Família deve dar testemunho nas finanças

Família deve dar testemunho nas finançasPara muitas pessoas, falar de dinheiro é algo pouco espiritual. Porém, a Palavra de Deus contém centenas de versículos que tratam do assunto, mostrando que esta é uma visão completamente equivocada.

Em todos estes versos, sem exceção, a orientação é que o cristão tenha uma vida financeira equilibrada, com total condição de honrar seus compromissos, como está escrito em Romanos 13.7-8: “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor”.

Entretanto, o que temos visto é um comportamento completamente contrário a estes preceitos, mesmo entre crentes. Diversos irmãos com os seus nomes colocados no cadastro de inadimplentes dos sistemas de proteção ao crédito, por falta de pagamento de suas obrigações ou emissão de cheques sem a devida provisão de fundos, o que configura um grande mau testemunho.

Deus quer que todos nós tenhamos uma vida financeira saudável, onde prevaleça o orçamento, planejamento e responsabilidade em detrimento do consumismo desenfreado. “Pois qual de vós querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar. Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele dizendo: Este começou a edificar e não pode acabar” (Lucas 14.28-30).

Estes versículos falam de controle de despesas, orçamento e planejamento, ou seja, princípios financeiros básicos para se caminhar bem na área financeira.

Podemos afirmar que uma vida financeira saudável está calcada sob duas colunas. Vamos começar analisar a primeira – o comportamento que devemos ter com o dinheiro, isto é, a forma com que lidamos com ele. Pois a moeda pode ser uma bênção para algumas pessoas e uma desgraça para outras.

Geralmente, a nossa relação com o dinheiro é fruto da educação que aprendemos com nossa família. Por exemplo, uma pessoa que foi educada por pais responsáveis, que tinham a preocupação em ter as suas contas em dia, costumam ter um conceito financeiro completamente diferente daquele indivíduo cujos familiares viviam endividados e não tinham muita preocupação em manter as suas contas sob controle. Essa influência que tivemos, acaba por determinar o nosso perfil financeiro quando adultos, isto é, a forma como lidamos com a moeda em nosso dia a dia.

Veja abaixo alguns perfis financeiros e descubra em qual você se encaixa hoje:

Avarento – Tem paixão pelo dinheiro, faz de tudo para não gastar. Meter a mão no bolso traz sofrimento.

Gastador – Consumista compulsivo, o que importa é comprar. Compra coisas de que não precisa e que as vezes nunca usa.

Distraído – Pessoas que não controlam seu saldo. Olham seus extratos de vez em quando. Não gostam de lidar com a parte financeira de suas vidas.

Financeiro – Pessoas que querem controlar todos os gastos. Conferem sempre sua movimentação financeira. Não gostam de surpresas. Pensam em economizar.

Sendo assim, o que acontece na vida real é que de um lado temos a pressão pelo consumismo desenfreado (marketing), a grande oferta de crédito (bancos) e do outro, o perfil financeiro das pessoas, levando-as a compras por impulso, sem necessidade e sem planejamento, resultando em desequilíbrio financeiro. Isaías 55.2: “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão e o vosso suor naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares”.

Por isso, é fundamental todas as pessoas fazerem uma reflexão séria a respeito de como se comportam na relação com o dinheiro. E caso percebem que tem algum problema, mudem, pois caso contrário tudo continuará de mal a pior.

Existem pessoas que entram em um shopping para tomar um sorvete e acabam saindo com uma série de embrulhos, outras ficam aborrecidas ou deprimidas e compram.

Pesquisas mostram que 33% dos casais brigam com frequência por causa de dinheiro e 7.5% brigam sempre por este motivo. Não é para menos. Imaginem o casal em que um deles possui o perfil Financeiro e outro o perfil Gastador ou um é Avarento e o outro Distraído. Está claro que haverá muita discórdia entre esses parceiros e será necessária muita sabedoria, renúncia e mudança de comportamento para a família não desandar.

A outra coluna essencial neste assunto é a da observância de alguns princípios financeiros básicos. Resumidamente é: fazer um orçamento e depois um planejamento tendo como base este orçamento.

E como fazer um orçamento? É muito simples, em primeiro lugar precisamos identificar, no detalhe, quais são as nossas despesas e receitas mensais. Quando usamos a expressão, no detalhe, estamos querendo dizer que não podemos deixar nada de fora, desde aqueles gastos pequeninos do dia a dia, até o maior.

Para isto sugerimos que todos os membros da família anotem, sem exceção, o que está sendo gasto no dia a dia, em uma agenda de bolso, no celular, onde preferirem.

É importante salientar, que esta providência dará condições de se ter uma fotografia da real situação no que diz respeito às despesas, dívidas, renda e investimentos.

Depois, tudo o que foi anotado deve ser colocado em uma planilha, classificado e comparado com a renda da família e, então, as primeiras decisões deverão tomadas. Isto é, se a renda for maior que as despesas é um ótimo momento para se pensar numa poupança, porém se as despesas forem maiores, será necessário os devidos cortes.

Feito o orçamento, passamos para a fase do planejamento, isto é, com base nos dados que estão na planilha, se faz necessário tomar as decisões pertinentes para o futuro da família – o que deve ser cortado, qual o montante que se pode poupar, a conquista material que a família deseja alcançar, etc. A partir do momento que se tem uma visão das receitas e despesas fica muito fácil projetar o futuro, alcançar metas e realizar sonhos.

Como podemos ver, construir um orçamento é extremamente simples. A grande dificuldade para muitos está na necessidade de ter disciplina e perseverança. Já que tudo isso exige mudança de comportamento. Contudo, a gravidade da situação de quem tem uma vida financeira desregrada não é só aqui no campo material, mas também no espiritual. Afinal, “ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de se aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza”, Mateus 6.24. Por isso, é crucial hoje você decidir deixar de ser controlado pelo dinheiro e passar a controlá-lo. Deixar de ser seu escravo e passar a ser seu senhor. Passar a usá-lo e deixar de ser usado por ele. É ir contra a lógica desse mundo, passar a comprar sem se endividar e fazer planejamentos de curto, médio e longo prazo. “O homem de bem deixa herança aos filhos de seus filhos”, Provérbios 13.22a.

A vida financeira de uma pessoa só melhora a partir do momento em que ela decide por isso. É uma decisão pessoal e nada acontecerá enquanto ela não perceber que precisa mudar o seu comportamento atual. Sendo assim, o contido no livro de Provérbios 14.23 ilustra bem o que quero dizer: “Em todo trabalho há proveito, mas ficar só em palavras leva à pobreza”. Não fique somente no discurso, mude!

Por, Márcio Antônio Motta.

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