Juntos como ovelhas de Bozra

ovelhasA queda das receitas do petróleo, a privatização de setores essenciais, como água e telecomunicações, além da substituição da mão de obra local por levas de trabalhadores imigrantes por baixos salários tem levado a um descontentamento crescente

Mesmo as verdades proféticas mais incontestáveis por vezes despertam em quem as recebe o questionamento sobre a maneira como virão a se cumprir. Os que estudam as profecias bíblicas estão afeitos a essa situação. Cremos, mas ousamos perguntar ‘como’ poderá vir a ser, diante das circunstâncias impossibilitantes. Findamos, fortalecidos por outras realizações de que fomos espectadores, quedados pela força da fidelidade de Revelador. Assim o quadro escatológico vai ganhando cores e sentidos diante de nossos olhos, diante de uma geração privilegiada que experimenta os eventos que nossos pais apenas esperaram com fé. O espanto e o suspense, no entanto, parecem acompanhar, mesmo o crente, pela maneira como o Senhor vai preparando o fundo histórico no qual a profecia se desenvolverá.

Quem não manifesta tais sensações ao ler a comparação que faz o pastor Severino Pedro da Silva em seu livro Escatologia – Doutrina das últimas Coisas (CPAD) entre a já ocorrida fuga dos cristãos do primeiro século, prevista por Jesus e cabalmente cumprida, conforme nos atesta o historiador Eusébio, e o evento futuro, em que o Israel Fiel precisará buscar refúgio no deserto, sendo perseguido pelos exércitos do Iníquo? (Apocalipse 12.14).

“Este ‘deserto’ conforme designa o termo, é o ‘… lugar preparado por Deus’ durante a Grande Tribulação. Como já tivemos a ocasião de ver, no ano 70 d.C. Deus preparou a cidade de Pela, uma das cidades de Decápolis, como ‘refúgio’ para os crentes. Semelhantemente, Deus usará novamente este método de proteção; só que desta vez, será Petra, no monte Seir, na terra de Moabe (Sela ou Petra, a cidade da Rocha é uma das maravilhas do mundo, localizada no sudeste do mar Morto), como um possível esconderijo. Pode acomodar 250 mil pessoas. E para lá, Deus enviará o Israel Fiel (a mulher) para que seja preservada da ‘vista da serpente’ …” (pp. 109 e 110). Há alguns anos atrás, pela misericórdia do Senhor, pude pisar a região citada, inclusive as cidades de Bozra e da chamada Petra Pequena, contemplando e atestando que, da parte do Senhor, “tudo preparado já está”. Apenas a condição curiosa e por vezes ansiosa de ser humano nos faz insistir na pergunta: Senhor, como?

A região citada fica localizada ao sul da Jordânia, fazendo parte do reino dos hachemitas. Estes são originários do Hejaz e compõem uma família que os britânicos, mandatários da região durante a Primeira Grande Guerra, colocaram no trono da Transjordânia e do Iraque (1020-1958). O reino começou com Abdullah I, assassinado em 1951, seguido por seu filho, o Rei Hussein e, desde 1999, é governado por Abdullah II. A formação britânica do soberano e a proximidade com o Banco Mundial e a Casa Branca, no entanto, não favorecem uma aproximação com seus súditos.

A queda das receitas do petróleo, a privatização de setores essenciais, como água e telecomunicações, além da substituição da mão de obra local por levas de trabalhadores imigrantes por baixos salários tem levado a um descontentamento crescente. Hoje, a Jordânia é um país que não fala a mesma língua e vem intensificando a distância entre as regiões metropolitanas e as periferias, além dos crescentes desconfortos entre o norte e o sul. HanaJaber, pesquisadora associada da Cátedra de História Contemporânea do Mundo árabe (Collège de France, Paris), declarou em artigo publicado no jornal Le Monde: “O sul, especialmente o triângulo Tafileh-Kerak-Maan, outrora denominado pelo poder hachemita, virou seu calcanhar de Aquiles. Dois coletivos principais, a Assembleia das 36 Tribos e a Iniciativa Nacional, agem ali: Reuniões, manifestações, confrontos com as forças de ordem, prisão por delito de lesa-majestade…” Os atuais conflitos dão continuidade à hostilidade histórica existente entre as tribos transjordanianas, já existentes ali antes da chegada dos hachemitas e esses. Para HanaJaber, “o rei parece não apreciar a gravidade da situação”, enquanto via “de canto de olho o destino do regime sírio”. Fala-se hoje, na imprensa mundial, que a Jordânia aguarda sua própria “primavera árabe”, embora o quadro interno não reflita o desejo de uma população que se levante como um todo por um objetivo nacional, mas transparece o clamor de minorias que se organizam tentando ganhar forças para se fazerem ouvir.

Os termos de Edon e dos antigos nabateus experimentam tensão e descontentamento. A relação pacífica que o antigo Rei Hussein conseguia manter com os chefes das tribos do deserto não existe mais, principalmente depois que as terras de hajaya foram “requisitadas” pelo atual governo com fins de especulação. Os desertos ao sul da Jordânia apresentam novas cores.

Observando o quadro atual. O estudante de escatologia que outrora se perguntou “Como?” Como nas terras da atual Jordânia haverá passagem e abrigo para Israel no futuro? Como os monarcas hachemitas permitirão a presença de levas de imigrantes judeus em suas terras?”, hoje talvez, já consiga vislumbrar novas e mais favoráveis circunstâncias. Da mesma forma, a questão de como um lugar citado na Bíblia permanecerá oculto aos olhos da serpente é verdade que abraçamos com e por fé, confiando que o Senhor mesmo cuidará da “menina dos Seus olhos” com todo zelo e ardor – desejoso de amorosamente falar à filha de Sião, mais uma vez dependente e solitária, necessitada de ouvir-Lhe a voz no deserto.

Por, Sara Alice Cavalcante

One Response to Juntos como ovelhas de Bozra

  1. LULU NACLE DAVID disse:

    PRA DEUS, ISSO É NADA !

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