Do crime e da mendicância para Cristo

Hoje, Danilo Martins é pastor no Rio de Janeiro (RJ) e evangeliza em favelas

Do crime e da mendicância para CristoO envolvimento com o crime começou cedo na vida de Danilo Martins Filho. Nascido em 16 de outubro de 1967, o menino criado no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), conheceu de perto a violência e a criminalidade na capital fluminense. Hoje o pastor “Danilão” – como é conhecido pelos demais fiéis da Assembleia de Deus em Bonsucesso (RJ), liderada pelo pastor Jaime Soares da Silva, e pelos moradores da região por onde perambulou – é visto como um verdadeiro milagre.

Danilo conta a sua história: “Eu fui criado sem o meu pai que passou a viver pelas ruas como mendigo. A minha mãe cuidou de mim e mais quatro crianças. O nosso sustento era proveniente de sua vida de prostituição. Mas o meu ingresso na vida do crime começou aos oito anos de idade quando um traficante pediu para eu levar munições para uma área do Complexo do Alemão denominada ‘Central’”.

O tempo passou e a família mudou-se de endereço e foi viver em outra área do Complexo chamada “Fazendinha” e neste momento de sua vida, Danilo entregou-se à bebida. O menino contava apenas 11 anos de idade. Ele lembra que não foram poucas as ocasiões que chegava em casa completamente bêbado. Mas como um abismo chama outro abismo (Salmos 42.7), o jovem envolveu-se, de fato, na vida do crime ao fazer parceria com o primo que já atuava como assaltante. “Ele assaltava as kombis que transportavam cigarros e café, mas eu também fiz parceria com outros bandidos como o ‘Durval’ e o ‘Zé Pequeno’, ambos criminosos que agiam no Complexo. Lembro-me do ‘Mineiro’ também, mas este se converteu a Jesus e abandonou a vida do crime”, comenta.

Mas se a vida do jovem Danilo já estava complicada por conta do vício da bebedeira e seu início como bandido, a situação ficaria bem mais perigosa quando decidiu “fechar o corpo” contra seus inimigos. Para isso, o rapaz recorreu aos demônios em uma visita ao cemitério e naquele ambiente assustador, fazer um pacto com o Maligno. “O trato era o seguinte: que os meus assaltos seriam promissores, sem a intervenção das autoridades. Na verdade eu queria ganhar muito dinheiro, e foi o que realmente aconteceu, pois em nossas atividades saíamos com naturalidade sem nenhuma interferência da polícia”.

O jovem iludido pelos assaltos realizados e com o dinheiro adquirido nos roubos, decidiu investir pesado na cocaína, narcótico que passaria a ser seu companheiro constante. Se o pacto com os demônios o transformara em um bandido impiedoso, ele adotou um apelido que o tornaria mais sombrio. “Escolhi o nome Jason, devido ao filme de terror cujo protagonista é um assassino armado com um facão. Pois bem, adotei o uso do tal facão e passei a ameaçar as minhas vítimas com a arma em punho”. O ex-assaltante lembra-se de uma investida na qual ele e seus “colegas” embarcaram em um ônibus com destino ao Paraguai, todos utilizando nomes falsos para não serem reconhecidos. Ao longo da viagem, em plena Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, a quadrilha anuncia o assalto, Danilo retira o facão de dentro de uma mochila e passa a intimidar os passageiros; um deles, um senhor com uma aliança na mão esquerda foi o alvo do jovem assaltante. Ele ordenou que o homem retirasse a aliança, mas devido a dificuldade em tirar o objeto do dedo, o rapaz perdeu a paciência e disse ao homem que pusesse a mão no braço da poltrona que “em um só golpe eu resolveria o problema”, mas ao arremessar a sua arma contra a mão do passageiro, ele retirou e o braço da poltrona que foi partido ao meio. “Eu gritei: ‘como é que não sai do dedo?’ Em seguida, eu arremessei o facão contra o rosto daquele senhor. Mais tarde, ao contarmos o dinheiro de nosso roubo, a cena gravada em minha mente perturbou-me de tal maneira que eu não aguentei e passei a chorar compulsivamente. Ninguém conseguia acalmar-me. Até hoje eu lembro daquela cena com o rosto do homem ensanguentado”.

A saúde do jovem assaltante não era das melhores, o seu organismo entrou em processo de deterioração com o consumo de bebidas e narcóticos e o resultado foram crises de epilepsia. Além do mais, o vício do álcool afastou-o de seus companheiros. “Eles passaram a me chamar de ‘vacilão’, isto porque não havia mais condições de eu acompanhá-los nos assaltos”. Embora casado com a jovem Luciene, Danilo mudou-se para as ruas e sua vida como mendigo foi degradante: o seu vício em bebidas alcoólicas fez com que se humilhasse a fim de ganhar um copo de cachaça dos donos de botecos da região e exalava odor desagradável por não manter a higiene corporal. O jovem decidiu então cometer suicídio. Tentou matar-se duas vezes, sem sucesso. “Em uma das tentativas, eu ingeri diversos comprimidos de Gardenal acompanhados de bebida alcoólica. Eu dormi dois dias e já havia pessoas preocupadas com a minha suposta morte”.

Desesperado, o rapaz lembrou-se de alguém que poderia compadecer-se de sua situação e estender a mão amiga. “Eu fiz uma oração a Deus sobre o meu desejo em mudar de vida, depois eu compareci a um culto na congregação Fonte da Vida, filial da Assembleia de Deus em Bonsucesso. Era o ano de 2003. Durante o culto o demônio manifestou-se mas fui liberto pelo poder do Senhor. Eu também fui curado da epilepsia, pois a doença desapareceu. Eu já havia procurado os Alcoólicos Anônimos e até a feitiçaria, sem resultado”.

Hoje o pastor “Danilão” transporta viciados para acompanhamento em clínicas especializadas e costuma comparecer em bailes funks para anunciar a salvação por intermédio de Jesus, além de possuir passaporte para as suas viagens internacionais. “Eu sou casado há 31 anos, na época eu e minha esposa éramos adolescentes. Ela tinha 16 anos e eu 18. A minha filha Fernanda mora nos Estados Unidos, tem 27 anos, é casada há três com um norte-americano. Eu dou glória a Deus por minha libertação”.

O pastor Jaime Soares exulta na recuperação de Danilo e no evangelismo que realiza.

“O Danilo é um obreiro de valor, porque a sua recuperação é um exemplo a ser seguido por todos aqueles que almejam a sua ressocialização. Deus o tem instrumentalizado na salvação de outras pessoas também”.

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