Injusta punição apenas para o homem?

Sobre 1 Coríntios 5.1-12, gostaria de saber: 1. Por que somente o jovem é punido e a mulher não? 2. O pai desse jovem não fazia nada ou a mulher era viúva? 3. A maioria da igreja apoiava a atitude deles e não recebeu punição pela conivência? 4. Será que ela estava sendo estuprada ou forçada a fazer aquilo por uma convenção social coríntia?

Injusta punição apenas para o homemCom a ajuda de Deus, queremos fazer uma rápida abordagem às perguntas elencadas pelo nobre consulente, as quais são muito pertinentes nos dias atuais, quando as orientações divinas estão sendo ouvidadas.

Em primeiro lugar, a expressão “mulher de seu pai”, usada por Paulo no caso em apreço, é um hebraísmo que significa “madrasta”, portanto, não era mãe do indivíduo; e também ele não usa a palavra “adultério”, mas “porneia”, que é uma expressão que abrange todo tipo de imoralidade. Possivelmente ou o pai do jovem havia morrido ou já não convivia com a dita mulher, motivo pelo qual o pai é silente quanto ao envolvimento do moço com a mulher.

Em segundo lugar, como a Igreja coríntia é bem conhecida pelos relatos de Paulo em suas epístolas, das sete vezes em que está escrito a palavra “inchados” = “orgulhosos” no Novo Testamento, seis estão naquela carta (1 Coríntios 4.6,18,19; 5.2; 8.1; 13.4). Eles se achavam sábios (segundo o mundo) e desprezavam a autoridade apostólica (1 Coríntios 1.18-21,25), tolerando aquela situação, eles achavam que tinham “a mente aberta” e não obedeciam às regras impostas às igrejas gentílicas, decididas pelo Espírito Santo e os apóstolos no Concílio de Jerusalém (Atos 15.28,29). Era tipo da igreja autônoma (auto = por si mesma + nomos = regra), ou seja, não aceitava regras comuns a toda cristandade, mas tinha suas próprias leis. Creio que ainda hoje há igrejas e pessoas assim. Por isso se gloriavam da tolerância ao pecado. Em nome da mente aberta ao pluralismo, tolerava tal prática, repreensível até entre os pagãos.

Em terceiro lugar, quanto a somente o jovem ser punido, não é difícil entender, pois pelo contexto, dá para observar que a mulher não era cristã. Nos versículos 12 e 13 do mesmo capítulo, Paulo nos diz: “Pois, que me importa julgar os que estão de fora? Não julgais vós os que estão de dentro? Mas Deus julga os que estão de fora…”. Vemos aqui que os descrentes não podem ser alcançados pelas sanções eclesiásticas. Quando o Senhor Jesus instituiu as penas eclesiásticas Ele nos diz que elas só podem alcançar aquele que for “irmão” (Mateus 18.15), ou seja, os da família da fé.

Em quarto lugar, é nítido que a mulher não estava sendo estuprada ou forçada pelo possível jovem-senhor, membro da Igreja, era uma convivência pacífica e de mútuo acordo. No texto não há indício algum de violência da parte do moço. Todavia, nem a fé cristã, nem a sociedade pagã viram com bons olhos tal prática.

O Espírito Santo deixou registrado nas Escrituras tal relato para alertar as igrejas de todos os tempos, a zelarem pelo instituto divino da disciplina eclesiástica.

Com a atual multiplicação de igrejas, quando alguém é disciplinado aqui, na esquina há outra igreja para receber o pecador impenitente com aplausos e premiado com a indicação a algum cargo eclesiástico, o que é uma lástima para a obra de Deus.

Que Deus se apiede de nós!

Por, José Orisvaldo Nunes de Lima.

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