Guerra entre modelos globalizantes

Entenda o que está em jogo no conflito na Ucrânia à luz das profecias

Guerra entre modelos globalizantesHá hoje no mundo três modelos globalizantes em disputa e, nos últimos meses, dois deles entraram em choque na Ucrânia. Dois desses modelos já foram matéria de capa do jornal  Mensageiro da Paz e o outro já rendeu uma matéria também ano atrás, mas pouco se tem falado dele tanto na mídia evangélica como secular.

O primeiro modelo, o qual já comentamos bastante no jornal, é o modelo globalizante ocidental, que recebe o nome de Nova Ordem Mundial. Ele tem o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) e de bilionários internacionais dos Estados Unidos e da Europa, e tem influenciado com certa regularidade governos ocidentais dos dois lados do Atlântico. O objetivo é convencer os países a diminuírem sua autonomia em prol de uma governança mundial que tenha o seu assento em um escritório-central na ONU. A grande referência desse modelo é a União Europeia. O objetivo final desse modelo é transformar o mundo numa espécie de grande União, com cada país funcionando como uma espécie de federação dessa União global.

O segundo modelo que também já ganhou uma matéria de capa no MP, é o modelo islâmico. Há uma corrente revolucionária islâmica, liderada pela Irmandade Muçulmana, que tem braços em praticamente todos os países muçulmanos e sonha com o retorno do Califado, segundo interpretações escatológicas dos escritos islâmicos que são cridas maciçamente pelo ramo xiita islâmico e por boa parte do ramo sunita também. Segundo essa crença islâmica, o Califado deverá ser restaurado em futuro breve, quando um homem, chamado de Mahdi (ou Mehdi), que liderará o Califado, colocará ordem no mundo. A sede do Califado deverá ser na Turquia, numa espécie de restauração do Império Otomano, sendo que agora com uma extensão muito maior.

Os países ocidentais, segundo a crença dos revolucionários islâmicos, seriam conquistados após revoluções perpetradas por seguidores de Alá, que seriam, em um futuro próximo, maioria nesses países, devido a grande taxa de natalidade entre os mulçumanos (que chega a oito filhos por casal) em contraste com o atual índice de natalidade na maioria dos países do Ocidente (que não passa de um filho por casal). Essa diferença nas taxas de natalidade mais o vácuo espiritual no Ocidente, especialmente no Hemisfério Norte, que está se descristianizando, abririam espaço para a ascensão do Islã. A grande disputa final seria entre Egito e Turquia como sede do futuro Califado, com preferência para a Turquia, apesar de o movimento que deu origem à Irmandade Muçulmana ter nascido no Egito.

O terceiro modelo, enfim, é o russo-chinês, cuja ideologia que o sustenta foi formatada por um intelectual russo chamado Alexander Dugin, filho de antigos agentes de KGB durante o governo soviético. O nome dessa ideologia é Eurasianismo, mas inicialmente se chamava Nacional-Bolchevismo. Trata-se de uma mistura de nacionalismo com tradicionalismo, bolchevismo (comunismo), fascismo e nazismo. Com a ascensão ao poder na Rússia do ex-agente da KGB Vladimir Putin, Dugin se uniu a ele e tornou-se uma espécie de guru ideológico de Putin, que já assumiu a liderança do seu país com uma visão de trazer de volta os períodos de glória da antiga Rússia, tendo como referência tanto o cazarismo do século 19, quanto o regime soviético, que dominou a maior parte do século 20.

Segundo a tese eurasiana, a história da humanidade seria uma luta constante entre a Água e a Terra, isto é, entre os países da água e os países da terra. Os países da água hoje seriam aqueles que formam, nas palavras dos eurasianos, a “Aliança Atlântica”: Estados Unidos, Israel e União Europeia. Já o bloco de oposição a essa aliança, que formaria os países da terra, seria capitaneado por Rússia e China. A vitória do “bem” seria, segundo eles, a vitória do bloco liderado por Rússia e China contra o bloco atlântico. O eurasianos são anti-Israel, antiamericanos, antiocidentais, razão pela qual até mesmo governos de ideologia de esquerda na América Latina, como os governos da Venezuela, Bolívia, Equador e Cuba, e até mesmo o governo brasileiro, têm se mostrado simpáticos ao bloco-chinês, votando, inclusive, juntos em várias questões na ONU, sempre contra o bloco União Europeia, EUA e Israel.

