentares tentaram fazer parte dessa nova comissão, mas a liderança dos seus partidos lhes negaram a indicação, colocando outros nomes que não se oporão ao projeto. Isso não aconteceria se tivéssemos um partido próprio, pois isso obrigaria a inclusão de pelo menos um representante do nosso partido na referida comissão”.

Em seguida, falaram, dentre outros, os deputados federais pastores Marco Feliciano (SP) e Francisco Eurico (PE), que lembraram que muitas outras leis que ferem os valores estão tramitando no Congresso Nacional e “a pressão nessa casa é grande para sua aprovação”. O deputado Feliciano também fez um “mea culpa”, dizendo que, antes de entrar no Congresso, apoiou candidatos de determinadas linhas ideológicas porque até então não entendia perfeitamente o que era política. Porém, depois de chegar ao Congresso e se deparar com o dia-a-dia na casa das leis, foi despertado para a importância da questão ideológica, passou a estudar o assunto e mudou sua visão política. “Hoje entendo o perigo das ideologias de esquerda”, afirmou.

Partido recebe apoio de lideranças da Assembleia de Deus

Diante das palavras dos parlamentares, os pastores presidentes de Convenções regionais presentes apoiaram a criação do partido. Se manifestaram em apoio os pastores Nelson Henrique Mesquita, presidente da Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus no Piauí (Ceadep); Valdomiro Pereira da Silva, presidente da Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia (Ceadeb); Israel Alves Ferreira, presidente da Convenção Fraternal dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus no Estado da Bahia (Comframadeb); Orcival Xavier, presidente da Convenção de Ministros das Assembleias de Deus de Brasília e Goiás (Comadebg); e Rinaldo Alves, presidente da Convenção de Ministros das Assembleias de Deus no Planalto Central (Comadeplan). Os pastores Valdomiro Pereira e Israel Ferreira também prometeram se esforçar para conseguirem juntos pelo menos 100 mil assinaturas entre os assembleianos baianos para o registro do Partido Republicano Cristão junto ao TSE.

O pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da CGADB, falou que inicialmente via a criação de um partido evangélico com certo receio, porque aprendeu desde cedo, com os pastores assembleianos mais antigos, que “igreja não deve se envolver em política”; porém, acrescentou que, “devido ao atual contexto que a igreja no Brasil vive, e que é bem diferente do vivido pelos assembleianos de épocas passadas”, com ameaças prementes de aprovação de “leis que afetam a família e a igreja, reconheço a necessidade de criação de um partido com valores de nossa igreja”.

O pastor e advogado Abiezer Apolinário (BA), presidente do Conselho Jurídico da CGADB, e o pastor Antônio Lorenzetti (RN), promotor de justiça e membro do referido Conselho, também emitiram a sua opinião, deixando claro aos pastores que, pela legislação brasileira, não é proibido a uma igreja ou organização eclesiástica criar um partido político.

Há hoje 32 agremiações partidárias registradas no TSE, sendo que três delas possuem a palavra “cristão” em seu nome: o Partido Social Cristão (PSC), o Partido Trabalhista Cristão (PTC) e o Partido Social Democrata Cristão (PSDC). Além disso, existem ainda pedidos de reconhecimento do Partido Cristão (PC), do Partido Cristão Nacional (PCN) e do Partido Progressista Cristão (PPC), que ainda não reuniram número necessário de apoiadores. Alguns desses partidos são formados por evangélicos e possuem vários pastores e bispos em seus quadros. O PPC foi fundado pelo advogado evangélico Eurípedes José de Farias. Há ainda o caso dos já registrados Partido Ecológico Nacional (PEN), fundado pelo pastor Adilson Barroso; e do Partido da República e Ordem Social (PROS), fundado e presidido pelo evangélico Eurípedes Junior, filho de uma pastora. Sabe-se também que o Partido Republicano Brasileiro (PRB) possui vínculos estreitos com a Igreja Universal do Reino de Deus.

Como frisado pelo site Gospel Prime, que repercutiu, assim como o site CPADNews, a decisão de criação do Partido Republicano Cristão, “um dos fatores que chama a atenção é que esses outros partidos cristãos não possuem uma linha clara. Alguns apoiam incondicionalmente o governo federal, liderado pelo PT, e que tem uma agenda com várias pautas que conflitam diretamente com as bandeiras históricas dos grupos cristãos, como legalização do aborto, das drogas e do casamento gay”. O Partido Republicano Cristão viria na contramão disso.

