Lábios mentirosos que cantam

Lábios mentirosos que cantamAs maneiras de mentir são as mais variadas possíveis. Muitas pessoas orgulham-se de jamais terem proferido uma só mentira, mas creio que muitas das tais, caso leiam este artigo, ficarão surpreendidas e envergonhadas consigo mesmas ao descobrirem que mentem quando cantam nos cultos de adoração de suas igrejas. Vamos observar algumas mentiras cantadas semanalmente por alguns dos nossos irmãos. Espero em Deus que após esta leitura repensemos como estamos cantando ao Senhor.

Muitos cantam “meu desejo é orar” (Harpa Cristã 115) e “com Jesus a minh’alma deseja estar no jardim em constante oração” (Harpa Cristã 296), e mesmo assim já não tiram a cota mínima do tempo de oração estabelecida por Jesus: “Nem uma hora, pudeste velar comigo [em oração]? (Mateus 26.40). Em muitos lugares as chamadas “vigílias de oração” são noites de “cantorias” e “profetas alugados” passam a noite entregando bênçãos. Tudo ali acontece, menos oração com clamor e lágrimas. O leito de muitos já não é banhado das lágrimas da oração pelas madrugadas e a maioria do povo fica o período de oração dos cultos sentada, conversando. Assim, se você está incluso no quadro acima, é hora de repensar quando cantar hinos que falam do anelo da oração.

Muitos ainda cantam a plenos pulmões: “Com valor sem temor, por Cristo prontos a sofrer, bem alto erguei o seu pendão, firmes sempre até morrer” (Harpa Cristã 46). Ora, o pendão de Cristo é o Evangelho em sua pureza e a doutrina neotestamentária em sua simplicidade, mas muitos que cantam este hino já derribaram o pendão de Cristo, pois os princípios inegociáveis do Evangelho para os tais já não valem muita coisa e pregam um evangelho “inclusivo” que agrega a todos. Afinal, o que importa é “casa cheia”, sofrer por Cristo e seu Evangelho puro, isso nem passa pela cabeça, mas seguem cantando (e mentindo).

Um dos hinos mais cantados entre nós é o que diz “irmãos amados e resgatados, vivei unidos, pois sois remidos” (Harpa Cristã 175). Entretanto, alguns que cantam esse hino brigam por qualquer coisa e, para conseguir seus objetivos ambiciosos, são capazes de tudo, a ponto de até caluniar seu irmão; qualquer expediente sórdido é usado, desde que se deem bem. Não sei como Deus olha para os tais na hora do cântico congregacional.

Uma mentira gravíssima é quando muitos cantam “Eu quero trabalhar pra meu Senhor, levando a palavra com amor” (Harpa Cristã 115). Vários que cantam esse hino nunca testificaram de Jesus para ninguém, nunca levaram um colega de classe ou trabalho para assistir um culto, nunca entregaram um folheto, passam os domingos à tarde brincando com jogos eletrônicos ou assistindo uma partida de futebol e nunca vão à evangelização. Que grande mentira quando estão cantando!

Outra mentira terrível é quando muitos cantam: “Santa Bíblia para mim, és o meu tesouro sim” (Harpa Cristã 499), pois muitos só pegam a Bíblia quando vão à igreja e ela passa a semana empoeirada. Pesquisas recentes mostram que as últimas décadas são caracterizadas pelo analfabetismo bíblico. Passagens bíblicas que crentes de outras gerações sabiam de cor já não são mais conhecidas por crentes da atualidade. Em uma pesquisa sobre os conhecimentos bíblicos dos evangélicos, feita em determinada metrópole brasileira, um “pastor” afirmou que Jesus nasceu em Jerusalém.

O que dói no coração de Deus ainda mais é quando muitos de nós cantamos “minha vida, seja sim, consagrada a ti Senhor” (Harpa Cristã 432). Sem pensar no que cantamos, muito se faz o contrário, pois muitos corpos estão profanados pela fornicação, mentes altamente poluídas mediante sites infames da internet, pés que vão a lugares onde o Senhor não está; o tempo já não é consagrado no “labor do Senhor”, mais sim em futilidades e diversões incompatíveis com a fé cristã.

Não somente nós, mas todo o mundo evangélico tem sido atingido pela “síndrome da mentira cantada”. Muitos cantores gospel têm gravado lindas melodias que são cantadas nos cultos pelos ministros de louvor acompanhados, por cerca de uma hora, pelo povão nas igrejas de caráter mais moderno. Cantam com toda a força: “Entra na minha casa, entra na minha vida, mexe com minha estrutura […] ensina-me a ter santidade”. Quando terminam de cantar, Jesus continua do lado de fora, pois na realidade, muitos nem querem santidade, nem querem que Jesus mexa nas estruturas pecaminosas de suas vidas, e assim, tudo continua do mesmo jeito. Outros cantam afirmando que essa é a “geração que não tolera Jezabel e que ora como Daniel”. Meu Deus, misericórdia! Pois “Jezabel” impera em muitos lugares e “Daniel” só Deus sabe por aonde anda.

Como “nada há novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1.9), estas coisas aconteciam nos dias de Amós, o povo adorava de boca para fora, os louvores eram mero formalismo e Deus bradou: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei a melodia dos teus instrumentos” (Amós 5.23). Lembremo-nos de que louvor mediante o cântico faz parte da adoração e Ele só recebe a adoração dos verdadeiros adoradores, que “o adoram em espírito e em verdade” (João 4.23).

Soli Dei Gloriae!

Por, José Orisvaldo Nunes.

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