Governo brasileiro bateu de frente com Israel nos últimos anos

Como se não bastasse o caos moral, político e espiritual que se abate sobre o nosso país, nos últimos anos, o governo tomou posturas anti-Israel

Governo brasileiro bateu de frente com Israel nos últimos anosLamentavelmente, nos últimos 13 anos, o governo brasileiro adotou uma postura visivelmente diferente em relação a Israel. Basta lembrar que, em todo esse período, o governo do nosso país, que no passado recente era um grande apoiador dos israelenses, votou sempre e sistematicamente contra Israel na Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, até mesmo atos antissemitas, que eram raridade em nosso país há alguns anos, começaram a se proliferar.

O caso mais recente dessa má-relação Brasil e Israel nos últimos anos é o caso da rejeição brasileira ao embaixador israelense Dani Dayan, que foi escolhido pelo governo israelense para representar o país no Brasil. Numa atitude no mínimo polêmica, o Itamaraty se negou a conceder o “agrément” a Dani Dayan (“agrément” é o nome dado ao reconhecimento oficial da representação, documento necessário para que um embaixador possa exercer as suas funções no país).

A presidente Dilma afirmou que não aceitava o nome de Dayan porque, entre 2007 e 2013, ele comandou o Conselho Yesha, que representa os 500 mil judeus que moram na Cisjordânia. Como, oficialmente, o Brasil é contra o que chama “ocupação” do território palestino, o governo brasileiro se negou a receber Dayan como embaixador. Mesmo diante da recusa, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, decidiu insistir no nome de Dayan. Entretanto, o governo brasileiro mais uma vez insistiu em rechaçar o embaixador israelense, de maneira que o nosso país ficou meses sem um embaixador de Israel – uma ofensa diplomática enorme. Só recentemente Israel decidiu enviar outro embaixador, enquanto Dayan foi conduzido aos Estados Unidos para assumir à Embaixada de Israel naquele país.

Muitos jornalistas comentaram sobre esse constrangimento internacional à época. Alguns foram bastante contundentes, dentre eles o jornalista Reinaldo Azevedo, da revista Veja e da rádio Jovem Pan, que afirmou com acerto: “Trata-se de mais uma ofensa do governo brasileiro ao único país do Oriente Médio que é uma democracia multirracial e multirreligiosa. Dilma e os petistas têm todo o direito de ser contra a presença de colonos judeus na Cisjordânia. Cada um de nós pode ter a opinião que quiser sobre qualquer assunto. Mas não lhes cabe decidir, com base em seus filtros ideológicos, quem pode e quem não pode ser nomeado embaixador por outro país. O comportamento dos governos Lula e Dilma com Israel costeia o antissemitismo. E não é difícil de demonstrar. Omar al-Bashir é presidente do Sudão. É um assassino em massa. Sob o comando de milícias muçulmanas a serviço de seu governo, pelo menos 400 mil cristãos foram assassinados em Darfur. Mais de 2 milhões foram obrigados a deixar as suas casas. Omar al-Bashir, em suma, é um genocida. Mas seu embaixador é muito bem-vindo pelo Itamaraty. O Brasil também não apoiou nenhuma das propostas em conselhos das Nações Unidas que pediam sanções ao Sudão. Não obstante, os petistas votam sistematicamente contra Israel na ONU. É uma vergonha. (…) Lula percorreu ditaduras e se abraçou a facínoras. Emprestou integral apoio a tiranos que massacram seus povos nas ruas e flertou com aiatolás atômicos, além de se alinhar com ditaduras e protoditaduras latino-americanas. (…) O Brasil não se incomoda com o embaixador iraniano no Brasil, que, por óbvio, endossa as palavras de seu líder espiritual. (…) [Ele] aceita um representante iraniano que, por óbvio, põe em dúvida a existência do Holocausto, (…) mas não aceita um embaixador israelense que tenha sido representante de colonos da Cisjordânia”.

Retrospecto da recente má-relação Brasil-Israel

Entre os vários episódios dessa recente má-relação do governo brasileiro com Israel, oito foram bem marcantes.

