Israel celebra 70 anos, Irã ataca judeus, mas sofre até com fenômenos

Tempestade de areia e terremoto acometem Irã; EUA põe fim a acordo com Teerã e inaugura embaixada em Jerusalém; outros países seguem EUA

Israel celebra 70 anos, Irã ataca judeus, mas sofre até com fenômenosApós três anos de sua assinatura, o acordo entre Estados Unidos e Irã foi rompido em 12 de maio, devido a denúncias gravíssimas e muito bem provadas de que o governo iraniano utilizou as fragilidades do acordo – considerado pelo presidente norte-americano Donald Trump como “o pior acordo da história” – para manter e avançar seu projeto nuclear. Um dia antes do anúncio, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou um vídeo onde apresentava meia tonelada de cópias de arquivos originais do Irã para confecção de bombas nucleares elaborados nos últimos anos e que comprova que o Irã continuou com seu projeto nuclear de vento em popa mesmo após a assinatura do acordo em 2015.

Israel, temendo um ataque iraniano nos próximos meses, atacou em dezembro de 2017 bases militares do Irã erguidas na Síria com o objetivo de serem usadas em um eventual ataque a Israel. Porém, na madrugada de 10 de abril, o Irã atacou Israel a partir de bases na Síria e o exército israelense, em resposta, bombardeou as bases de Teerã em território sírio. Vinte e oito caças israelenses participaram da operação, jogando mais de 60 mísseis, a maioria interceptados pelo escudo antimísseis russo a serviço da Síria e do Irã, mas não o suficiente para evitar um grande estrago.

Em represália, o governo iraniano, representado pelo vice-chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Hossein Salami, pronunciou uma terrível ameaça a Israel durante um discurso na capital Teerã. De acordo com os meios de comunicação que divulgaram a sentença, o povo judeu não teria como escapar do ataque que seria desferido pelas baterias iranianas nos próximos dias, a não ser que fugissem pelo mar. “Você está cercado em todo lugar – ao norte e ao oeste. O único lugar onde você pode escapar é o mar. Não confie em suas bases aéreas, porque elas estão dentro do alcance de tiro e somos rápidos em ação”. A declaração se deu durante as comemorações dos 70 anos do Estado de Israel, que, apesar de ter acontecido em 15 de maio de 1948, foi celebrada no final de abril pelos judeus devido ao calendário judaico, que é diferente do ocidental.

As palavras de Salami não ficaram sem resposta. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu respondeu ao governo iraniano durante a abertura da reunião do gabinete na Casa da Independência em Tel Aviv em abril. “Ouvimos as ameaças do Irã, os combatentes das FDI e as forças de segurança estão preparados para qualquer desenvolvimento. Vamos lutar contra quem tentar nos prejudicar. Nós não vamos fugir do preço e vamos cobrar o preço daqueles que buscam o nosso mal”, disse Netanyahu.

Mas, as palavras de Netanyahu não foram a única resposta. As “forças da natureza” – ou seriam ações divinas? – parecem ter se manifestado também no território do Irã de forma devastadora, de modo que a magnitude do ocorrido foi interpretada como uma retaliação divina: no mesmo dia em que Salami proferiu as ameaças, levantou-se uma gigantesca tempestade de areia na região central do país. O caos estabeleceu-se entre a população provocando medo com a areia cobrindo as casas. Quando a normalidade parecia estabelecer-se na região, dois dias depois da tempestade, um terremoto com a magnitude de 5,9 graus na escala Richter atingiu uma região próxima da única central nuclear em atividade no país. O terremoto aconteceu no dia das comemorações da independência de Israel.

O evento se tornou ainda mais emblemático porque o governo iraniano havia ameaçado explodir uma bomba sobre Israel justamente no dia de sua independência, mas quando uma autoridade do Irã ameaçou punir Israel “pelos seus atos” – referindo-se ao ataque israelense às bases aéreas iranianas na Síria, que matou militares iranianos – um fenômeno natural de grande magnitude atingiu a província inteira de Yazd com ventos na ordem dos 100 quilômetros por hora, resultando em um intenso levante de areia do deserto. Não foram divulgadas informações sobre vítimas humanas ou de estragos de maior vulto, mas o fenômeno da tempestade de areia foi tão impactante que os meios de comunicação locais o consideraram “apocalíptica”. Já em Israel, diversos rabinos interpretaram o acontecido como uma punição de Deus sobre os inimigos do Estado Hebreu. Um dos rabinos mais influentes em Israel escreveu na sua página do Facebook: “Os iranianos ameaçaram fazer explodir Israel como uma bomba atômica no Dia da Independência, e em 24 horas foram atingidos por um tremor de terra medindo 5,9 graus na escala de Richter, na região do seu reator nuclear, e por uma inesperada tempestade de areia que transformou o Irã numa caixa de areia. Agora, venham-me dizer que não estamos sob a providência divina”.

