EUA reconhem Jerusalém como capital de Israel e nações se dividem

Mídia, líderes da União Europeia e ONU se opõem à decisão, confirmando sua oposição a Israel; falácia de que tudo vai piorar não se sustenta

EUA reconhem Jerusalém como capital de Israel e nações se dividemO presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, sendo mais uma vez fiel às suas promessas de campanha (algo raro para políticos profissionais, algo que ele, de fato, não é), entrou definitivamente para a história da humanidade ao reconhecer, em 6 de dezembro último passado, a cidade de Jerusalém como capital do Estado de Israel. A decisão impactou especialmente o mundo islâmico, que se opõe, em sua esmagadora maioria, à existência do Estado de Israel.

Ao reconhecer Jerusalém, Trump apenas fez cumprir uma lei aprovada pelo Congresso norte-americano em 1995, portanto há mais de 22 anos, que estabelecia o reconhecimento de Jerusalém como capital indivisível do Estado de Israel e a consequente transferência da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém. Na época dessa aprovação, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, que estava no primeiro de seus dois mandatos presidenciais, não fez cumprir a lei, usando uma cláusula que permitia que o presidente, alegando segurança nacional, poderia adiar o reconhecimento e a transferência da embaixada norte-americana. Seus dois mandatos se passaram e ele não cumpriu a lei. Vieram, então, dois mandatos do presidente George Bush e o mesmo aconteceu. Em seguida, dois mandatos de Barack Obama e tudo continuou na mesma – com o detalhe de que tanto Clinton quanto Bush e Obama prometeram, em suas respectivas campanhas presidenciais, autorizarem o reconhecimento de Jerusalém e a transferência da embaixada, mas todos eles se esquivaram. Trump, no primeiro ano de mandato, cumpriu a promessa.

Logo após o anúncio, não apenas o mundo islâmico se manifestou contra a decisão (o que já era esperado), mas também a maioria da mídia, os líderes da União Europeia e, claro, a ONU, que nas últimas décadas tem se destacado na oposição a Israel, publicando seguidas resoluções de condenação aos israelenses, cujas acusações têm sido desmentidas com o passar do tempo. Lembrando que a ONU, no passado, tinha um outro posicionamento. Basta lembrar que foi a recém-criada ONU que aprovou a criação do Estado judeu em 1948.

Reconheceram Jerusalém como capital de Israel logo após o anúncio dos EUA os seguintes países: República Tcheca, Polônia, Hungria, Filipinas, Somália e Sudão do Sul. Outros devem fazê-lo brevemente. Lamentavelmente, o governo Michel Temer negou esse reconhecimento, mantendo a posição brasileira nas últimas décadas de se opor a Israel. Que o próximo presidente de nosso país tenha uma posição diferente, pró-Israel, o único país democrático do Oriente Médio.

Histórica, legal, moral e espiritualmente dos judeus

Algumas coisas têm sido omitidas ou distorcidas pela mídia – que é majoritariamente anti-Israel – e devem ser esclarecidas aqui.

Em primeiro lugar, durante toda a história, Jerusalém nunca foi capital de nenhum país árabe ou muçulmano, nem de um Estado palestino, o qual nunca existiu. Em segundo lugar, Jerusalém, como a conhecemos historicamente, foi fundada pelos israelenses, mais especificamente pelo rei Davi, que a retomou dos seus inimigos jebuseus (Josué já havia conquistado-a antes – ver capítulo 10 de Josué) e a tornou capital do seu reinado, passando ela a ser conhecida como Cidade de Davi, conforme relato de 2 Samuel 5, ganhando, a partir daí, toda a fama histórica, religiosa e espiritual que ganharia. Na época em que Davi a tomou, ela se chamava Jebus. Ou seja, foram os judeus que a rebatizaram de Jerusalém, que transformaram Jebus em Jerusalém. Isso mais de 1,6 mil anos antes do advento do islamismo.

Em terceiro lugar, desde os dias de Davi até hoje, Jerusalém nunca deixou de ser a capital do povo judeu, mesmo depois de conquistada e destruída pelos babilônios ou durante os impérios persas, grego e romano, quando foi novamente destruída.

Em quarto lugar, Jerusalém é razão de ser para os judeus. Quando estavam no exílio babilônico, os judeus cantavam: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria” (Salmo 137.5,6). Ou seja, Jerusalém é mais importante para os judeus do que Roma é para os italianos ou Paris é para os franceses. Há um componente não apenas cultural e patriótico, mas espiritual e de mais de 3 mil anos ligando aquele povo àquele lugar.

Em quinto lugar, mesmo após a diáspora, quando a população judaica se espalhou pelo mundo após a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C., nunca deixou de haver judeus morando em Jerusalém. Mesmo durante a tomada da cidade por um tempo pelos muçulmanos, havia judeus morando naquela região.