Em julho de 2009, durante o governo Lula, Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT, em entrevista ao jornal israelense “Haaretz”, chamou o então ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, que visitava o Brasil, de “racista e fascista”, numa ofensa que repercutiu na imprensa internacional. Na época, o então ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, ao ser questionado pela imprensa internacional sobre o caso, publicou uma nota, dizendo que “a visão de Pomar certamente não representa a posição do governo”, o que já seria suficiente como resposta, porém o documento trazia ainda, como uma forma de não desabonar totalmente Pomar, a frase “toda pessoa tem direito à sua própria opinião”, indicando que as palavras de Pomar deveriam ser tratadas apenas como uma questão de opinião e não como uma completa ofensa descabida que era.

Em outubro daquele mesmo ano, o Brasil votaria na ONU pela aprovação de um dos relatórios mais mentirosos já escritos nas Nações Unidas contra Israel: o Relatório Goldstone. Esse documento acusava duramente Israel de falsos “crimes de guerra” e suavizava diante dos crimes claros cometidos pelo Hamas, além de omitir as evidências de que o Hamas usava a população palestina como escudo para que Israel fosse acusado de massacrar a população civil palestina.

Entre os países que condenaram os israelenses no Conselho de Direitos Humanos da ONU via Relatório Goldstone, estavam, além do Brasil, Egito, Angola, Bangladesh, China, Cuba, Gabão etc., países conhecidos pelas suas ditaduras. Alguns deles, inclusive, pediram as investigações contra Israel, como foram os casos de Cuba, Egito e China. Estados Unidos, França e Inglaterra estavam entre os países que apoiaram Israel contra essa farsa. Seis meses após a aprovação desse relatório, o próprio juiz Richard Goldstone, que redigiu o relatório, escreveu um artigo no jornal Washington Post em que se desculpa pelo que escreveu nele.

Ainda sob o governo Lula, o Brasil recebeu, em novembro de 2009, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, um contumaz inimigo de Israel, que mais de uma vez chocou o mundo pregando a extinção da nação israelense. Como se não bastasse essas famosas e terríveis declarações, apenas dois meses antes da sua visita ao nosso país, Ahmadinejad havia chocado outra vez o mundo negando a existência do Holocausto judeu na Segunda Guerra Mundial e afirmando que o mundo inteiro teria a “obrigação” de se levantar contra Israel. Ele acrescentara ainda que a simples existência de Israel era um mal para o mundo e que acabar com essa nação era “um princípio humanitário”. A presença de Ahmadinejad naquele ano no Brasil provocou os protestos da comunidade judaica brasileira, de evangélicos e de entidades em defesa dos direitos humanos.

Um ano depois, em dezembro de 2010, o Brasil deu seu reconhecimento ao Estado palestino, mesmo sem ele ainda existir. Nove meses depois, em setembro de 2011, a presidente Dilma Rousseff usou seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU para atacar Israel e defender uma aceitação mundial do Estado palestino, ignorando completamente as condições impostas pelo governo de Israel para a criação do Estado palestino. Cerca de uma semana depois do discurso de Dilma na ONU, mais precisamente em 30 de setembro de 2011, o embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben, declarou, em palestra a universitários em São Paulo, que “Israel deve desaparecer”. Em 2012, o Comissário de Relações Internacionais do Fatah, Nabil Shaath, visitou o Brasil para reuniões com autoridades do governo brasileiro.

Em novembro de 2012, o então governador do Rio Grande do Sul, o petista Tarso Genro, deu abertamente apoio total à realização do Fórum Social Mundial Palestina Livre em Porto Alegre. Em seu documento de referência, o referido Fórum defendia atos terroristas dos grupos palestinos e o fim de Israel. Apesar disso, Tarso Genro tornou o Fórum um evento oficial do Estado gaúcho naquele ano, com site de divulgação e inscrição preparado pelo governo (extensão “rs.gov.br”). No final do mesmo mês, a ONU, reconheceu a Palestina como “Estado observador não-membro”, tendo o Brasil como um dos principais países a encabeçar a proposta.

