Em busca da centésima ovelha

A necessidade do resgate daqueles que se afastaram dos caminhos do Senhor

Em busca da centésima ovelhaComo cristãos, somos convidados diariamente a nos dedicarmos à causa do Mestre. Fomos chamados por Cristo para cumprirmos uma missão a qual Ele nos encarregou: de sairmos de nossa acomodação para levarmos às pessoas a Boa Notícia, que é de paz, amor e perdão (Marcos 16.15). Pretende-se com isso que as pessoas conheçam o único Deus verdadeiro, Criador dos Céus e da Terra, que procura o homem e deseja relacionar-se com ele (Gênesis 3.9; João 3.16).

Mais do que o cumprimento de deveres e obrigações, devemos manifestar a nossa gratidão a Deus pelo que Ele é e pelo que Ele conquistou para nós, pecadores. O que não podíamos fazer para ter de volta a comunhão com o Pai, Ele o fez, reconciliando-nos Consigo, nos redimindo da escravidão do pecado (Romanos 5.10-11). A Bíblia nos revela que temos um alto valor para Deus. Ela diz que fomos “comprados por bom preço” e, portanto, devemos glorificá-lo pela dádiva da salvação (1 Coríntios 6.20). Uma tão grande salvação foi manifestada a nós, e não podemos deixar de ser agradecidos a Ele por ela (Hebreus 2.3).

Agradecer a Deus significa a realização de ações concretas que evidencia tal atitude, e o compartilhar da fé, que inclui amor, cuidado e atenção, denota este fato.

Falando em cuidado, ninguém demonstrou tanto apreço por nós quanto o Senhor Jesus. Em Mateus 18.10-14 e na passagem sinótica de Lucas 15.4-7, o Senhor Jesus conta a Parábola da Ovelha Perdida, em que o pastor, notando a falta de uma delas em um rebanho de cem animais, prefere deixar as noventa e nove que estão seguras para dirigir-se à procura da que desapareceu e, encontrando-a, leva-a feliz em seus ombros.

Em geral, a ovelha é uma animal manso, humilde, indefeso, submisso, sujeito ao ataque de lobos e mercenários, suscetível a cair em covas. A ovelha é frequentemente usada na Bíblia para ilustrar o que o cristão é para o Sumo Pastor.

São muitas as lições que se pode tirar da história narrada no texto:

a) Amor – É a primeira das lições, e dela depende todas as outras. O amor é uma das bases da Bíblia Sagrada, da vida cristã. E como tal, precisa ser vivido. Não deve apenas ser falado, mas demonstrado. Vivemos numa época de muita falácia e pouca ação, sendo que em muitos casos o amor tem sido banalizado, negligenciado, desprezado (Apocalipse 2.4). A Igreja do Senhor deve lembrar-se desse grande mandamento que Ele nos deixou: “Amai-vos uns aos outros” (João 13.34; 15.12; Romanos 12.10; 1 Pedro 1.22). Ao perceber a ausência da ovelha, a atitude esperada é a busca da mesma até encontrá-la. Nota-se aí a demanda de esforços a ponto de não se descansar até que a encontremos. Nesta circunstância, o pastor preocupa-se com o seu estado; ele a ama e, por isso, tira um tempo para se dedicar àquela que está ferida. Hoje, na era da Pós-Modernidade, ninguém tem tempo para determinadas coisas. Cada um busca o seu próprio proveito (1 Coríntios 10.24, 33). Isso tem gerado efeitos catastróficos e, em alguns casos, atingido a  igreja, ocasionando a negligência no serviço do Senhor onde muitos se valem de certas desculpas (Jeremias 48.10). Todavia, não deve ser assim (Lucas 22.16). Quem ama acolhe, abre mão de algo para ver o outro melhor, deseja o bem. Não busca vanglória, mas a glorificação do nome de Deus (Filipenses 2.3; 1 Coríntios 10.31 e 13.4).

b) Cuidado – Há um ditado popular bastante conhecido que diz: “Quem ama cuida”. No meio de cem ovelhas, perceber a falta de apenas uma revela o cuidado de quem assume tal responsabilidade. Parece que posso ver a cena do pastor contando uma a uma para verificar se estavam todas reunidas. Mas, na contagem, faltava uma! Nessas circunstâncias, cabem as seguintes perguntas: Qual será? O que tem se passado? Um pastor cuidadoso sabe que um animal manso e delicado pode a qualquer momento ser atacado por um lobo cruel (Atos 20.29). Sabendo do perigo da frágil ovelhinha, o melhor é ir atrás dela e procurá-la até encontrá-la. Em tal situação, não seve adiar a busca, mas agir rápido, mesmo que tenha que se ausentar das demais por um tempo. Caso ela não consiga andar, a colocamos nos ombros, pois não se deve deixá-la exposta ao perigo (Lucas 15.5). Na igreja, não deve ser diferente (Atos 20.28; Romanos 12.11; 1 Pedro 5.2). Temos atentado para as nossas ovelhas? Temos cooperado na busca de alguma que por acaso esteja faltando? (Provérbios 27.23; João 10.11-15). Jesus disse: “Tende todo cuidado para que não desprezeis a qualquer destes pequeninos” (Mateus 18.10).

c) Proteção – Segundo o Dicionário Aurélio, proteção significa “dedicação pessoal àquilo ou àquela que dela precisa”. Na história narrada, a proteção é manifestada quando Jesus afirma que o pastor não deixa a sua ovelha só. Se for preciso, ele a carrega, mas jamais a abandona (Lucas 15.5). O isolamento é algo que prejudica o cristão, deixa-o mais vulnerável, mais frágil (Lucas 13.34). Em Atos 20.29, vemos o apóstolo Paulo demonstrar total disposição em defender as “ovelhas”: “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho”. Observe que Ele diz “depois da minha partida”. Isso significa que, enquanto estivesse lá, ele as defenderia, as protegeria das ciladas advindas durante a caminhada cristã, dando-lhes a orientação necessária.

d) Valorização – Temos um valor tão grande para Cristo que Ele deu o Seu próprio sangue em nosso favor (Marcos 14.24), de modo que quando um pecador se arrepende há alegria no céu (Lucas 15.7). Retornando ao assunto em questão, vemos a recomendação do Senhor: “Não desprezeis a qualquer destes pequeninos” (Mateus 18.10). “Pequeninos” aqui se refere aos ainda não amadurecidos espiritualmente, aos neófitos na fé que, portanto, precisam de apoio e atenção. Ninguém gosta de ser desprezado; quem despreza não valoriza.

Para conseguir êxito em qualquer empreendimento, é preciso ação, persistência e fé. No Reino de Deus, não é diferente. Na passagem de 1 Coríntios 3.6-8, o apóstolo Paulo compara o trabalho desenvolvido na igreja com a ação de um agricultor, denotando que a nobre tarefa designada aos santos exige cuidado, tempo e dependência de Deus (Cf. Tiago 5.7-8). Nota-se que Deus é o provedor do desenvolvimento e crescimento da igreja. É Ele quem faz com que a obra cresça, mas o trabalho em si é desenvolvido pelos irmãos. E Ele conta com isso (Mateus 28.19; Marcos 16.15; 1 Pedro 1.12).

Para que haja o crescimento, não basta apenas plantar. É preciso também regar. E isso requer parceria, com cada um cumprindo a função para a qual foi designado. Como uma planta que precisa de certos cuidados, assim devemos ser para os irmãos. Quem quer ver o rebanho crescer deve sair em busca das ovelhas desgarradas e cuidar delas.

Por, Cleiton Pereira de Meneses.

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