Em sexto lugar, Jerusalém está intimamente ligada à história do povo judeu, mesmo antes de ser conquistada pelos Israelitas. Ao que tudo indica, a cidade de Jebus, em um passado mais remoto, era onde estava a cidade de Salém, cujo rei era Melquisedeque, sacerdote do Senhor e amigo de Abraão, pai da nação Israel (Gênesis 14.18). Foi sobre o Monte Moriá, que fica em Jerusalém, que Abraão ofereceu seu filho Isaque, em uma das passagens mais importantes da história e da fé judaicas – e foi ali também que Davi, séculos depois, comprou um terreno para ali oferecer sacrifício a Deus e, depois, erigir o Templo conforme uma visão que Deus lhe deu (Gênesis 22.2; 1 Crônicas 21.18-30; 2 Crônicas 3.1).

Em sétimo lugar, Jerusalém é a terceira cidade em importância para os islâmicos, enquanto é a primeira em importância para os judeus. As cidades mais importantes para os muçulmanos são Meca e Medina, na Arábia Saudita. Jerusalém só foi ganhar alguma importância religiosa para os muçulmanos de poucos anos para cá, quando surgiu uma tese entre os muçulmanos de que a “mesquita mais distante” (“Al-masjid al-Aqsa”, em árabe), que o Alcorão não diz onde ficava e de onde Maomé teria ascendido aos céus segundo a lenda islâmica, ficava em Jerusalém, no local onde ficava o Templo em Jerusalém. Trata-se apenas de uma interpretação, e bastante questionável e adotada só recentemente. O Alcorão sequer menciona Jerusalém uma única vez, mesmo havendo em árabe 16 nomes diferentes usados para Jerusalém. Enquanto isso, Jerusalém é citada 667 vezes no Antigo Testamento e 144 vezes no Novo Testamento.

Em oitavo lugar, no século 20, os judeus compraram dos árabes terras de Jerusalém e ainda mantiveram a posse de Jerusalém após três guerras: a Guerra da Independência em 1948, a Guerra dos Seis Dias em 1967 e a Guerra do Yom Kippur em 1973. Israel fez valer o seu direito, que já era histórico, legal, moral e espiritual, também na guerra.

Em nono lugar, há as profecias bíblicas que em profusão relacionam Jerusalém ao povo judeu, como sendo sua cidade por direito, dada por Deus. E por fim, em décimo lugar, Israel preserva a liberdade religiosa e os lugares santos das demais religiões em Jerusalém. Dificilmente isso aconteceria em um governo palestino. Aliás, mais de 20% da população de Israel é de árabes-israelenses, que apoiam Israel, lutam no exército de Israel e têm representantes políticos no parlamento hebreu. Israel é o único país democrático do Oriente Médio. Enfim, por todos os ângulos que se olhe, inclusive o do bom senso, Jerusalém é, por direito, a capital do povo judeu.

“Mas isso pode atrapalhar o acordo de paz entre judeus e palestinos”, dizem alguns, quando, na verdade, não existe nenhum acordo de paz, por mais que Israel tenha se esforçado nesse sentido – cedendo terras, apoiando a solução de dois Estados etc. Os palestinos sempre sabotam todos os planos de paz. É só lembrar do célebre Acordo de Oslo de 1993, que todos acreditavam que encerraria com o conflito árabe contra os israelenses, mas que os palestinos quebraram sem ter razões para isso.

“Mas isso pode aumentar o terrorismo e os ataques a Israel”, dizem outros. Bem, décadas se passaram e o terrorismo não diminuiu, só aumentou; e a solução para ele não é o Ocidente se tornar refém do islã e do terrorismo. Além disso, as intifadas e os foguetes jogados quase que diariamente sobre Israel pelo Hamas já são uma realidade de décadas. Como o tempo tem mostrado eloquentemente, o não-reconhecimento de Jerusalém não mudou e não mudará nada disso. Como disse Trump em seu discurso anunciando o reconhecimento, “para resolver essas questões, são necessárias novas abordagens, não velhas”. Além do mais, Jerusalém já era capital de Israel há tempos. Ela não passou a ser agora. Os EUA apenas reconheceram um fato, uma realidade.