Palestras conscientizam liderança da Assembleia de Deus

Após a reunião privada no Plenário 14, ocorreu à noite um culto no Auditório Nereu Ramos, com a presença do presidente da CGADB, do presidente da Bancada da AD, do presidente da Frente Parlamentear Evangélica, do presidente do Conselho Político da CGADB e de pastores e políticos assembleianos de todo o país. Após ser formada à mesa, cantou-se o hino nacional e foi feita uma oração de abertura. Os oradores foram o pastor José Wellington, presidente da CGADB, que conclamou os políticos assembleianos “a fazer, com as mãos limpas e o coração puro, seu trabalho para Deus, para o povo e para a Igreja do Senhor Jesus”; e os deputados federais Hidekazu Takayama (PR), Francisco Eurico (PE) e Ronaldo Fonseca (DF). O pastor Takayama lembrou a passagem de Mateus 10.16 para enfatizar que a igreja tem o lado espiritual, representado no texto bíblico pela figura da pomba, e o material, simbolizado pela figura da serpente, e que uma vez que estamos “como ovelhas no meio de lobos” aqui na Terra, a participação política da igreja se faz necessária como parte de sua responsabilidade de ser “prudente como a serpente”.

O culto terminou com momentos de confraternização, com os dezenas de políticos assembleianos de todo o país presentes à reunião tirando uma foto juntamente com a mesa. Na manhã e na tarde do dia 20 de fevereiro, ocorreram, no Auditório Nereu Ramos, duas palestras que conscientizaram os pastores e políticos assembleianos dos perigos de alguns projetos de leis que estão tramitando atualmente no Congresso Nacional.

Pela manhã, a palestra sobre o anteprojeto do novo Código Penal, proferida pelo pastor e promotor de justiça Antônio Lorenzetti, conscientizou os líderes políticos assembleianos sobre os perigos que ainda há de matérias como a liberação do aborto, das drogas, da eutanásia e da prostituição como profissão, e da legalização da pedofilia a partir dos 12 ou 14 anos de idade, serem aprovadas no Brasil via novo Código Penal. Paralelamente à reunião da manhã, no Plenário 15, ocorreu mais uma reunião sobre o Projeto AD na Copa com presença da direção nacional e dos coordenadores regionais do projeto.

À tarde, o deputado federal assembleiano Marcos Rogério, de Rondônia, proferiu uma palestra tratando tanto sobre o no Código Penal quanto sobre outros projetos de interesse da igreja e da família brasileira que trazem propostas preocupantes e estão tramitando no Congresso Nacional atualmente.

Tanto ao final da palestra da manhã quanto da tarde, houve espaço para debates, com pastores políticos assembleianos se revezando na tribuna ao tratarem dos temas levantados. O pastor Everaldo Dias Pereira, outro pré-candidato à Presidência da República pelo PSC, também esteve presente e discursou. O pastor Abiezer Apolinário (BA) e o pastor e deputado federal Paulo Freire (SP) conclamaram os pastores a convocarem as igrejas a orarem pelos parlamentares em Brasília e pela situação do país. O evento terminou às 17h e, em todos os presentes, se viu o sentimento expresso de aprovação do Fórum, que deverá ter suas palestras reeditadas em outras regiões do Brasil nos próximos meses, a pedido das próprias lideranças presentes ao evento.

“Este evento contribui muito não só para o crescimento político do nosso povo, mas também para despertar, no coração da nossa liderança, a necessidade de elegermos o maior número de representantes da nossa igreja para a casa de leis. Muita gente não tinha consciência do que se passa nessa casa, e como vários assuntos foram ventilados relacionados a esses projetos de lei que nos causam tantos prejuízos, todos estão voltando para suas igrejas conscientizados sobre esses projetos prejudiciais, mas certos também de que nossa bancada, que precisa do nosso apoio, fará de tudo para barrá-los”, afirmou pastor José Wellington, líder da CGADB.

“Temos certeza que o resultado desse evento estará se expandindo para todos os Estados da nossa Federação e que teremos um grupo de irmãos mais conscientes da decisão de seu voto, que, sem dúvida alguma, estará fazendo grande diferença para o projeto Cidadania AD Brasil”, afirmou pastor Lélis Washington Marinhos, presidente do Conselho Político da CGADB.

Por, Mensageiro da Paz.

One Response to Líderes no Fórum Cidadania Assembleia de Deus Brasil aprovam criação de partido

  1. meire disse:

    tem mais coisa a ser feita pro Reino de DEUS do que perder tempo com política…

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