Família cristã: sobrevivendo à pós-modernidade

Família cristã - sobrevivendo à pós-modernidadeDe todos os desafios que a família tem de enfrentar nesta presente era, sem dúvida, o de manter-se como guardiã dos valores morais e espirituais tem sido o maior deles.

Antes de discorrermos sobre os desafios da família cristã na atualidade, precisamos conceituar o que é pós-modernidade. Vivemos em “o melhor dos tempos e o pior dos tempos”, como disse Charles Dickens. Apreciamos o conforto e a eficiência de nossa época, ao mesmo tempo em que a nova cultura invade as nossas casas, a nossa vida e até as nossas igrejas, trazendo uma hoste de pressões para separar-nos de Deus.

Vivemos um tempo como nenhum outro. É a era da tecnologia, das imagens, da informação e das rápidas mudanças. Os tempos mudam. E as mudanças têm ocorrido de maneira desenfreada nesses últimos dias.

Quando olhamos para a história percebemos que cada época foi marcada por determinadas mudanças. Por muitos séculos, a percepção que tinha da vida, do mundo, de Deus e do homem era quase sempre visualizada por uma perspectiva bíblica. Mas, nos tempos modernos, a sociedade foi invadida por conceitos materialistas e existencialistas, que mudaram completamente a cosmovisão dos indivíduos. As verdades eternas têm sido trocadas pelas ideias pós-modernas. Precisamos discernir o nosso tempo. Jesus disse: “Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?” (Lucas 12.56).

E o que vem a ser essa tal de pós-modernidade? Literalmente falando, significa após a modernidade, de um modo muito simplificado, que na modernidade, Deus, como o absoluto e o fundamento para a visão de mundo e dos seus valores, foi substituído pela razão. De um modo geral, tudo o que se afirmava só teria valor se fosse aprovado pela razão, única em condições de decidir sobre a verdade.

O homem moderno passou a crer no que podia provar, não no que se alegava. Essa nova postura também trouxe consigo a ideia do desenvolvimento da humanidade através do conhecimento científico, prometendo a emancipação do homem. Mas quando olhamos para trás concluímos que esse projeto da modernidade falhou, ou seja houve um grande avanço da ciência e da tecnologia, mas também o desenvolvimento de armas de destruição em massa, a primeira e a segunda guerra mundial, a devastação da natureza, a degradação moral, entre outras coisas. Mesmo assim a sociedade não se voltou para Deus. E, se a modernidade substitui Deus pela Razão, a pós-modernidade removeu a razão não colocando outra coisa no lugar. Basicamente essa é a situação pós-moderna: não há fundamentos!

Segundo os estudiosos, pós-modernidade é o nome atribuído às transformações ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedades avançadas desde 1950, quando, por convenção, se encerra o modernismo (1900-1950). Realmente, o nosso mundo cultural tem passado por uma revolução extraordinária. Mas há também uma mudança que ocorre silenciosamente, por intermédio da qual novos conceitos vão sendo propostos. Sem que percebamos, estamos sendo envolvidos pelos moldes da atualidade.

Os valores intrínsecos do cristianismo e a Verdade da Santas Escrituras vão cedendo lugar aos valores efêmeros da vida. Jesus valorizou o ser. Ele ensinou que uma alma vale mais do que o mundo inteiro com todas as suas famas, riquezas e posições.

Os valores eternos estão sendo invertidos. Os sinais decadentes da nossa sociedade são visivelmente perceptíveis: Não há verdade, não há amor, não há conhecimento de Deus e prevalece a violência de forma implícita e explícita. A situação de injustiça e opressão na qual vive a sociedade hoje é fruto do afastamento do homem de Deus e de Sua Santa Palavra. O Inimigo tem tecido uma rede de mentiras de forma camuflada, aparentemente inofensiva através de diferentes meios e instrumentos da atualidade tomando espaço na mente, no coração e na alma das crianças, adolescentes, jovens e adultos.

Todas as famílias estão inseridas num sistema no qual prevalecem conceitos como: Relativismo (os valores absolutos deixaram de existir), Hedonismo (o prazer tornou-se o alvo principal da vida), Pluralismo (ninguém pode reivindicar que está com a verdade; uma vez que a verdade é relativa, não existe mais Verdade, mas verdades), Pragmatismo (a validade de uma doutrina é determinada pelo seu bom êxito prático e o Liberalismo (cada um livremente constrói o seu padrão de conduta, as tradições e os padrões de conduta para o homem, como a Bíblia, por exemplo, devem ser deixados de lado porque negam ao homem a sua individualidade).

A Sagradas Escrituras falam sobre esse tempo que estamos vivendo. Tempo em que as pessoas se recusam a dar ouvidos à Verdade (2 Timóteo 4.4). É possível perceber que a ênfase da pós-modernidade está no ser humano e na sua própria satisfação. O homem tornou-se o seu próprio deus. Isso nos soa familiar? “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus sereis, conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3.5). Essa foi a sugestão de Satanás quando enganou Eva.

Diante desse cenário, uma pergunta se faz necessária: quais são os desafios da família cristã na pós-modernidade?

A pós-modernidade trouxe-nos um senso de alienação nos relacionamentos humanos, um desassossego e uma luta sem fim, com uma incapacidade de repousar, uma vastidão de opções que muitas vezes nos oprime, uma secularização que nos priva de esperança em meio ao sofrimento e ao mal. Há fome na terra pela Palavra de Deus.

Este é o século em que vivemos e com o qual não podemos nos conformar, porque apesar das épocas mudarem, os nossos desafios como homens e mulheres, como famílias instituídas por Deus, ainda são os mesmos. Em sua carta aos Romanos 12.2, Paulo nos adverte que não devemos nos conformar com este mundo.

Deus convoca as famílias a terem uma vida que priorize a disciplina no estudo da Palavra de Deus para renovação da nossa mente, porque a Bíblia fornece a proteção necessária para se manter um lar.

O Senhor nos chama à responsabilidade para a observação e cumprimento das regras morais de Sua Palavra, à perseverança na oração para comunhão diária com Deus e muita vigilância, pois a visão da sociedade tem influenciado e amoldado a perspectiva de muitos sobre relacionamento conjugal e sexualidade. “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5.8).

É necessário que cada família, viva, ore e trabalhe para chegarmos juntos ao céu. Conforme o apóstolo Pedro nos ensina em sua segunda epístola, que o Senhor não quer “que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3.9).

Por, Edna Lourenço.

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