Capital de mais de 3,3 mil anos

A professora Sara Alice Cavalcanti, colunista do jornal Mensageiro da Paz e especialista em Israel e questões judaicas, ressalta que “o presidente dos EUA, Donald Trump, apenas confirmou a decisão do Congresso americano, do ano de 1995, de igual conteúdo. No entanto, faltou aos presidentes que assumiram a liderança da Casa Branca nessas duas últimas décadas a coragem de efetivar a decisão e proclamá-la publicamente. Por quaisquer que tenham sido os motivos (alguns alegaram questões estratégicas relativas à paz no Oriente Médio), a voz de um povo em defesa de Israel foi calada até que fosse suscitada a ousadia necessária para elevá-la como verdade e postura diante do mundo. Dado o tempo e as repetidas recusas em fazer cumprir a determinação do Congresso, a decisão foi ao Senado dos EUA, que a ratificou. Portanto, o que ocorreu em 6 de dezembro foi a efetivação de um querer que apenas dependia de vontade política para vir à luz”.

Sobre as repercussões no mundo, afirma professora Sara: “As repercussões da decisão já se fazem ouvir. Alguns chegam a dizer que Trump declarou a terceira guerra mundial. Outros ameaçam com retaliações desmedidas e alguns líderes islâmicos conclamaram à provocação de ‘dias de fúria’ contra todos os que defenderem posição similar à dos norte-americanos e, em especial, aos próprios Estados Unidos. Porém, alguns esclarecimentos são importantes para dimensionar o acontecimento, sempre tomando a Palavra de Deus como nosso referencial. Primeiro, o presidente Donald Trump não estabeleceu Jerusalém como capital de Israel, apenas tornou pública e referendou uma decisão já estabelecida em forma de lei pelo Congresso, inclusive com orientação para a transferência da Embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém. Segundo, ainda que as nações tenham reconhecido a existência de Israel há 70 anos, Israel existe desde o ano 1312 a.C., dois mil anos antes do surgimento do islamismo, quando o rei Davi a conquistou das mãos dos cananeus. Terceiro, desde a conquista, os judeus têm dominado ou sido presentes na terra de forma ininterrupta, em maior ou menor número. Em quarto lugar, por mais de 3.300 anos Jerusalém tem sido a capital de Israel e dos judeus em todo o mundo. É sua capital cultural, religiosa, étnica e política. Os árabes tiveram domínio sobre a cidade no ano 635 d.C. e esse domínio durou cerca de 22 anos. Os árabes jamais tiveram sua capital em Jerusalém, mesmo no período em que dominaram a cidade. O mais próximo de um centro político-administrativo é a região de Ramla. Mesmo quando os jordanianos ocuparam Jerusalém, eles não fizeram dela sua capital”.

Sobre a posição cristã sobre esse assunto, no que tange ao aspecto espiritual, frisa Sara: “Os principais eventos relativos à fé cristã ocorreram em Jerusalém e aqueles que são aguardados têm como núcleo a mesma cidade. O destino de Jerusalém está diretamente atrelado às expectativas dos cristãos em todo o mundo e, por isso, todos encontram-se com os olhos voltados para ela, aguardando e acompanhando cada acontecimento. A Bíblia exorta-nos a orar pela paz de Jerusalém sem, no entanto, nos ocultar que a cidade foi posta por Deus como uma pedra pesada, na qual as nações tropeçarão. A postura de cada povo com relação não somente aos judeus, mas com relação a Jerusalém, determinará bênçãos ou juízo futuros. Ao assumir publicamente uma postura de reconhecimento, os EUA, destarte as ameaças dos opositores, atrai para si recompensas do Senhor que, a seu tempo, serão vistas. O Brasil, infelizmente, vem mantendo uma política contrária a Israel e, no episódio em particular, tem pretendido uma neutralidade impossível. Cabe a nós, portanto, segundo nossas consciências e o esclarecimento do Espírito Santo, reconhecer humildemente que Deus usa a quem quer para estabelecer Sua vontade e, no momento em que a nós for concedida a escolha, optar por líderes que pronunciem claramente seu comprometimento com a causa de Sião”.

Ainda sobre esse assunto, conclui a professora Sara Cavalcanti, apontando para a questão escatológica: “Uma vez que os EUA tenham se pronunciado quanto ao assunto, os demais povos serão instados a, também, tomar uma decisão. Como escolherão as nações? Como se posicionarão, não apenas na cena política internacional, mas, sobretudo, que lugar tomarão na cena escatológica: entre as nações ovelhas ou entre as nações bodes? Há muito a acompanhar – mais ainda a apresentar ao Senhor em forma de orações. À parte das agitações provocadas pelos últimos acontecimentos, Jerusalém permanece como a capital única, eterna e indivisível de Israel e do povo judeu. Haja paz em ti, Jerusalém! Haja paz dentro de teus muros! Que os guardas colocados pelo Eterno sobre as tuas muralhas jamais se calem e jamais se cansem de clamar até que o teu dia rompa e que o Teu Rei estabeleça em ti o Seu Trono. Baruch HaShem!”.

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