Estilo e princípios da liderança de Jesus

Estilo e princípios da liderança de JesusQuando lemos o registro de Mateus 16.24, vemos que o Mestre emite uma orientação insólita aos Seus seguidores. Mas que tipo de conteúdo é este que o Mestre expõe aos discípulos? Devemos desprezar nossas próprias vontades, desejos e convicções? A vocação para segui-lO é muito mais séria do que imaginamos e esta determinação exorta-nos a termos uma vida baseada nos valores morais e espirituais conforme a proposta do Evangelho, para nos tornarmos semelhantes a Jesus, em observação aos Seus ensinamentos.

A conduta do Mestre sempre foi fundamentada, sobretudo, na prática da verdade e do amor (João 18.20-21; Mateus 5.34-37), inclusive no trabalho de motivar e convencer os demais a segui-lO, tendo como plataforma o Seu estilo doador a ponto de oferecer a Sua própria vida (João 10.11).

Em sintonia com o propósito bíblico, enquanto líderes devemos seguir o exemplo deixado por Jesus doando a nossa vida pelos nossos liderados. Mas como assim? O líder deve agir com determinação, compromisso, humildade e autoridade. Cabe a nós, oferecermo-nos como servos fiéis (Marcos 10.45). Jesus sempre era visto cercado por multidões, pois o Seu comportamento demonstrava gerenciamento e organização. Ele jamais trabalhava sozinho, mas sempre compartilhava com os Seus discípulos de modo a valorizá-los (Mateus 10.1-16). Esse modelo precisa urgentemente ser implantado nas relações entre líderes e liderados, principalmente na convivência ministerial, porque não é nenhuma novidade que ocorre em vários contextos que alguns líderes absorvem para si toda a responsabilidade, tornando-se centralizadores.

Vemos que o evento da multiplicação dos pães exemplifica isto de forma muito clara. O Senhor ensina-nos de maneira prática como devemos proceder e administrar as situações; o trabalho dos liderados jamais deve ser negligenciado, uma vez que a sua atuação será fundamental em momentos adversos (Marcos 6.35-36).

O leitor atento da Palavra de Deus vai perceber nos registros de Mateus 28.18-20 e Atos 1.8 a relevância que Jesus dava ao discipulado. Ele sabia que Seu ministério seria incompleto sem antes preparar Seus sucessores. Para garantir sucesso em sua missão, o líder precisa agir em consonância com as lições deixadas por Cristo no Novo Testamento. O discipulado conduzido pelo Mestre foi tão eficaz que tem atravessado gerações, séculos adentro. Ele sempre oferecia aos discípulos uma visão maior do que a realidade. Potencializava e cofiava naqueles homens, por isso lhes deu a missão de continuidade (Mateus 28.20).

O apóstolo Paulo entendeu tão bem a dinâmica do discipulado de Cristo, que chegou a dizer: “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1 Coríntios 11.1). Ele não somente aprendeu mas praticou a arte do discipulado, como vemos no caso do jovem pastor Timóteo (2 Timóteo 2.1-2). O Apóstolo dos Gentios sempre priorizou a saúde espiritual de seu educando, ele compreendia a importância da continuidade do trabalho e que estava diretamente ligada ao jovem Timóteo estar sadio espiritualmente. Percebemos, então, que a missão da liderança precisa retornar a premissa do fazer discípulos.

Então, quem deseja alcançar um estilo de liderança semelhante ao de Jesus, faz-se necessário compromisso com a Sua Palavra e a prática da oração, áreas que o Senhor não negligenciou e as praticava constantemente, por isso teve completa vitória em Seu ministério (Mateus 4.1-4). Quando os liderados reúnem-se surgem diversas necessidades e uma delas é serem alimentados pois encontram-se famintos em ouvir verdades espirituais. Quando analisamos as Escrituras percebemos que Jesus nunca despediu seus discípulos sem antes atentar para suas diversas necessidades (Lucas 9.10-17). O líder precisa passar tempo em se preparar a fim de reunir conteúdo, alimentar e conduzir seus discípulos.

Simultaneamente, o líder jamais pode esquecer-se do altar da oração, pois o Senhor Jesus só opera no ambiente que está saturado pelo Espírito Santo (2Crônicas 7.14). A prática da oração é o ato mais sublime no Reino de Deus e desse modo o líder que desenvolve a prática da oração certamente terá sua vida e de seus liderados transformada.

Levando em conta os aspectos referentes ao estilo e princípios da liderança de Jesus, resta aos homens vocacionados por Deus a iniciativa de seguir os passos de Jesus, sendo exemplo para os fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé e na pureza (1 Timóteo 4.11-15). A fim de que o nome do Senhor seja glorificado, se quisermos produzir frutos permanentes em nossa liderança, precisamos estar afinados com a Palavra de Deus e a prática da oração, para o benefício do Reino de Deus. Jesus pede que deixemos nossos valores e interesses para Ele transformá-los e usá-los em benefício de Sua vontade, pois liderar não é uma escolha pessoal, e sim chamada do alto com a marca da autoridade espiritual (Lucas 10.19; Atos 3.1-9).

BIBLIOGRAFIA

LOPES, Jamiel de Oliveira. Psicologia Pastoral, a ciência do conhecimento humano como aliada ministerial. Rio de Janeiro, CPAD 2017.
NASCIMENTO, Edivaldo. Seminário de liderança cristã (Apostila). Rio de Janeiro.

Por, Ezequiel Pereira da Silva.

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