Etiópia: país marcado pela miséria e lutas entre muçulmanos e cristãos

Etiópia - país marcado pela miséria e lutas entre muçulmanos e cristãosA tradição cristã da conta de que o cristianismo chegou ao país através de um jovem náufrago oriundo da cidade fenícia de Tiro, localizada no Líbano, na costa do mar Mediterrâneo. O nome do cristão era Freumêncio, que acabou por conquistar a confiança do rei etíope e foi destacado para educar o príncipe. Quando o príncipe assumiu o trono, ele declarou que a religião oficial de seu reino seria o cristianismo. Segundo consta, Atanásio foi o fundador da Igreja Ortodoxa Etíope em 332 d.C.

O avanço do islamismo no século 7 com os exércitos de conquistadores fez com que o país ficasse isolado do império romano do oriente (Império Bizantino), por isso acabou por estreitar suas relações apenas com a igreja de Alexandria (Egito). Apesar da ameaça do islamismo, a religião de Cristo continuou preponderante ao longo da trajetória da Etiópia. Dessa forma, por causa da sua proximidade com a igreja egípcia, os cristãos etíopes decidiram aderir à liturgia copta ortodoxa. As estatísticas dão conta de que a cada ano o crescimento da igreja é de aproximadamente um milhão de membros, a maioria resultante de  nascimentos em lares cristãos.

Quanto ao protestantismo, este chegou ao país com sociedades missionárias. A Igreja Protestante foi formada através do trabalho de três principais missões na Etiópia: missão Luterana, missão Interior do Sudão e a missão menonita. Em 1959 chegaram as missões luteranas que criaram a Igreja Mekane Yesus (Lugar de Jesus). A igreja é forte no sul e oeste da Etiópia, áreas consideradas abertas aos missionários, devido a ausência da presença ortodoxa.

Na década de 1920 a missão Interior do Sudão deu início às suas atividades no sul da Etiópia e se retirou do país durante a invasão italiana ocorrida em 1938. Quando os missionários voltaram à Etiópia, eles encontraram uma próspera igreja, formada por mais de 100 congregações e 20 mil membros. Desse ministério surgiu a igreja Kale Hiwot (Palavra de vida) e seu crescer prosseguiu desde o restabelecimento da liberdade religiosa, em 1991.

Depois da Segunda Guerra, a missão menonita desembarcou na Etiópia como agência de ajuda humanitária, mas foi permitido que evangelizasse no país. A missão influenciou no surgimento de duas igrejas distintas: a Meserete Kristos (Cristo é o fundamento), parte importante da organização menonita mundial; e a igreja Mulu Wengel (Evangelho Pleno), que opta por se manter afastada de ligações com o ocidente. O nome histórico do país é Abissínia, mas o nome Etiópia tem a sua origem na língua grega Aithíops, que significa “queimado”.

A constituição da Etiópia defende a liberdade religiosa, tendo outras leis e políticas no que contribui para a prática da fé de seus cidadãos. O governo local respeita a liberdade religiosa na prática, mas ocasionalmente algumas autoridades ferem este direito constitucional. Atritos em determinados locais entre as comunidades muçulmana e cristã culminaram em alguns episódios violentos. Através de vários programas cívicos, as autoridades tentaram combater a violência sectária.

Apesar disso, a comunidade cristã etíope foi atingida pela perseguição. Um exemplo foi o governo marxista de Mengistu Haile Mariam (1974-1991) que agiu com bastante severidade com os religiosos até 1991, ano em que aconteceu a queda do regime e as hostilidades arrefeceram. Em 1997, a igreja protestante foi marcada pela oposição oferecida por mulçumanos, cristãos ortodoxos e pelo governo.

Mas o panorama não é nada favorável aos evangélicos, por serem considerados seita e minoria no país africano. Os fieis são monitorados pelo governo e não usufrui dos mesmos diretos outorgados aos ortodoxos ou muçulmanos, pois são consideradas seitas. É curiosa a situação dos cristãos etíopes, em que são perseguidos por adeptos da sua própria fé. Embora vítimas de hostilidades, a igreja nacional experimenta crescimento acelerado, isto porque os ventos da liberdade tem proporcionado ambiente favorável à evangelização no país.

As estimativas apontam que a população etíope é diversificada. Existe na Etiópia mais de 70 grupos étnicos que compõem a população, esses grupos falam 84 línguas. O idioma oficial do país é o amarico e o maior grupo étnico é o Oromo. Entretanto algumas escolas passaram a ensinar outras mais faladas na região, como o oromifa e tigrina. Por causa do alto nível de infecção por HIV e a alta concentração da pobreza na maior parte da população, a expectativa de vida é de 56 anos. As estatísticas confirmam que apenas 42% da população com mais de 15 anos é alfabetizada.

Por, Seara em foco.

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