Guardar o sábado era uma lei moral?

“Nos Dez Mandamentos, encontramos a ordem para guardar o sábado. Porém, no Novo Testamento, não vemos isso. Esse mandamento era apenas uma lei cerimonial?”

Guardar o sábado era uma lei moralLei moral é um conjunto de valores absolutos, isto é, fixos, eternos e perfeitos, impostos ao homem por um poder superior – Deus. Esses valores são revelados na Palavra do Senhor, a Bíblia Sagrada. São os princípios universais, válidos para qualquer pessoa em qualquer lugar. Eles não se alteram com o passar do tempo. Até mesmo os gentios receberam de Deus um senso ético que se manifesta através de suas consciências (Romanos 2.14-15).

Encontramos mandamentos morais por toda a Bíblia, tanto nas tábuas de pedra (que continham os Dez Mandamentos) como fora delas. Por exemplo, Jesus declarou que os dois maiores mandamentos são “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro grande mandamento” (Mateus 22.37-40), citando Deuteronômio 6.5, e “o segundo semelhante a ele: Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12.31), citando Levítico 19.18. Note que esses mandamentos estão fora das tábuas de pedra, em meio a mandamentos cerimoniais (Levítico 19.18-25). Por sua vez, na lei das tábuas de pedra, temos um preceito cerimonial: o  de observar o sábado (shabbath, dia de descanso) no sétimo dia da semana. Um mandamento moral exigiria, quando muito, observar um dia de repouso, isto é, um shabbath a cada sete dias, não importando se esse dia fosse o primeiro, o segundo ou o quinto.

A guarda do sábado no sétimo dia segue o mesmo princípio da lei de dizimar o gado: “No tocante a todos os dízimos de vacas e ovelhas, de tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será do Senhor” (Levíticos 27.32-33). O pastor fazia passar os animais por um corredor contando-os de um a um. Quando chegava ao décimo, marcava-o. E tinha que ser aquele e não outro! Isso impedia que houvesse uma escolha dos animais, pois seus donos podiam selecionar para dizimar os animais doentes, velhos ou defeituosos. Hoje em dia, devolvemos o dízimo à Casa do Senhor sem observar qual foi a décima cédula de um real que recebemos. Assim também era o descanso semanal. Tinha que ser no sétimo dia da semana. Não poderia ser em nenhum outro.

Por que justamente a escolha do sétimo dia? Porque o sábado era o dia comemorativo da liberdade do povo israelita. “Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado” (Deuteronômio 5.15).

Para nós, cristãos, o apóstolo Paulo esclareceu: “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente” (Romanos 14.5). Isso porque a instituição do sétimo dia como sendo esse dia de descanso fazia parte da lei cerimonial. Se ela fosse da lei moral, então imagine aplicarmos esse mesmo pensamento de Paulo a todos os mandamentos morais. Seria uma loucura! Paulo jamais poderia dizer: “Um faz diferença entre adulterar e não adulterar, mas outro julga iguais esses dois procedimentos. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente”. Não adulterar é uma lei moral. Guardar um dia de descanso também é um princípio moral. Porém, ter esse dia como o sábado era uma determinação cerimonial devido a ser o dia comemorativo da liberdade do povo israelita. Na Nova Aliança, porém, o domingo é o grande marco. Por isso os cristãos da Igreja Primitiva o tomaram naturalmente como o seu shabbath, o seu dia de descanso.

Por, Edmar Cunha Barcellos.

One Response to Guardar o sábado era uma lei moral?

  1. Pastor Elnatan Serafin disse:

    Acho que a melhor definição, é que o Shabat significa de descanso. Deus não fala para descansarmos no sábado, fala para descansarmos no dia de descanso. E para os judeus, isso era no sábado. Para nós, o dia de descanso é o domingo, dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Mas, tanto no sábado humano, quanto no domingo humano, Jesus disse que Deus trabalhava e ele trabalharia também. E se vamos nos textos de Genesis, fica evidente que Deus trabalhou também no sétimo dia e em seguida descansou, ou seja, o trabalho é permitido, apenas a centralidade do descanso e adoração espeficos é que ficaram como ensinamentos… daí, veio o rabinato e criou-se o lenga-lenga que hoje conhecemos….

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