Família e igreja: harmonia de prioridades

Família e igreja - harmonia de prioridadesA lista de prioridades estabelecida e comumente ensinada no meio evangélico é a seguinte: “Deus, eu, a família e a igreja”. Até aqui tudo bem, a lista está correta, Deus deve ser nossa prioridade (Mateus 6.33). Porém, existe um equívoco em não se ensinar que o desafio do restante desta lista não é manter estas prioridades em ordem, mas em equilíbrio. O correto é dedicar-me a estes aspectos em harmonia. Saber priorizar as atividades de maneira que as tarefas entrem em equilíbrio evita o desentendimento e a divergência na família. Assim, não é adequado tirar tempo para mim com prejuízo para o lar ou assistir a família em detrimento da igreja e nem tampouco servir a igreja com prejuízo no seio familiar.

Todos os cristãos sabem que as atividades na Igreja são intensas e exigem muito tempo, especialmente para o obreiro. Se o casal não souber administrar os eventos do ministério, raramente terão tempo para si ou para sua família. Por isso, o casal precisa colocar em prática o princípio do equilíbrio das prioridades. Se não as observar colocará em risco a família, a saúde, a comunhão com a igreja e acima de tudo o relacionamento com Deus. Por esta razão a família precisa harmonizar as prioridades, ou seja, estabelecer metas de comum acordo (Amós 3.3).

Para tanto abordamos dois pilares fundamentais que ajudam harmonizar as prioridades da família e da igreja. Em primeiro lugar, o casamento deve ser sólido e servir de proteção para o marido, sua mulher e seus filhos. Se o casal não souber separar os conflitos da igreja do relacionamento familiar então às dificuldades da vida a dois serão ainda maior. É preciso ter consciência que o trabalho eclesiástico nunca acaba e mesmo inconscientemente os problemas da igreja acabam sendo levados para casa. Estas situações quando não administradas esfriam o amor e a paixão, afastam o casal e os obrigam a viver como estranhos dentro da própria casa. Para evitar ou corrigir estas situações o casal precisa conversar, entrar em acordo e adotar ações para manter sólido o casamento. Segue algumas dicas para valorizar todos os momentos juntos:

– Façam esforço para viajarem juntos aos eventos da igreja (lembrem-se que estes gastos financeiros são investimento no seu casamento);

– Reservem, ao menos, um dia da semana para estarem a sós (estabeleçam dias e horários para desfrutarem de privacidade);

– Façam alguma atividade diferente dos trabalhos eclesiásticos (saiam para passear, descontrair e conversar); e

– Quando estiverem juntos, deixem de lado os problemas da igreja (façam todo o esforço para imprimir qualidade no momento a dois);

O segundo pilar está relacionado com a educação dos filhos. Os filhos precisam sentir segurança na educação que recebem dos pais (Efésios 6.4). Os filhos também necessitam perceber que o lar é um local de refúgio e proteção. É indispensável que a educação não seja hipócrita, o caráter dos pais devem imprimir o temor a Deus nos filhos. Expressões como “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço” sequer deve ser nomeada no lar cristão. É preciso ainda tomar ciência que os filhos enfrentam conflitos na igreja. Por isso os pais devem ajudá-los a superar estes problemas. Os filhos normalmente estão em fase de crescimento, são crianças, adolescentes ou jovens que não possuem maturidade suficiente para sair incólumes de tais dificuldades. Uma reação comum entre os filhos que sofrem pressão da igreja é a desistência. Frequentemente filhos de crentes não querem mais frequentar a igreja por lhes faltar apoio e orientação. Para ajudar na solução de tais dificuldades, seguem algumas dicas:

– O diálogo franco acerca da situação é o caminho mais curto para a solução do conflito (ignorar, fazer de conta que nada está acontecendo só servirá para acirrar a situação);

– Os filhos precisam ser ouvidos para poder desabafar e apresentar a sua própria versão dos fatos (é preciso descobrir o verdadeiro motivo das frustrações com a igreja e assim apresentar alternativas);

– Caso os filhos tenham parcela de culpa, então devem ser tratados com firmeza e brandura (ser complacente com o erro tornará a situação cada vez pior); e

– A família deve estabelecer dias e horários para o culto doméstico (buscar ao Senhor juntos e compartilhar a fé ajuda a fortalecer a unidade familiar).

Ao finalizar, trago para reflexão o problema das famílias que se encontram profundamente machucadas porque não souberam harmonizar as prioridades, não conseguiram criar ambiente saudável para ouvir os filhos, não estabeleceram momentos de privacidade e com isso não tiveram habilidade para lidar com os conflitos entre a família e a igreja. Como resultado do conflito não resolvido ou mal resolvido, alguns lares encontram-se em desarmonia e vivem grave crise de relacionamento. O único caminho plausível para solucionar tal conflito é a urgente reconciliação e o estabelecimento de harmonia nas prioridades a fim de alcançar cura e restauração na família.

Por, Dirley da Silva Baptista.

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