Israel na Missão de Deus

Israel na Missão de DeusAtualmente, a população judaica totaliza no mundo mais de 13 milhões de pessoas, estando distribuída em todos os continentes. O maior percentual encontra-se em Israel e nos EUA, com 81% dos judeus do mundo apenas nestes países.

A trajetória histórica de Israel é marcada pela ação de Deus. Há registro de milagres desde a saída do povo hebreu do Egito, que passou a pé enxuto pelo meio do mar até o século 20, em que Israel foi atacado por uma liga de oito países e venceu a guerra em seis dias! Tal é a sua importância, tanto em uma perspectiva bíblica quanto histórica, que podemos nos perguntar: qual é a relevância de Israel na Missão de Deus? Para refletir sobre essa pergunta, nos basearemos especialmente em Gênesis 12 e Romanos 11.

A origem do povo hebreu tradicionalmente remonta ao chamado de Deus a Abraão. Em Gênesis 12.1-3, vemos Deus firmando uma aliança com o patriarca, dando-lhe orientação e promessas: nova terra, proteção, descendência numerosa e abençoada.

A aliança entre Deus e o povo de Israel configurava uma eleição (Êxodo 19.5; Deuteronômio 41.8-9). Ao contrário do que se pode imaginar, tal eleição não caracteriza um favoritismo pessoal de Deus, tão pouco é exclusivista, mas sim missional, referente apenas a uma missão histórica. A escolha de Deus pelo povo de Israel tem um propósito.

Talvez alguém se pergunte: Por que Israel? A resposta deste questionamento só pode ser encontrada na soberania e no amor de Deus (Deuteronômio 7.7-8; Josué 23.3).

Mais relevante que questionarmos o ‘porquê’ é perguntarmos o ‘para que’. A aliança firmada por Deus com Abraão e sua descendência propunha que através deles todas as famílias da terra fossem abençoados (Gênesis 12.3). Que bênção seria esta que a descendência do patriarca daria a todas as nações da terra? Mateus 1.1 esclarece. Deus se revelou a Israel, estabeleceu com aquele povo uma aliança, o conservou em vida através dos séculos para que o Messias, o Salvador do mundo, viesse por Israel.

Jesus formou discípulos e estes homens repassaram para o mundo e para a geração seguinte a mensagem do Mestre, que anunciava a Salvação e o Reino de Deus. E por isso hoje, nós, em pleno século 21, também somos abençoados com a salvação em Cristo.

Neste ponto da nossa reflexão, alguém, pode pensar que a participação de Israel na Missão de Deus se findou ou mesmo que se tornou um grande paradoxo já que o povo que foi usado por Deus para trazer o Messias ao mundo não O reconheceu.

Para aprofundar nosso pensamento, precisamos refletir nas palavras de Paulo: “Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Romanos 11.1); “Como está escrito: Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje” (Romanos 11.8).

Paulo orava para que a salvação alcançasse seu povo (Romanos 10.1-2). O próprio Jesus lamentou a relação distante que estava sendo estabelecida entre Ele e Israel (Mateus 23.37). Por muito tempo os cristãos interpretaram o não reconhecimento de Jesus Cristo como uma rejeição de mão dupla entre Israel e Deus.

Bom, parece que é justo nos perguntarmos: Por que então Israel não reconheceu o seu Messias? Ao longo do capítulo 11 da carta do apóstolo Paulo aos Romanos, o autor aborda essa questão.

Para Paulo a cegueira de Israel foi necessária a fim de que a Graça de Deus pudesse ser oferecida a todos os gentios (não judeus). Paralelamente, o apóstolo critica aqueles que se consideram superiores aos judeus pelo fato de terem reconhecido em Jesus o Cristo (Romanos 11.17-21). e nos alerta que Israel foi canal da Graça de Deus e que ainda será salvo dela (Romanos 11.11-12). De modo que podemos afirmar que Israel participou da missão de Deus desde Abraão. Mas, este povo ainda tem uma importante atuação, pois vivemos a Era da Graça, mas aguardamos um desfecho escatológico, registrado por João em Apocalipse, que completará a Obra (a Missão) de Deus.

Tal desfecho escatológico acontecerá com participação de Israel, o povo escolhido por Deus para abençoar todos os povos. E mesmo não tendo total clareza de como tudo isso se dará, podemos, pela fé, entoar o mesmo cântico que Paulo diante da grandeza dos propósitos de Deus: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os teus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Romanos 11.33-36).

Notas

Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
VAZ, Marion. História de Israel. Disponível em http://eretzisraelmv.blogspot.com.br
Curso de Teologia Bíblica do Antigo Testamento. Aula 3: Êxodo, Aliança e Eleição. Educação Teológica a Distância, FTSA, 2011.
__________________________________________, Aula 8: A Esperança de Israel. Educação Teológica a Distância, FTSA, 2011.
Curso Teologia e Prática da Missão Integral. Aula 2: O Antigo Testamento como documento missionário, Educação Teológica a Distância, FTSA, 2011.
VEJA Online. Matéria: Papa Bento XVI isenta judeus de culpa por morte de Jesus, publicada em 03/03/2011, disponível em http://veja.abril.com.br/noticia/internacional

Por, Flavianne Vaz.

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