Ken Ham e Bill Nye debatem fé e ciência

Confronto das visões criacionista e evolucionista repercutiu nos EUA

Ken Ham e Bill Nye debatem fé e ciênciaNa noite de 4 de fevereiro, um debate envolvendo um cientista criacionista e um cientista evolucionista, assistido por um auditório lotado e transmitido ao vivo pela internet, repercutiu no meio cultural dos Estados Unidos. De um lado, o Dr Ken Ham, fundador do instituto criacionista Answers in Genesis (“Respostas em Gênesis”), professor com especialização em Ciência Aplicada e autor do best-seller Criacionismo: verdade ou mito (CPAD); e do outro, o Dr. Bill Nye, aluno e discípulo do célebre cientista ateu Carl Sagan, engenheiro mecânico e cientista educacional, mais conhecido pelo seu programa de televisão Bill Nye, The Science Guy (“Bill Nye, o Cara da Ciência”), que, de 1993 a 1998, ensinava para jovens e adolescentes de todos os EUA a ciência na visão evolucionista. No Brasil, o programa de Nye chegou a passar na Rede Globo de Televisão nos anos 90, com o nome Eureka.

Repercussão midiática

O debate entre Ham e Nye foi realizado no auditório do Museu da Criação do Answers in Genesis, em Petersburg, Kentucky, com capacidade para 900 pessoas sentadas. Poucos minutos após o anúncio da data do debate e do início da venda das entradas, todos os ingressos, com valor unitário de 25 dólares, já haviam sido vendidos. As redes de notícias CNN e Fox News divulgaram o evento, e o site da revista Time divulgou sua seleção de excertos de falas de Nye e Ham no debate. Cerca de 10 mil igrejas, escolas, grupos e outras instituições, dentre elas a Universidade Liberty, na Virgínia, transmitiram o debate ao vivo via streaming. O site Debatelive.org também transmitiu ao vivo as 2 horas e 45 minutos de discussões entre os dois debatedores, que podem ser assistidas agora, na íntegra, no referido site ou no canal do Answers in Genesis no Youtube.

Uma semana após o debate, mais de 1,5 milhão de pessoas já haviam assistido o vídeo em HD Bill Nye Debates Ken Ham no Youtube. A Christianity Today e o Christian Post, as duas principais publicações evangélicas nos Estados Unidos, divulgaram a repercussão do debate.

O debate ganhou repercussão em vários sites nos Estados Unidos e aconteceu em um momento em que, segundo pesquisa Gallup, a maioria dos norte-americanos ainda se diz criacionista. De acordo com a última pesquisa Gallup sobre o assunto, de junho de 2012, 46% dos norte-americanos são criacionistas, 32% são evolucionistas (creem que Deus guiou a evolução), 15% são evolucionistas ateístas e 7% não têm posição definida sobre o assunto.

Repercussão entre especialistas

Após o debate, muitas foram as manifestações sobre o assunto. De forma geral, os criacionistas elogiaram o debate, enquanto alguns cristãos adeptos do Design Inteligente (uma vertente criacionista científica) lamentaram o fato de Ken Ham não ter explorado muito os argumentos do DI em suas falas. Os evolucionistas, por sua vez, procuraram valorizar as falas de Nye que acreditam fortalecer a visão científica e de mundo deles.

“Debates como esse, entre Ham e Nye, são realmente úteis, apesar de eu não concordar totalmente – ou não estar totalmente em desacordo – com um ou com o outro. O caso é que, pelo menos, há pessoas falando e pensando e talvez até mesmo explorando o tema mais plenamente por conta própria. Esse é o melhor resultado”, afirmou Michael Behe, bioquímico da Universidade Lehigh e autor do best-seller “A caixa preta de Darwin”.

“Debater interesses públicos jamais pode ser algo sem valor. Com a condição de que você tenha um debatedor capaz representando a verdade, a causa do Reino de Deus pode avançar muito através de debates”, ponderou o pastor Doug Wilson, ministro da Igreja de Cristo em Moscou, Idaho.

“Nessa competição mediática de hoje, esse debates criam muito barulho e encontram um grande público, e tendem a trair principalmente o público da igreja”, afirma Edith Blumhofer, historiadora do Wheaton College.

“Debates entre porta-vozes cristãos e inimigos agnósticos, ateus ou seculares têm longa história na América, e a teria da evolução tem sido muitas vezes o tema de destaque. Esses debates muitas vezes servem como um exercício para reformar crenças e concepções já formadas”, declarou Larry Eskridge, diretor-adjunto do Instituto para o Estudo dos Evangélicos Americanos.

“Eu sempre fico desconfiado de pugilismo apologético. Francamente, eu ainda não encontrei alguém que foi trazido para o Reino de Deus dessa forma, mas isso não quer dizer que debates não tenham que acontecer”, afirmou Randall Balmer, da Universidade Dartmouth.

“Persuasão é central para compartilhar as Boas Novas, mas persuasão não é manipulação. Debatedores não são todo-poderosos, e as audiências muitas vezes resistem a serem persuadidas se elas já não concordam com o argumento. Assim, o debate pode ter criado o espetáculo, mas não pode ganhar quaisquer novos convertidos”, declarou Christine Gardner, professora assistente de Estudos de Retórica e de Mídia da Universidade Willamette.

Não muito satisfeito com o debate, Tim Stafford, autor do livro “A Questão Adão”, afirmou: “Um debate sobre criação e evolução é quase certo que lançará mais calor do que luz; e diante de uma plateia de leigos, os debatedores quase sempre procuram os aplausos. Se você já encontrou algum debate presidencial que esclareceu os problemas enfrentados pelos Estados Unidos, então você deve ter amado este debate”.

Duas curiosidades é que, o Dr. Bill Nye declarou que não era ateu, mas agnóstico. Outra curiosidade é que o famoso militante ateísta britânico Richard Dawkins, ao saber do debate, fez uma campanha para que Nye desistisse de debater com Ham para que “não se rebaixasse”. Nye, porém, foi ao debate, que pode não ter esclarecido tudo a todos, mas já se tornou um marco nos EUA.

Por, Mensageiro da Paz.

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