Fortalecendo os laços familiares

Fortalecendo os laços familiaresA família foi instituída por Deus para ser a base da vida social, moral e espiritual. Deus viu que não era bom o homem estar só e logo tomou providências para tirá-lo da solidão, promovendo uma relação de identidade com outro ser da mesma espécie e de gênero diferente, para que pudesse completar a sua felicidade e ter capacidade de procriação.

Como constituição humana, o casamento não deixa de ter também seus infortúnios, pois o pecado estragou a perfeita relação social e afetiva. Não é fácil encontrar uma boa esposa (Provérbios 18.22-31), assim como um esposo protetor, compreensivo e dedicado também é um tanto raro.

Os padrões da nossa sociedade se alteram constantemente e individualmente as pessoas têm evidenciado um egoísmo muito grande, de tal forma que poucos são os que se dispõem em favor do outro. Alguns padrões que se apresentavam relevantes em determinados períodos hoje são questionados e desprezados.

Aumenta assim a responsabilidade da Igreja em manter os parâmetros estabelecidos nas Escrituras para a conservação e bem estar da família.

A família é formada por homem, mulher e filhos, que assumem comprometimento em âmbito social ou em ideias. É um micro sistema social que estabelece relações e vínculos afetivos. Na união de amor que deve existir no seio da família, as distinções devem ser superadas. Vemos o exemplo disso em Cantares de Salomão. Quando se faz o registro do amor puro devotado por um rei em favor de uma modesta pastora de ovelhas, ela, na sua singeleza, diz “Eu sou morena, mas agradável” e recebe como resposta: “Tu me fazes delirar, minha irmã, minha esposa, tu me fazes delirar com um só dos teus olhares, com um só colar do teu pescoço. Como são deliciosas as tuas características, minha irmã, minha esposa! Mais deliciosos do que o vinho são teus amores e o odor dos teus perfumes excede o de todos os aromas! Teus lábios, ó esposa, destilam o mel; há mel e leite sob a tua língua. O perfume das tuas vestes é como o perfume do Líbano”.

Isso mostra que para se ter um bom relacionamento devem ser rompidas as barreiras culturais, sociais, econômicas ou de qualquer outro tipo.

A despeito da sua simplicidade, a delicadeza da pastora de Suném era algo confortador para o coração do rei e ele a elogiava. Mas, a mulher deve encontrar no seu esposo apoio e afeto também. O homem deve prestar apoio ao desenvolvimento social, profissional e intelectual da sua esposa, não se sentindo ameaçado quando a mesma busca o seu próprio espaço de crescimento. Sendo virtuosa, satisfeita e agradecida, ela vai considerar o bem e reagir com amor.

Temos que lembrar que somos seres gregários, e o fato de vivermos em grupo faz com que um precise do outro para obter segurança, provisão, conhecimento e tudo mais. Assim, temos que construir uma estrutura que nos permita filtrar os estímulos externos para bloquear aqueles que não fariam bem para a nossa condição familiar.

A busca da competência emocional é uma das obsessões da psicologia. Leva tempo, depende de maturidade e de certa dose de sabedoria para viver livre da “tirania do outro”. Ser capaz de construir relações humanas adequadas é uma das qualidades da pessoa estruturada e da personalidade sadia. Ser maduro significa assumir autonomia por seus sentimentos sem transferir para os demais a responsabilidade pelas consequências de suas ações e por sua eventual infelicidade. Pense na “Parábola do Filho Pródigo”, registrada em Lucas 15. Ali vemos a condição social da família, distintas personalidades, distintas funções como membros do grupo, interesse individual de cada um, relações afetivas entre os membros da família, influência de terceiros na vida do pródigo e depois na do seu irmão (ações e reações dos mesmos), e opinião e decisão firme do pai em relação às várias situações apresentadas.

A fonte de muitos conflitos está no fato de cada um ter seus projetos pessoais sem que seja possível realizá-los sozinho. E as pessoas com quem nos relacionamos acabam exercendo influência sobre nossas decisões, e algumas vezes não temos como nos livrar disso e nem seria inteligente fazê-lo. A verdade é que uma pessoa não se conhece satisfatoriamente se não usar também os olhos dos outros.

Todos os que constituem ou pretendem constituir família alegam o fato de estarem amando profundamente. Amém, se isto for verdade pura! Mas, quando amamos precisamos perceber se amamos o objeto, o sujeito ou nossas próprias projeções. Algumas famílias são um micro-sistemas sociais que renegam o modelo estabelecido por Deus, preferindo meramente se adaptarem às convenções culturais e desenvolverem determinadas finalidades dentro do sistema em que vivem na sociedade. Porém, a família só será sadia se observar os preceitos divinos para sua vivência.

A expectativa de que conseguindo formar uma família o indivíduo se realiza e alcança total felicidade é falsa quando essa família formada não se apoia em princípios divinos básicos para a sua subsistência. Quando isso acontece – esse afastamento do ideal divino –, vêm os choques de idealizações e as frustrações por inadaptação, por problemas, pelas crises, e os mecanismos de defesa são logo acionados: regressão, projeção, sublimação e negação. Só Deus pode restaurar a saúde da família.

O casamento traz uma unidade, porém isso não significa igualdade. É preciso compreender as diferenças e destacar as qualidades para que os laços do casal sejam fortalecidos.

Em 1 Coríntios 7, Paulo afirma: “O marido cumpra o seu dever para com sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido”. O casamento deve ser uma união de almas – isto é, não apenas compromissos formais, mas também sentimentais. Isso não significa que cada cônjuge perderá sua própria identidade, mas fala da valorização mútua dos cônjuges.

Às vezes, pensamos assim: “Como entender os outros e fazer-se entender? Por que ele(a) não consegue ver o que eu vejo? Por que não percebe a clareza de minhas intenções e ações? Por que interpreta erroneamente meus atos e palavras e complica tudo?

O processo de interação humana acontece por interferências ou reações voluntárias ou involuntárias. Assim, um olhar, um sorriso, um gesto, uma postura corporal, um deslocamento físico de aproximação ou afastamento constituem formas não verbais de interação entre as pessoas. É preciso comunicação, diálogo, atenção, carinho e valorizar o outro. Dessa maneira, os laços familiares serão fortalecidos.

Por, Paulo Sérgio Gonçalves.

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