Dez características marcantes da identidade da Igreja

Dez características marcantes da identidade da IgrejaEm 2 Coríntios 5.17, a Bíblia nos mostra um retrato perfeito do que vem a ser a verdadeira identidade de uma pessoa transformada por Cristo. Paulo apresenta alguns aspectos inerentes a esse novo modo de viver:

a) Para ser nova criatura, a pessoa precisa estar em Cristo. Estar em Cristo significa andar como El andou (1 João 2.6);

b) As coisas do passado, que moldavam o modo de viver antes de conhecer a Cristo, devem ser totalmente removidas dessa nova vida, não podendo existir mais nada que a prenda ao passado (Efésios 4.22-24; 5.8);

c) De agora em diante, tudo se fez novo. Isto é, uma nova vida em todos os aspectos: novo andar (Salmos 1.1), novo pensar (Filipenses 4.8), novo olhar (Salmos 101.3), novo falar (Efésios 4.25, 29), novo sentir (Filipenses 2.5), novo agir etc. Essa nova vida é demonstrada em dez comparações, sempre precedida da aplicação do verbo ser no presente do indicativo (“vós sois”) para reafirmar uma nova identidade.

Sal da Terra (Mateus 5.13)

Quando Jesus afirmou que nós somos “sal da terra”, Ele quis mostrar algumas peculiaridades inerentes ao sal, atribuídas à nossa identidade:

1) O sal só tem valor fora do saleiro – Não somos sal para ficarmos dentro da igreja, tentando mostrar a nossa espiritualidade aos demais membros ou até “competindo” espiritualidade com eles. Somos sal para mostrar o nosso sabor ao mundo (humanidade) que está apodrecendo no pecado e que precisa de algo que não deixe se estragar por completo, para conhecer a Cristo como Salvador e Senhor (Isaías 55.6). É a nossa diferença que levá-los-á a crerem em Cristo.

2) O sal apresenta equilíbrio – Uma comida sem ou com pouco sal é de difícil ingestão, assim como um alimento extremamente salgado torna-se intragável, além do enorme mal que faz a saúde. Um crente com baixíssimo teor de espiritualidade fica vulnerável aos efeitos do pecado (1 Coríntios 3.2, 3) e sua identidade não será reconhecida. Por outro lado, um crente que se considera mais santo tende a migrar para o extremismo religioso e para o fanatismo. Precisamos ser equilibrados espiritualmente.

Luz do Mundo (Mateus 5.14-16)

Essa é uma das mais sublimes características da identidade da Igreja. Jesus enfatizou essa importância ao mostrar que uma pequena luz, se colocada em seu devido lugar e com brilho resplandecente, pode iluminar “a todos que estão na casa”. Precisamos, portanto, estar no alto, à vista de todos (Mateus 5,15), e não “escondidos” ou “disfarçados” como “agentes secretos de Deus” (Mateus 5.15). E a nossa luz não pode ser fraca, mas resplandecente (Filipenses 2.15), para que o mundo veja o nosso proceder e glorifique a Deus (Mateus 5.16). Se a nossa luz não brilhar, seremos objeto de escárnio ao nome do Senhor, ao invés de sermos motivo de exaltação do seu santo nome.

Lavoura de Deus (1 Coríntios 3.9b)

Paulo atribuiu esse termo a uma das características da identidade da Igreja, considerando os seguintes aspectos:

1) Lavoura diz respeito à semeadura e à colheita – A nossa vida é uma constante semeadura. A forma como semeamos expõe a nossa identidade. Podemos semear pouco ou muito (2 Coríntios 9.6), bem ou mal (2 Coríntios 5.10; Provérbios 6.19; Oséias 20.2), com dificuldade (Salmos 126.5), com fé (Eclesiastes 11.1-6) ou com união (João 4.37; 1 Coríntios 3.6). Como estamos semeando, enquanto “lavouras  de Deus”? O certo é que, para cada tipo de semeadura que fazemos, teremos uma colheita equivalente (Gálatas 6.7).

2) Lavoura diz respeito a cuidado – Existem muitos entes predadores em uma lavoura, sejam as aves, os insetos ou fenômenos da natureza, como geadas, secas, vendavais. Como lavoura de Deus, também temos muitos males à nossa volta (Hebreus 12.1), e isso requer muito cuidado da nossa parte. Requer que estejamos protegidos (Efésios 6.11-19).

3) Lavoura diz respeito à espera – O lavrador espera muito tempo até que a lavoura amadureça e possa dar o seu fruto (Tiago 5.7, 8). Assim devemos nos comportar, sabendo que vivemos por fé e não por vista (2 Coríntios 5.7).

Edifício de Deus (1 Coríntios 3.9b)

Paulo também atribui esse termo a uma das características da identidade da Igreja, considerando os seguintes aspectos:

1) edifício diz respeito a fundamento, firmeza, edificação (Mateus 7.24-27) – Como e onde estamos edificando a nossa casa espiritual? Sobre a areia ou sobre a rocha? Jesus nos ensinou que a casa edificada sobre a rocha se manterá firme quando vierem as lutas, que Ele chamou de ventos, chuvas e rios. Edificar sobre a rocha requer muito esforço, muito trabalho (Lucas 6.47, 48). Nenhum crente fiel está imune às lutas; elas vêm sobre fiéis e infiéis. Porém, os fiéis estarão preparados para suportá-las (João 16.33; 2 Coríntios 4.8, 9). Já aqueles que querem viver um evangelho do faz de conta, que não se preocupam com a sua identidade cristã, que têm uma fé fingida (Lucas 20.29; 2 Coríntios 6.6; 1 Timóteo 1.5; 2 Timóteo 1.5), estão edificando sua casa espiritual sobre a areia, onde não se requer quase nenhum esforço. Estarão vulneráveis à queda (Mateus 26.27; Lucas 6.49).

2) Edifício diz respeito à morada, abrigo (João 14.21, 23) – Jesus nos disse que não basta termos os seus mandamentos; é preciso que guardemo-los. Com isso, estaremos provando a retribuição do seu amor para conosco e, como consequência, seremos amados pelo Pai, o qual juntamente com o Filho, fará morada em nosso coração. Somos, portanto, morada do Pai, do Filho, do Espírito Santo e da Sua Palavra (João 14.23; Romanos 8.9; 1 Coríntios 3.16; 6.19; 2 Coríntios 6.16; Efésios 2.21; 3.17; Colossenses 3.16). Nosso proceder tem demonstrado ao mundo uma identidade de quem é habitação de Deus?

Carta aberta e lida (2 Coríntios 3.2, 3)

Paulo também enfatizou isso como uma das características da identidade da Igreja. Ele não disse apenas que somos carta, mas uma carta conhecida e lida por todos os homens. Isso mostra que, na nossa vida cristã, nada temos a esconder de ninguém; a nossa vida espiritual deve ser espelho para os nosso vizinhos, familiares, colegas de trabalho, de escola. Como carta aberta, estamos permitindo que todos ao nosso redor nos leiam e, com isso, conheçam todo o nosso conteúdo, o qual deve demonstrar que somos diferentes, e diferentes a tal ponto que aqueles que nos observam sintam desejo de ser como somos.

Por, Francisco Alves de Oliveira.

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