Apesar disso, a obstinação das autoridades iranianas prevaleceu e forças militares do Irã estabelecidas na Síria lançaram um ataque de pelo menos 20 mísseis contra o norte de Israel, precisamente nas Colinas de Golã, durante a madrugada do dia 10 de maio. Em Israel, foram ativadas as sirenes de ataque aéreo e o sistema de defesa “Cúpula de Ferro” interceptou a maioria esmagadora dos petardos. Nenhum deles fez vítimas em solo judeu.

De acordo com o porta-voz do Exército de Israel, as Forças Quds da Guarda Revolucionária Iraniana foram as responsáveis pela ofensiva. O governo de Israel revidou e ordenou o ataque às posições sírias nas proximidades. O Exército de Israel disse que considera o episódio “com grande severidade”, mas está preparado para “uma ampla variedade de cenários”. Segundo o jornal online Times of Israel, os moradores ouviram as explosões e logo procuraram os abrigos antiaéreos.

Poucas horas após o ataque iraniano, próximo das 12h10 da manhã (horário local) do mesmo dia, os sírios divulgaram a notícia de que a artilharia israelense desferiu um ataque a um posto militar perto da cidade de Baath, na região fronteiriça de Quneitra. Aproximadamente uma hora e meia depois do incidente, a agência de notícias al-Manar (ligada ao Hezbollah) explicou que o exército sírio estava respondendo a um ataque aéreo israelense contra um alvo a sudoeste de Damasco.

Esses ataques aconteceram na mesma semana que o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a retirada de seu país do acordo nuclear do Irã. O governo israelense já havia se pronunciado na primeira semana de maio de que havia “atividades anormais” na região devido as manobras militares iranianas e colocou suas tropas em alerta máximo.

A hostilidade de iranianos em relação aos judeus não é nenhuma novidade. A Bíblia Sagrada revela que durante o governo do rei persa Assuero (Xerxes 1), uma jovem judia tornou-se a sua consorte, o que evitou uma tentativa de exterminar os judeus naquela época durante o Império Persa. Ester se tornou uma representante da comunidade judaica trafegando nos corredores do poder naqueles dias sombrios. A história, narrada nas Sagradas Escrituras, dá conta de que o governo persa procurou erradicar o povo judeu da face da terra (Ester 3.8-11), mas Ester seria um instrumento de Deus para evitar o genocídio. Os persas são os ancestrais dos atuais iranianos.

Ao longo da narrativa bíblica é possível identificar o agir divino no sentido de preservar os judeus da matança perpetrada pelo ministro Hamã e puni-lo juntamente com seus filhos, envolvidos nos negócios do pai genocida (Ester 7.10; 9.6-10). Sem saber das raízes judaicas da protagonista, Hamã urdiu todo o esquema de destruição em massa, mas o primo da rainha, Mardoqueu, a deixou atualizada sobre os planos contra a comunidade judaica no Império Persa. A rainha logo tomou as devidas providências a fim de que seus conterrâneos pudessem defender-se com suporte jurídico do governo daquele país e oferecer resistência (Ester 8.10,11).

Hoje, as motivações do Irã contra Israel se dão principalmente com base em convicções religiosas oriundas de um radicalismo islâmico. O clérigo iraniano de Ahmad Khatami, da alta cúpula religiosa e política do país, afirmou no ar da televisão estatal, em 11 de maio, que o Irã aniquilará a capital de Israel, Tel Aviv, e a terceira maior cidade, Haifa, se o país atuar “imprudentemente”. Segundo ele, “o poder de mísseis do Irã está crescendo a cada dia para que Israel não possa dormir, temendo essa força. Se Israel atuar imprudentemente, nós destruiremos Tel Aviv e Haifa por completo”, declarou o líder religioso.

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