Deus já foi visto por alguém ou não?

Por que a Bíblia diz que ninguém viu a Deus (João 1.18; 6.46; 1 João 4.12), se em outros textos há registros de pessoas que o viram (Gênesis 32.30; Êxodo 24.9-11; 33.11; Deuteronômio 34.10)

Deus já foi visto por alguém ou nãoEssa é uma pergunta que não quer calar na história da humanidade. Vez ou outra surge essa questão, sempre após uma pesquisa na Bíblia. Nessa pesquisa, entre outros versículos, encontra-se o texto do Evangelho de João, capítulo 1, verso 18, que afirma: “Deus nunca foi visto por alguém”. O ser humano sempre correrá atrás do místico, pois isso lhe deixa inquieto e curioso para desvendar os mistérios de sua existência.

Os registros bíblicos, quando se referem à pessoa de Deus sendo visto por pessoas, refere-se a uma forma de manifestação divina, chamada teologicamente de “teofania”. Teofania, no contexto teológico, é uma manifestação visível de Deus, quando Ele se manifestava não em sua plenitude, mas de uma forma que pudesse ser assimilado. Era quando Deus se manifestava através de algo a alguém. Quando alguém via uma teofania, normalmente via algo grandioso, fora dos padrões normais. Essa manifestação teofânica se observa nos seguintes textos: “E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (Gênesis 32.30). “E sucedia que, entrando Moisés na tenda, descia a coluna de nuvem, e punha-se à porta da tenda; e o Senhor falava com Moisés” […] “E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com seu amigo; depois, tornava-se ao arraial; […]” (Êxodo 33.9-11). Essas passagens retratam a expressão da glória de Deus para o homem. Mas alguém dizer que viu a Deus face a face, de modo literal, não é possível, porquanto o texto sagrado afirma que “Deus nunca foi visto por alguém”, e essa afirmação é literal.

Algumas pessoas querem afirmar que Moisés viu Deus em sua plenitude no episódio de Êxodo 33.17-23, mas, no episódio citado, encontramos mais uma vez a manifestação da glória de Deus. Era muito comum eles acharem que tinham visto a Deus devido a grandeza das manifestações. Quando lemos o texto de Isaías 6.5, vemos o profeta clamando “Ai de mim!”. O fato de o profeta ter comtemplado no primeiro versículo do capítulo 6 a manifestação teofânica da glória de Deus, o induz a pensar que está vendo literalmente a face de Deus, e isso não procede, pois estaria em contradição com as Escrituras, que assevera que ninguém jamais viu a Deus.

A Bíblia relata que somente é possível ver a Deus através do Filho Unigênito, o canal para se chegar a Deus na Nova Aliança. O texto da Primeira Epístola de João diz o seguinte: “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito. E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” (1 João 4.12-16).

Portanto, se alguém quer ver a Deus, precisa reconhecer o Filho e passar pelo Filho com o seu sacrifício na Cruz do Calvário, que possibilita o “religare”, ou seja, a possibilidade de a humanidade chegar à presença de Deus através do projeto salvífico realizado na Cruz do Calvário. Jesus mesmo disse: “Quem me vê a mim vê o Pai […]” (João 14.9). Quando Jesus fala da unidade da fé, ele cita as Escrituras: “Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras” (João 14.11).

Além do mais, quando chegarmos no Céu com corpos glorificados, poderemos ver Deus pela primeira vez em Sua plenitude.

Por, Agissé Levi da Silveira.

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