Falando sobre sexualidade com os filhos

thumbsdb1fEstamos em um mundo altamente sexualizado, onde as crianças desde muito cedo têm contato com este tema em comerciais, novelas, filmes, revistas, músicas, através de outros coleguinhas na escola já sensualizados, etc. Há constante incentivo social para usarem o corpo em danças, gestos ou palavras eróticas como nunca visto antes. A internet potencializou ainda mais este erotismo precoce.

Sensualidade vende, diz o capitalismo do marketing e da publicidade. Há pessoas seminuas até em propagandas de roupas de inverno, de carro, de margarina, de quase tudo. Com isso, as crianças, diferentemente do ciclo natural da vida, são bombardeadas e acabam por ter contato mais e mais cedo com diversas questões relacionadas ao assunto.

Hoje há meninas de 9 anos menstruando, fruto desse sistema. Pais que muito cedo incentivam o menino a paquerar, porém, quando esse menino de 5 ou 6 anos lhe faz uma pergunta na área da sexualidade, como: “Pai, de onde eu vim?”; “Porque você e a mamãe dormem juntos e eu não?”; “O que você fazem debaixo da coberta?” Nessa hora, infelizmente o pai “deslocado” foge do assunto ou dá respostas do tipo: “Quando você for maior irá saber”. Diz que esse não é assunto de criança ou ainda pior responde com as famosas mentiras: “Fui buscar você no hospital”: “Você veio da sementinha”; “Papai do céu trouxe você”. É lógico que o filho é dádiva de Deus e que você foi ao hospital quando sua esposa estava em trabalho de parto, mas você sabe que não foi isso que a criança perguntou. E se a dúvida dela não for sanada de maneira correta por você neste momento, poderá o ser através de um aprendizado distorcido fora de casa.

Outro dia, no consultório, me deparei com uma menina prestes a completar 11 anos, acompanhada de sua mãe, e quando eu estava fazendo anamnese perguntei se já havia menstruado. A mãe foi logo respondendo que não, com as bochechas vermelhas e com olhar apavorado. Perguntei, então, se já havia conversado sobre o assunto de sexualidade e mais de que rápido me respondeu: “Não, ela sabe que o neném vem da cegonha”. Fiquei bastante chocada ao ver que ainda hoje as mentiras de gerações passadas continuam sendo usadas, mesmo em um mundo com tanta informação e comunicação. Provavelmente essa menina, se já não sabe a verdade, logo saberá e como ficará sua confiança na mãe? Será que vai voltar a procura-la quando tiver dúvidas em relação ao assunto? Ou irá preferir ver na internet?

Na verdade, quando os pais mentem, à medida que o filho cresce passa a não obedecer ou confiar neles, pois percebeu a mentira. Como consequência irão buscar respostas em fontes duvidosas, o que pode ocasionar uma sexualidade perversa. Quem é aquela pessoa na internet que está falando de sexo com seu filho? Você não sabe, e provavelmente nem ele saiba quem é de verdade. Mas está sendo educado por ela.

Por muito tempo a sociedade e a igreja colocaram o sexo como pecado, algo ruim e terrível, o que fez com que muitas pessoas acreditassem que não poderiam sentir nenhum tipo de prazer, pois Deus abominaria. Logo, também viam com maus olhos falar sobre o assunto. Essa falta de educação sexual trouxe muitos problemas nos casamentos e às famílias como um todo.

É importante dizer que muitos pais ainda mentem para os seus filhos, quando na verdade deveriam aproveitar a oportunidade para responder-lhes de maneira clara e verdadeira, na linguagem da idade da criança, mas sem mentiras, a fim de orientá-los à luz da Palavra de Deus.

Do ponto de vista psicológico, quando a criança pergunta, significa que é o momento em que ela está preparada e disposta a ouvir sobre o assunto. Contudo, já existem pais que querem ser tão didáticos a ponto de, quando uma criança faz uma pergunta a respeito da sexualidade, dá uma aula de fisiologia e de filosofia, sendo que a criança não tem formação intelectual amadurecida para entender linguagem adulta. Outros acreditam ainda que deverão falar sobre assuntos relacionados à sexualidade quando seus filhos forem adolescentes, quando já é tarde, pois eles já buscaram informações e às vezes já têm até uma vida sexual toda conturbada pela curiosidade e informações distorcidas. Como dizem: “Conheci na prática”.

Uma das grandes reclamações que ouço, tanto no consultório como nas palestras é: “Eu gostaria de conversar sobre muitos assuntos com meus pais, inclusive sobre sexualidade, mas eles não dão abertura”. São muitas as perguntas feitas a mim, que os pais poderiam responder de maneira esclarecedora, e assim serem mais próximos de seus filhos.

Muitos carregam o mito que se falarem sobre sexualidade de forma clara estarão assim incentivando os seus filhos a uma vida sexual precoce. Muito pelo contrário! Todos os estudos mostram que, quando se orienta a criança sobre a sexualidade, sobre a importância de se proteger, de conhecer os seus órgãos genitais como parte importante do seu corpo, estarão muito mais protegidos de pedófilos, de abuso sexual infantil, orientações erradas e vida sexual precoce.

A falta de uma educação sexual poderá comprometer a personalidade do adolescente o tornando até perverso, por aprendizados ansiosos e inadequados. Não podemos esquecer que os nossos filhos serão reflexo, em quase tudo, da criação que dermos a eles. Se você tapar o sol com a peneira hoje, além de não ajudar seus filhos, colherá problemas bem maiores no amanhã, que de alguma forma terão que ser resolvidos.

Confortavelmente ou não, gostando ou não, precisamos nos preparar e estudar a respeito da sexualidade para orientá-los à luz da Palavra de Deus, para que amanhã nossos filhos possam estabelecer relacionamentos saudáveis, com uma vida sexual correta e prazerosa, abençoada por Deus, e que como consequência, eles possam reproduzir aos seus filhos os nossos ensinamentos.

Não deixe o seu filho perder o melhor da infância, da inocência, do “ser criança” para se tornar um pequeno adulto precoce. Não deixe que a sensualização precoce eduque seu filho através do game, da tevê, da música da moda ou dança do momento, quando a Bíblia orienta: “Ensina o menino no caminho em que se deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22.6), o ensino sobre sexo também está incluso nesse versículo. Com isso desenvolveremos em nossos filhos os conceitos éticos e morais, para que possam ter, no tempo certo, uma vida sexual sem medos ou traumas.

Por, Valquíria Andréia Salinas [psicóloga, psicoterapeuta e psicopedagoga]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »