Deus proíbe o uso de imagem de escultura?

Então como entender a confecção de querubins na liturgia judaica (Êxodo 25.18)

Deus proíbe o uso de imagem de esculturaDe acordo com a Bíblia, Deus abomina qualquer espécie de idolatria, inclusive a confecção de imagem de escultura, sendo um dos Dez Mandamentos dados a Moisés no Monte Sinai (Êxodo 20.4-6). Mas Deus ordenou a Moisés que fossem confeccionados dois querubins sobre o propiciatório (Êxodo 25.20).

A Bíblia é a inspirada e infalível Palavra de Deus (2 Timóteo 3.16, 17), por isso, sabemos que nela não há contradição nenhuma. No entanto, como explicar as duas informações citadas acima diante da verdade?

Idolatria origina-se do termo eidõlon “ídolo”, e latreia, serviço (1 Coríntios 10.14; Gálatas 5.20; Colossenses 3.5); ídolovem do original eidõlon, que denota “fantasma” ou “semelhança” (vem de eidos, “aparência”, aquilo que é visto), ou ainda, “ideia, imaginação”. Em seu dicionário, Vine afirma: “Um “idólatra” é um escravo de ideias depravadas que os seus ídolos representam (Gálatas 4.8, 9); e, desse modo, de várias concupiscências (Tito 3.3). Concluímos que, idolatria é tudo aquilo que assume o lugar – voluntária ou involuntariamente – que pertence somente a Deus.

A confecção dos querubins e de outros utensílios do Tabernáculo e do Templo, tiveram propósitos ornamentais e simbólicos, mas em nenhuma hipótese como permissão para a idolatria. Mesmo que o povo ao menos desejasse utilizar-se desses utensílios como meios de elevação ou modelos espirituais, o Senhor ordenaria que os mesmos fossem destruídos, assim como fez com a serpente que havia sido levantada por Moisés no deserto e que o povo a transformou em objeto de culto (2 Reis 18.4).

Sempre que a Bíblia menciona os querubins, ela o faz dentro do contexto da manifestação da presença de Deus, ou ainda como guardiões da mesma. O comentário Beacon afirma que os querubins “constituíam uma alta categoria de anjos associada coma presença de Deus”, e ainda podemos observar que eles também são apresentados como guardiões de lugares sagrados (Gênesis 3.24; Ezequiel 28.14).

Após a queda de Adão e Eva, os querubins foram responsabilizados em protegerem a entrada do jardim do Éden (Gênesis 3.24), da mesma forma, no oráculo do Templo, foram postos dois grandes querubins (1 Reis 6.23-28) como protetores do lugar da manifestação da Presença de Deus, e Davi, poeticamente, falou da presença de Deus sobre um querubim (2 Samuel 22.11 e Salmos 18.10).

O propiciatório – lugar sobre o qual as asas dos querubins cobriam – era o lugar onde o sangue do sacrifício anual pelos pecados do povo era colocado (Levíticos 16.2, 13-15), considerado também o lugar mais sagrado do Santo dos Santos e o próprio trono de Yahweh. Sendo assim, os querubins sobre o propiciatório não eram objetos de adoração dos hebreus, e sim ornamentos que simbolizavam a presença de Deus.

Desse modo, concluímos que o objetivo da confecção dos querubins não foi uma exceção para a prática da idolatria, condenada pelo próprio Deus. Antes, representava a presença de Deus e Sua glória e por estarem sobre o propiciatório apontavam para a reconciliação e a pacificação entre o homem e Deus, através do sacrifício de Jesus Cristo.

Por, Elias Torralbo.

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