Em julho de 2014, o Itamaraty publicou nota em que condenava “energicamente” Israel por seu contra-ataque “desproporcional” aos guerrilheiros palestinos da Faixa de Gaza, que haviam matado dezenas de soldados de Israel, além de civis, e jogado milhares de foguetes contra as cidades israelenses em apenas 15 dias; e o governo brasileiro ainda chamou o embaixador do Brasil em Israel “para consultas”, o que, na política internacional, significa um forte agravo ao país no qual se encontra a representação chamada para a consulta – ou seja, Israel. Em resposta, o Ministério de Relações Exteriores de Israel chamou o Brasil de “anão diplomático”. Por sua vez, o governo do nosso país ainda apoiou outra vez uma resolução no Conselho de Direitos Humanos na ONU contra Israel na qual o país estava sendo acusado de “crimes de guerra” enquanto os crimes do Hamas – incluindo o uso de escudos humanos dentre o seu próprio povo – eram outra vez completamente ignorados.

A verdade é que o governo brasileiro, nos últimos 13 anos, tem sido mais duro com Israel do que com terroristas das FARC e ditadores como Fidel Castro, Ahmadinejad, Bashar Al Assad e o falecido Kadafi. Lembrando que, em 2006, na gestão Lula, com Celso Amorim à frente do Itamaraty, o Brasil se absteve de uma resolução condenando o governo do ditador Omar al-Bashir, do Sudão, pelo massacre de cerca de 500 mil cristãos em Darfur; mas, quando o assunto é Israel, de lá para cá, o Brasil tem votado constantemente contra na ONU.

Antissemitismo está ressurgindo no Brasil?

Para piorar, essa atitude do governo do nosso país nos últimos anos parece que tem encorajado o ressurgimento de manifestações antissemitas em nossa nação.

Em março de 2012, o site do PSTU publicou um artigo de um de seus colaboradores onde ele pregava a destruição do Estado de Israel como um bem para a humanidade.

Em junho de 2015, o professor Luís Milman, de Porto Alegre, protocolou uma denúncia no Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) acusando a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) de antissemitismo. A queixa-crime se baseava num memorando que circulou dentro da instituição solicitando informações sobre a presença de alunos e professores israelenses na universidade. Em um vídeo publicado na página da UFMS para esclarecer a controvérsia, o reitor da instituição, Paulo Afonso Burmann, confirmou a existência do memorando, mas foi enfático ao negar qualquer motivação antissemita por parte da faculdade. Para piorar, segundo o reitor, o memorando foi adulterado com palavras de ordem como “Liberdade para a Palestina – Boicote a Israel”.

Segundo o site do jornal “O Globo” informou em matéria de 6 de junho do ano passado sobre o caso, “na solicitação feita em agosto de 2014 via Lei de Acesso, as entidades trazem inúmeros apontamentos para justificar o pedido de informação, e um dos tópicos menciona ‘os lamentáveis fatos ocorridos na Palestina no último mês, mais especificamente a agressão de Israel à Faixa de Gaza’, outro cita princípios ‘covardemente violados pelo Estado de Israel no massacre contra o povo palestino’”.

Que Deus livre o nosso país do antissemitismo. Nós, cristãos, evangélicos, somos terminantemente pró-Israel, e nosso país também tem uma tradição antiga pró-Israel que tem sido quebrada na última década, atraindo mais males para o nosso combalido país.

Ser pró-Israel não significa concordar com todas as decisões do governo de Israel. É reconhecer o que Israel representa para o mundo; reconhecer seu lugar de destaque na história da humanidade; reconhecer as promessas de Deus para aquele povo e também seu direito de existir como nação independente – como uma nação que, diferentemente de seus vizinhos na região, respeita realmente os valores democráticos. Que nossa oração seja a mesma do salmista: “Paz sobre Israel!” (Salmos 128.6).

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