Entre os 24 anciãos está Matias ou Paulo?

“É o apostolado de Matias ou de Paulo representado nos 24 anciãos de Apocalipse?”

Entre os 24 anciãos está Matias ou PauloA fim de argumentar sobre a questão em tela, é necessário identificar quem é Matias e quem é Paulo no Novo Testamento. Vejamos sobre os dois em dois textos específicos: Matias em Atos 1.15-26 e Paulo em Atos 9.1-19. O primeiro relato trata da eleição de Matias para o apostolado. Entre a ressurreição de Jesus e o Pentecostes, os crentes de Jerusalém se reuniam não só para a oração, mas também para a reflexão a respeito da vaga deixada por Judas. Quem liderou a reunião foi o apóstolo Pedro, sobre a decisão de orientar a pequena igreja de cerca de 120 membros acerca da necessidade de alguém ocupar um cargo tão nobre. Pedro foi o líder da Igreja de Jerusalém em seu início (depois seria Tiago). É bom lembrar que estava se iniciando o seu ministério apostólico. Pedro baseia seus comentários na Palavra de Deus e dá a entender que a Escritura é autêntica e deve ser cumprida inexoravelmente. Assim, era necessário que um dos discípulos do Senhor fosse testemunha, juntamente com os outros apóstolos, da ressurreição de Jesus. Lançaram sorte entre José, chamado Barsabás, e Matias. Houve, portanto, a eleição de Matias. Apesar de Matias preencher a vaga no circulo dos 12 apóstolos, não ouvimos falar diretamente dele em todo o restante do Novo Testamento.

Quanto ao apóstolo Paulo, cuja conversão se deu no caminho para Damasco, percebe-se que o apostolado é, em si mesmo, um assunto intrigante. Paulo não preenchia as qualificações do apostolado, como os 12, mas se tornou o apóstolo destinado aos gentios. Ao lado de Pedro, Paulo é o apóstolo mais proeminente na Igreja Primitiva. Ele não poderia ter assumido o lugar de Judas, pois o seu apostolado é inteiramente distinto. A diferença entre Paulo e os Doze é óbvia. Ele submete o seu trabalho à apreciação dos apóstolos (Cf. Gálatas 1.18; 2.2,7-10). O mais curioso é que Paulo, de perseguidor da Igreja, tornou-se o mais incansável pregador e disseminador da mensagem de Boas Novas. Os relatos da conversão de Paulo na estrada de Damasco (Atos 9.1-19; 22.4-16; 26.12-18) trazem um tema comum: Paulo viu Jesus, que lhe falou na estrada de Damasco. Jesus leva Paulo à conversão aparecendo-lhe na luz da glória celestial. Ante essa luz sobrenatural, a única coisa que o homem pode fazer é cair e prostrar-se de rosto em terra.

Acerca dos 24 anciãos citados em Apocalipse 4.4, segundo o teólogo Stanley M. Horton, em Apocalipse (CPAD), o trono de Deus não é o único que João vê. Em redor dele, havia vinte quatro tronos para vinte e quatro anciãos. “Ancião” ou “presbítero” era um termo usado na Igreja Primitiva, sinônimo de bispo de uma igreja local. Os judeus usavam o termo para os membros do Sinédrio. Como afirma Horton, a Bíblia não explica quem eram os anciãos, mas alguns escritores pensam que são anjos governantes; só que há uma distinção entre anciãos e anjos no texto: os anjos estão do lado de fora do círculo dos anciãos (Apocalipse 5.11). E vale lembrar que, em nenhum lugar da Bíblia, os anjos são chamados de anciãos. No texto de Apocalipse 4.4, a palavra é usada em conexão com os anciãos assentados sobre o trono, e que têm poder real (Apocalipse 5.10). As roupas brancas são também prometidas aos crentes vencedores (Cf. Apocalipse 2.10 e 3.4). Logo, a maioria acha preferível crer que estes anciãos, de alguma forma, representam a Igreja. Sendo eles a representação dos 12 apóstolos e das 12 tribos de Israel, o nome de Matias, e não o de Paulo, é que está representado entre os 12 apóstolos. A representação de Paulo na visão de João, embora o seu nome não apareça, pode ser vista na multidão de salvos de todos os povos línguas e nações que se renderam ao Cordeiro por meio do ministério do apóstolo dos gentios.

Por, Germano Soares Silva.

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