A Ucrânia foi, no passado recente, parte do bloco soviético. Nos anos 30, a URSS, sob o governo de Stálin, matou milhões de ucranianos, no que ficou conhecido como “O Genocídio de Holodomor”. A história é contada em detalhes e com fortes imagens históricas no documentário The Siviet History (“A História Soviética”), que já pode ser encontrada na íntegra e legendado em português no Youtube. A Ucrânia precisa de ajuda financeira e o então presidente ucraniano Viktor Yanukovich decidiu aceitar uma oferta do governo russo de 15 bilhões de dólares e de redução do preço do gás importado da Rússia. Porém, devido aos crimes cometidos pelos russos contra a Ucrânia no regime soviético, a população ucraniana se voltou contra o presidente, preferindo se unir à União Europeia do que aceitar a ajuda da Rússia de Putin. Os ucranianos não querem ficar sob a dependência do governo ditatorial russo outra vez. O presidente acabou deposto. Assumiu o seu lugar interinamente o pastor batista Olexandre Turckhinov. Só que os ucranianos de etnia russa da região da Crimeia, que são maioria naquela ilha-Estado, decidiram se separar do país e anexarem-se à Rússia. Eles receberam o apoio de Moscou, que enviou tropas à região. Daí o impasse com o Ocidente, ressuscitando a “Guerra Fria”.

As profecias bíblicas falam, especialmente no Livro de Apocalipse, de um futuro governo mundial. Só que as dúvidas dizem respeito de onde partirá a liderança desse governo. Na profecia de Ezequial 37, à referência à Turquia (“A Casa de Togarma, do extremo norte, e todas as suas tropas”), ao Irã (“Pérsia”), à Líbia (“Pute”), as nações africanas (“Etiópia”), à Europa Oriental (“Gômer e todas as suas tropas”) e à Rússia se levantando contra Israel no final dos tempos (“Gogue”, “Magogue”, “Meseque” e”Tubal”), embora tradicionalmente se fale mais, entre os teólogos ocidentais da “restauração do Império Romano” na formação da União Europeia, que é o ícone do projeto globalizante ocidental. A base para isso seria, sobretudo, a visão da estátua destruída por uma pedra lançada sem auxílio de mãos em Daniel 2, onde os pés de barro e ferro da estatua representariam o retorno do “império de Ferro” (Império Romano), mas sem a unicidade do seu primeiro advento (Daniel 2.41-43). Só que há teólogos que contra-argumentam dizendo que não necessariamente o texto de Daniel estaria se referindo ao governo mundial começando com a união dos países que formaram no passado o antigo Império Romano em uma união não mais tão firme como a primeira. Na verdade, poderia ser uma referência apenas ao fato de que o futuro governo mundial apenas se assemelharia ao antigo Império Romano, só que sem solidez em sua unidade como tinha o referido Império.

Seja como for, as peças do quebra-cabeça do final dos tempos estão se movendo e a verdade é que só com o tempo saberemos com certeza qual dos três modelos globalizantes prevalecerá. Será que engolirá os outros dois? Ou será que dois se unirão para engolir o terceiro? Pode até acontecer de os três se unirem em algum momento, em um contexto novo que haveria ainda de ser criado. Porém, seja como for, uma coisa é certa: eles podem brigar entre eles para saber quem governará o mundo por um período curto, mas sabemos que, no final, quem governará este mundo definitivamente, conforme as profecias bíblicas, será Jesus (Daniel 2.44, 45; Apocalipse 19.11-20.6). Ele é o Senhor da história.

Por, Mensageiro da Paz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »